MATO GROSSO DO SUL

MPF pede condenação de servidor do Ibama que tinha criadouro de jacarés

Gerson Zahdi respondia por núcleo de fauna do Ibama ao mesmo tempo que tinha criadouro em Terenos; defesa nega que ele tenha agido por má fé

19/03/2019 09h28 - Por: Folha de Dourados

 
Na ação da PF, em 2011, foram apreendidos 206 animais mortos, além de pele congelada e 3,4 mil vivos (Foto/Arquivo) Na ação da PF, em 2011, foram apreendidos 206 animais mortos, além de pele congelada e 3,4 mil vivos (Foto/Arquivo)

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O MPF (Ministério Público Federal) em Mato Grosso do Sul pediu a condenação de Gerson Bueno Zahdi, servidor aposentado do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) por improbidade administrativa.

Gerson Zahdi era dono de criadouro de jacarés em Terenos, ao mesmo tempo que exercia a função de diretor de Núcleo de Fauna e Recursos Pesqueiros, setor que realiza controle, vistoria e concessão de autorizações e licenças relativas aos assuntos da fauna.

Gerson chegou a ser preso em flagrante em 2011, junto com esposa e filha, por crimes ambientais relacionados à falta de documentação para abate de jacarés e comercialização de carne e de couro dos animais.

Na ocasião, foram apreendidos 206 animais mortos inteiros, 93 cabeças, 22 pacotes contendo carne de jacaré e 84 peles congeladas salgadas. Em dois galpões do criadouro, foram encontrados aproximadamente 3.460 jacarés vivos, de tamanhos diversos, em tanques de alvenaria.

O MPF pede a condenação de Gerson por atos de improbidade administrativa e sustenta que o réu, servidor público federal sabedor das vedações do cargo que ocupava, administrou e explorou comercialmente, de forma ativa e clandestina, atividade empresarial sem a devida autorização até ser preso em flagrante por infringir leis ambientais.

Na defesa, Gerson Zahdi alega que a filha, Ana Karina, era responsável pelo criadouro, com atividade amparada por licença ambiental para captura, coleta, abate, transporte e exposição. Afirma que só se dedicava a essa atividade nos finais de semana, não coincidindo com a função exercida no Ibama. Alega, ainda, inexistência de dolo ou má fé, pois nunca escondeu a criação de jacarés.

Para o MPF, Zahdi agiu com dolo. "Frise-se que se trata de pessoa informada, com formação superior, conhecedora das leis administrativas e, principalmente, das leis ambientais. Agiu com dolo, plenamente consciente de seus atos e suas possíveis consequências".

(Campo Grande News)

 

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