Wilson Biasotto

Agronomia UFGD – 40 anos de uma existência profícua

18/05/2018 15h47

Agronomia UFGD – 40 anos de uma existência profícua

Por: Folha de Dourados
 
 
Professor Wilson BiasottoProfessor Wilson Biasotto

(*) Wilson Valentim Biasotto

O terreno onde hoje se encontra instalada a Reitoria da UFGD [antigo CEUD], foi doado pelo senhor Wlademiro do Amaral, para a implantação de um curso de Agronomia em Dourados. Isso em 1971, no entanto àquela época, na inauguração do prédio foram anunciados os cursos de Letras e Estudos Sociais. Sonhando com uma escola de agronomia o que Dourados recebeu foi um Centro Pedagógico. Nada mal se considerarmos que a escassez de professores era significativa e incompatível com o crescimento demográfico da região. Mas, se não se concretizou o primeiro projeto, não morreu o sonho.

Anos depois foi constituída uma comissão para elaborar o projeto para implantação do curso de Agronomia: Messias Faria Neto, Abramo Loro Neto e Milton de Paula elaboraram o projeto inicial e em seguida foi criada uma comissão que incluía além dos professores do CEUD, Abramo Loro Neto e Lori Alice Gressller, o Secretário de Agricultura da Prefeitura de Dourados, Osmair Scarpari e um professor do Rio Grande do Sul, contratado especialmente para este projeto, João Pires.

A partir desse embrião foi impressionante a disposição das forças vivas de Dourados para a implantação do curso: lojas maçônicas, clubes de serviços, entidades de classe, políticos locais, a sociedade douradense, enfim, cada qual com o seu poder de fogo, irmanando-se numa caminhada vitoriosa que culminou com a implantação do curso de Agronomia em Dourados em 1978. A união de forças foi importante porque o reitor da universidade desejava implantar o curso em Campo Grande onde, segundo ele, havia melhores condições estruturais.

A Câmara Municipal de Dourados e a Prefeitura Municipal também tiveram papel importante no convencimento do então chanceler da Universidade Estadual de Mato Grosso [UEMT], o governador Garcia Neto, para a implantação do curso em Dourados.

O engenheiro agrônomo José Elias Moreira, prefeito de Dourados àquela época, foi de fundamental importância para o sucesso da abertura do curso, por ter bom trânsito em Brasília e o apoio do governador do Estado. A reunião decisiva para a implantação do curso deu-se em seu gabinete. O reitor, João Pereira da Rosa, insistia em abrir o curso em Campo Grande, alegando falta de espaço físico de laboratórios e até de professores. Espaço físico foi resolvido com a doação de 45 ha de terras pela prefeitura e outros 45 pelo então vereador Celso Muller do Amaral. Laboratórios viriam de verbas estaduais e professores, bem professores o governador disse que buscaria mesmo que fosse na China.

Em 1977, paraninfando a primeira turma de formandos do CEUD, no cine Ouro Verde, o governador anunciou a criação do curso de agronomia já a partir de 1978. Engana-se quem pensa que era fácil abrir qualquer curso de graduação no CEUD antes da criação da UFGD. Foi assim com Agronomia, mas também com Administração de Empresas, Ciências Contábeis, Direito e Medicina, dentre outros.

Mas, enfim, implantado o curso, houve dificuldade de toda ordem: transporte dos universitários, dificuldades da reitoria liberar contratação de professores e construções. Sete professores que já atuavam no CEUD foram os pioneiros da primeira turma: Messias Faria Neto, Abramo Loro Neto, Ana Maria Sampaio Domingues, Walderes Wollf, José Joaquim, João Dimas Graciano e Edgard Jardim Rosa Junior.

Não é demasiado lembrar que em 1978 ainda vivíamos sob a égide de uma violenta ditadura militar e que em janeiro daquele ano vários professores foram demitidos pela alegação de "subversão à ordem vigente". Quero com isso dizer que os professores pioneiros, mesmo o diretor do campus, não podiam se manifestar de uma maneira mais incisiva em relação às necessidades do curso. Então deu-se o fenômeno que, vinte cinco anos mais tarde, repetiu-se com a primeira turma do curso de Medicina. Os alunos movimentaram-se, iam constantemente até a reitoria, foram às ruas e, com grande sacrifício contribuíram para dar ao curso de Agronomia uma estrutura capaz de oferecer à nossa região e ao Brasil enorme contribuição ao desenvolvimento da agricultura.

Serei injusto por não me lembrar de todos os guerreiros daqueles tempos, mas não é possível esquecer-me de Gomercindo Rodrigues, mais tarde companheiro de Chico Mendes. Sua resistência e a sua luta simbolizaram o esforço daquela turma.

Com a UFGD o curso de Agronomia deu origem a Faculdade de Ciências Agrárias, com os cursos de Agronomia, Engenharia Agrícola, Engenharia de Aquicultura e Zootecnia e os programas de Mestrado e Doutorado em Agronomia, Mestrado em Engenharia Agrícola e Mestrado em Zootecnia. Atuam nesses cursos 60 professores e dezenas de capacitados técnicos e funcionários administrativos.

Não é tarefa fácil edificar em apenas 40 anos uma Faculdade reconhecida em âmbito nacional, formar profissionais capacitados, desenvolver pesquisas e extensão universitária. Por isso, em homenagem aos precursores e aos atuais envolvidos no curso, esse ano é para festejar, com palestras, histórias, participação daqueles que contribuíram para com o curso e, se possível muita música.

(*) Professor aposentado e Membro da Academia Douradense de Letras. e-mail: biasotto@biasotto.com.br

 

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