Corrupção em MS

Giroto se torna réu em 4ª ação com Amorim, cunhado e piloto

28/10/2017 12h35

Juiz substituto aceita denúncia e Giroto se torna réu em 4ª ação com Amorim, cunhado e piloto

Por: Folha de Dourados
 
 
 Ex-deputado se torna réu em quarta ação penal da Operação Lama Asfáltica (Foto: Arquivo)
Ex-deputado se torna réu em quarta ação penal da Operação Lama Asfáltica (Foto: Arquivo)

Por Edivado Bitencourt, do blog O Jacaré

O MPF (Ministério Público Federal) denunciou o ex-secretário estadual de Obras e ex-deputado federal Edson Giroto, 58 anos, no âmbito da Operação Aviões de Lama, a 3ª fase da Lama Asfáltica. Ele se tornou réu pela 4ª vez por lavagem de dinheiro e ocultação de bens, desta vez junto com o empresário João Alberto Krampe Amorim dos Santos, 64, o cunhado e o piloto.

Procurador regional da República Davi Marcucci Pracucho protocolou a ação penal no dia 9 deste mês. Dez dias depois, o juiz substituto da 3ª Vara Federal de Campo Grande, Ney Gustavo Paes de Andrade, aceitou a denúncia.

Além de Giroto e Amorim, tornaram-se se réus o cunhado do ex-deputado, o engenheiro agrônomo Flávio Henrique Garcia Scrochio, 51, a sócia do dono da Proteco, a ex-secretária Elza Cristina Araújo dos Santos, 39, e o piloto Gerson Mauro Martins, 32.

Conforme a investigação da Polícia Federal, logo após ser alvo das operações Lama Asfáltica, em julho de 2015, e Fazendas de Lama, em maio do ano passado, Giroto vendeu a aeronave para o produtor de algodão do Mato Grosso, João André Lopes Guerreiro.

A história começou com o piloto, que teria indicado, em março do ano passado, que havia um avião à venda no Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande. Ao vistoriar a aeronave, ele conheceu Giroto.

O ex-secretário lhe recebeu e mostrou o avião prefixo PP-TSM, fabricado em 1980 e conhecido como "Cheyenne". Após entrar em acordo sobre a venda, Giroto ficou de falar com outra pessoa para sacramentar o negócio.

O avião estava, oficialmente, em nome da ASE Participações e Investimentos, empresa de João Amorim e Elza.

Após consultar os "donos", Giroto fechou a compra com João André, que ofereceu um avião menor, avaliado em R$ 350 mil, e pagou R$ 550 mil à vista e R$ 1 milhão dividido em três vezes.

Apesar de o avião vendido pertencer a João Amorim, o novo, menor, foi transferido para o nome do cunhado, dono da Terrasat Engenharia e Agrimensura. Em despacho, que manteve o bloqueio, o juiz substituto Fábio Luparelli Magajewski, apontou o fato de a aeronave ter ficado com um terceiro estranho ao negócio.

Amorim, Giroto e Flávio chegaram a ser presos em julho do ano passado, na Operação Aviões de Lama, quando foram acusados de desfazer do patrimônio logo após a primeira fase da operação, que apontou desvios em recursos públicos.

Eles garantem que o avião foi vendido antes de ser bloqueado pela Justiça.

Com esta ação, Giroto se torna réu pela quarta vez.

A Operação Lama Asfaltica começa a tramitar em um novo patamar, o do julgamento, que pode levar à condenação dos envolvidos no escândalo. A operação começou em 2013, mas sofreu atrasos devido foros privilegiados de Giroto, quando era deputado federal, e de André Puccinelli (PMDB), como governador.

No entanto, a Polícia Federal segue com vários inquéritos, inclusive com novos, que surgiram como desdobramento das outras operações.

Apesar de ser o substituto do substituto, já que o único magistrado designado para a 3ª Vara Federal de Campo Grande, Fábio Luparelli se licenciou até janeiro para fazer curso, Ney Gustavo começa a implementar um novo ritmo para os casos da Lama Asfáltica. Ele levou dez dias para analisar a ação penal e aceitar a denúncia feita pelo MPF.

Nesta quinta-feira, a OAB/MS cobrou mais agilidade do Tribunal Regional Federal da 3ª Região na definição de um novo titular para a Vara, que está sem juiz desde a aposentadoria de Odilon de Oliveira.

Além da Lama Asfáltica, a 3ª Vara Federal é especializada nos crimes de lavagem de dinheiro e foi fundamental para combater o narcotráfico e desmontar as organizações criminosas na fronteira.

 

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