Desde 1968 - Ano 54

28.9 C
Dourados

Desde 1968 - Ano 55

InícioColunistaLourdes Lago Stefanello: Dos sonhos nunca se esquece

Lourdes Lago Stefanello: Dos sonhos nunca se esquece

- Advertisement -

Ilson Boca Venâncio –

A personagem da história de hoje, Lourdes Lago Stefanello, é membro da ALBD – Academia de Letras do Brasil, Seccional Dourados, onde é ocupante da cadeira de número 03, tendo como patrono o jornalista Claudio Xavier e nos fizemos amigos.

Lourdes me contou que despertou desde muito cedo para as artes, e muito pequena usava o canto como o seu universo favorito e que era senso comum entre seus familiares, a fala de que ela cantava bem, o que a incentivava e lhe dava segurança para cantar em público.

Quando foi fazer o curso primário em uma escola rural em Fortaleza do Valos-RS, conta que na escola sempre havia montagem de peças teatrais, e ela participava escolhendo sempre as personagens que tinha que cantar ou declamar e isso lhe dava muito prazer. E foi nesse período escolar que concorreu e ganhou o prêmio “A rainha das pedras verde”.

Lourdes Lago Stefanello: Dos sonhos nunca se esquece
Lourdes Stefanello no quintal florido e produtivo do escritor Ilson Boca Venancio, em Dourados-MS

Quando terminou a quinta série foi estudar o curso ginasial em um internato de freiras em Gramado – na cidade onde morava só tinha até o curso primário.

No internato havia um professor que dava aula de teatro e tinha um coral maravilhoso. Cantar em um coral daquele nível de qualidade era tudo que ela precisava para aprimorar seu canto. O coral se apresentava nos principais eventos da cidade e região, entre eles a tradicional Festa das Hortênsias com a gravação de um disco no final da apresentação. Nessa oportunidade ela cantou uma mensagem de boas vindas aos visitantes da festa.

Outro evento que recorda com carinho foi quando cantou com um conjunto que havia na cidade, com o nome de “Os Morcegos”, e fizeram uma apresentação na inauguração do cinema de Gramado. Relembrou e cantarolou a música Uirapuru e o clássico francês “Ma Vie” de AlainBarri’ere e a Praça, de Ronnie Von .

Quando finalizou o curso ginasial a direção do internato solicitou que ela lecionasse em uma escola que pertencia ao convento que ficava em um distrito – era a escola Santa Joana Francisca.

Lourdes Lago Stefanello: Dos sonhos nunca se esquece
Lourdes Stefanello e Denise Caramori

Nessa escola ela participava de um grupo de canto da igreja e relembra com ar de satisfação, de um tabu que quebraram cantando na missa acompanhado por um violão. Conta que estavam receosos de sofrerem algum constrangimento, pois o velho padre tinha a aparência conservadora. Mas foi muito bem aceito.

Quando retornou a Fortaleza do Vales, foi professora do jardim da infância e como a escola não tinha recursos para os materiais didáticos, tinha que usar da criatividade improvisando. Na falta de grafite para os desenhos usava carvão e produziam tintas naturais.

Porém, como desejava continuar os estudos, acabou se mudando para Cruz Alta, onde foi morar com um irmão para estudar e ser normalista, o que seria hoje equivalente ao Magistério. No curso Normal tinha uma professora de música, e assim cantavam músicas populares; ela fazia a voz solo no repertório nas apresentações, acompanhada por um grupo musical da cidade.

Lourdes Lago Stefanello: Dos sonhos nunca se esquece
Erminio Guedes, Lourdes Stefanello, Denise Caramori, Odila Lange, Ilson Boca Venancio e José Henrique Marques

No repertório cantavam músicas interpretadas pela cantora Ângela Maria como: Gente Humilde, Ave Maria do Morro entre outras que não se recorda.

Na sequência foi convidada para cantar no grupo que tocava os bailes de carnaval. Para isso, teria que tirar a carteira da Ordem dos Músicos do Brasil. A prova foi marcada, mas quando chegou o dia do teste, foi impedida de sair de casa pela cunhada com quem morava para poder estudar, que era contrária a sua carreira na música.

Com esse impedimento e, sabendo que a vida continua, se direcionou para a educação e seguiu em frente na educação: foi cursar Pedagogia, em Porto Alegre.

Foi professora na cidade de Erexim em período de muita pressão do militarismo sobre a educação, principalmente na matéria de educação moral e cívica, na área cientifica e educação física, onde ela atuava.

Lourdes Lago Stefanello: Dos sonhos nunca se esquece
Posse da Academia de Letras do Brasil, Seccional Dourados

Quando conseguiu uma vaga para dar aulas em Cruz Alta, retornou para terminar o curso universitário, em período em que como professora se trabalhava muito a competição escolar. Tinha que ministrar aulas de provas militares no campo de treinamento do Exército, e somente depois os alunos participavam de matérias curriculares, educação física e jogos olímpicos.

De repente a vida novamente lhe surpreendeu, quando foi convidada para dar aulas na universidade, aquele era o momento de demonstrar sua capacidade.

Naquele tempo as aulas práticas de educação física eram separadas entre homens e mulheres. Assim continuou seu trabalho na educação física ate vir para Dourados onde aumentou o leque de possibilidades trabalhando em outras escolas e ampliando as áreas temáticas.

Concursada pela UEMS, dava aulas em Dourados, Amambai, Jardim e Ponta Porã e em diferentes áreas da educação, mas com possibilidade de trabalhar em outras faculdades como a UNIGRAN, onde atuou por mais de uma década participando de outros projetos como festivais, fazendo coreografias com técnicas de dança. teatro, e música.

Como ela não tinha preguiça para o trabalho, transitou por esse universo de ensino e aprendizado, porque entendia que a arte cabe em qualquer matéria, facilitando o entendimento do conteúdo e todo aluno tem que aprender a fazer a sua própria personalidade e conhecimento para ser um realizador. Esse era o motivo das realizações dos festivais de música na UEMS.

“Quando vejo um aluno que além do estudo e trabalho, ainda se dedica a cultura das artes fazendo dança, teatro, música, melodia e letra, também participando de festival lutando para defender seus sonhos, sua obra artística, ficam felizes porque a arte faz parte do ser humano, e quando ele consegue desenvolver esse lado artístico, que todos têm essa possibilidade, certamente ele se torna um ser humano mais completo e feliz”, diz a professora

Depois de toda essa trajetória aqui em nossa cidade e região, Lourdes retornou para a sua terra natal e desejo que, lá, continue colhendo e plantando frutos ao longo de sua trajetória. Que não se encerre, mas seja longa.

- Advertisement -

MAIS LIDAS

- Advertisement -
- Advertisement -