Economia

Minha casa, minha vida: mercado avalia mudanças na faixa 1,5

Clique aqui e curta nossa página no Facebook

Com a alteração feita nos descontos dados no programa "Minha casa, minha vida" ficou mais complicado para as famílias conseguirem comprar um imóvel. Agora, para ter o subsídio máximo, de R$ 47.500, na compra da casa própria, a renda tem de ser de até R$ 1.200, e não mais de R$ 1.600.

Para famílias que recebem de R$ 1.200 a R$ 1.600 mensais, o subsídio governamental ao valor do imóvel caiu para R$ 29 mil.

As mudanças foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União de 31 de dezembro, no último dia do governo Michel Temer. Com as novas regras, os solteiros também foram prejudicados. Antes, eles tinham direito a 70% do subsídio na faixa de renda à qual pertenciam. Agora, esse percentual passou a ser de apenas 50%.

As faixas de renda do "Minha casa, minha vida" são 1,5, renda mensal de até R$ 2.600; faixa 2, renda mensal de até R$ 4 mil; faixa 3, renda mensal de até R$ 7 mil.

— Por exemplo, uma família na faixa 1,5 que tinha renda de R$ 1.600 poderia ter desconto de R$ 47.500. Hoje, a mesma família tem desconto máximo de R$ 29 mil. Os clientes terão que ter mais capacidade de financiamento — acredita Matheus De Avila Ferreira Torga, gestor executivo de relacionamento com o investidor da MRV.

A empresa prevê lançar 18 novos empreendimentos no estado. Que, juntos, somam um total de 6.890 unidades nas zonas Norte e Oeste, e ainda em Santa Cruz, Caxias, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Há possibilidade de Volta Redonda também entrar no grupo.

Para Mauricio Santos, diretor comercial da Incorporadora Jeronimo da Veiga, com a redução dos subsídios para clientes com renda superior a R$1.200, futuros compradores nesta faixa terão que poupar um pouco mais para ter o valor da entrada, que antes era composto pelo benefício, e realizar o sonho da casa própria.

Para Mauricio Santos, da Jeronimo da Veiga, as construtoras precisarão se programar , pois haverá redução na velocidade das vendas.

— Os produtos de faixa 1,5, que eram vendidos em até seis meses, deverão ter um fluxo mais lento de saída — acredita ele, que neste ano prevê lançar mais de duas mil unidades em Nova Iguaçu, Campo grande e Belford Roxo dentro do programa, em parceria com a CAC Engenharia.

Bruno Teodoro, gerente comercial da CAC, concorda:

— O volume de vendas vai cair um pouco, porque o número de pessoas beneficiadas será menor. Mas isso não quer dizer que será tão ruim para o negócio, que vai continuar acontecendo, só que de uma forma um pouco mais equilibrada. E não como era antes, quando vendemos o condomínio Caminho do Rio 2, com 320 unidades, em cinco meses. O prazo de venda será um pouco maior e talvez fique mais difícil enquadrar a pessoa na faixa 1,5, mas ele não vai deixar de ter acesso ao programa porque o subsídio continua. Vamos continuar fazendo o que sabemos fazer: construir, vender e entregar.

Na opinião do professor de Fundação Getúlio Vargas, Paulo Paulo, este benefício por faixa de renda pode ser imediatamente substituído pelo benefício por redução de taxa de juros ao mercado comprador do "Minha casa, minha vida".

— Ou seja, o impacto imediato é de diminuição de público diretamente beneficiado, mas o governo logo deve corrigir esta situação com a potencial queda da taxa de juros ao mercado comprador. Esta é a expectativa real dos economistas para o crédito imobiliário — afirma.

André Barros, da Morar Mais Imobiliária, diz que a redução do subsídio impacta na entrada do cliente.

— As equipes de venda têm que se adequar e flexibilizar, diluindo o valor da entrada nas parcelas. Quem vai sofrer mais é o cliente com renda entre R$ 1.400 e R$ 1.900, que agora vai ter que ir para a faixa 2, com um subsídio menor (até R$ 29 mil).

Barros diz que o mercado está se ajustando a estes novos tempos:

— Muitos acreditavam que a faixa 1,5 seria extinta. Então, acabou sendo positivo. (Extra)

 

Envie seu Comentário