25/01/2016 07h34

Por que nenhum ator negro brasileiro jamais fará boicote à Globo

Por: Folha de Dourados
 
 
Milton Gonçalves

(*) Marcos Sacramento

Desde a estreia da primeira telenovela da TV Globo, em 1965, é possível contar nos dedos de uma só mão as produções com protagonistas negros. Na recente “I Love Paraisópolis”, ambientada em uma comunidade onde 70% dos moradores se declaram negros, só seis dos 52 atores do elenco tinham aquele fenótipo.

Bastam uns poucos minutos em frente à TV para perceber a distância entre o perfil predominante nas novelas, com a maioria dos personagens de pele clara, e o perfil étnico brasileiro, onde mais da metade da população se declara negra.

“Segundo o censo realizado pelo IBGE em 2010, 50,7% da população do País é preta ou parda. No entanto, em pleno ano de 2016, essa condição demográfica majoritária é praticamente invisível nas produções televisivas e nas peças publicitárias que circulam na TV e nos veículos da mídia impressa” escreveu a atriz Zezé Motta no Facebook, em um desabafo na época da morte do ator Antônio Pompeu.

De acordo com Zezé Motta, o ator de 62 anos, com quem contracenou no filme “Quilombo”, andava deprimido por falta de oportunidades de trabalho.

Esta discrepância, que pinta o Brasil como um país branco para quem o vê pelas telas das TV’s, oferece farta munição para que os atores negros promovam um protesto semelhante ao dos colegas norte-americanos, que pretendem boicotar o Oscar por causa da ausência negros entre os indicados ao Oscar de melhor ator e atriz.

A pergunta é quais deles teriam coragem de assumir tal postura. O primeiro entrave é a escassez de representantes negros na teledramaturgia e a consequente invisibilidade, como Zezé Motta citou. Um boicote promovido por invisíveis tem grandes chances de ser inócuo.

Outra coisa que inibe a promoção de um boicote é o risco do ator politizado perder oportunidades de trabalho e cair no temido ostracismo.

De certa forma, a escassez de negros na teledramaturgia seria ao mesmo tempo o motivo e o empecilho para uma manifestação parecida com a que Spike Lee, Jada Pinkett Smith e Will Smith estão puxando.

Para complicar ainda mais, quem poderia aproveitar a polêmica do Oscar para levantar o debate a respeito do racismo na teledramaturgia brasileira prefere jogar panos quentes na discussão.

Em vez de se espelhar em Spike Lee e companhia, prefere seguir a filosofia de Morgan Freeman, para quem a solução para acabar com o racismo é deixando de falar nele.

Foi o que o veterano ator Milton Gonçalves fez durante uma entrevista à Rádio Gaúcha, do grupo RBS. Para ele, a Academia não é racista e se nenhum negro foi indicado neste ano foi porque nenhum deles fez um bom filme.

Durante a entrevista descontraída de cerca de 23 minutos, os apresentadores fazem uma brincadeira com a forma com que o ator se refere à renda que tem, chamando de “dinheirinho”.

Ao falar do seu salário, Gonçalves deixa escapar que às vezes atua como uma espécie de embaixador da Rede Globo.

“Graças a Deus eu tenho um interesse salário da Globo, estou lá há 52 anos, não sou o melhor salário mas sou fundador da empresa. Às vezes, quando há necessidade de representar a empresa eu sou chamado para isso. E não é só no EUA, é Coréia, Japão, é Itália, Portugal, eu vou lá fazendo parte daquele grupo que representa a Rede Globo de Televisão”, explicou.

Como escreveu o argelino Albert Camus, no final “tudo se explica”.

(*) Capixaba de Vitória, é jornalista. Goleiro mediano no tempo da faculdade, só piorou desde então. Orgulha-se de não saber bater pandeiro nem palmas para programas de TV ruins.

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INIFELISMENTE NÓS VIVEMOS NO PAIS DE FAZ DE CONTA QUANDO AS PESSOAS DE COR ESCURA VIVE NO PAIS DO NAO NAO PODE ERRAR PODE SER BEM DE VIDA NAO PODE TER PODER .SÓ TEM UM JEITO QUE PODEMOS MUDAR INFESTIR EM POLITICAS PULBLICAS E LEVAR ISSO PARA DENTRO DAS ESCOLA E COMUNIDADE ONDE PODEREMOS UNIR AS PESSOAS OK.

 
JOSE ROBERTO em 27 de janeiro de 2016 às 10:37
 

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