A Folha de Dourados está republicando as personalidades enfocadas no livro “Minha História em Dourados”, lançado na memorável noite de 24 de abril de 2024 na Casa Lys, com a presença de mais de cem pessoas. Nessa semana, relembramos o legado de LAUDIR MUNARETTO. A edição especial do projeto, celebrando os 90 anos de nossa cidade está em fase final produção e será lançado no decorrer deste ano, em data a ser marcada, no Clube Social de Dourados.
Leia a seguir, o relato publicado no livro “Minha história em Dourados”
O ingresso na política
Meu ingresso na política se deu em 1988, quando, no Restaurante Marrocos, resolvemos fundar o Sindicato dos Garçons. Nós precisávamos de representatividade e o sindicato nasceu por isso, para fazer as confraternizações e a defesa da classe. Outro objetivo era lançar um nome para disputar uma eleição. Assim fundamos o sindicato: Maguila foi o presidente; eu, o tesoureiro; o Rubinho, o primeiro secretário; o Chiquinho, o segundo secretário.
O sindicato resolveu escolher, dentro dos seus quadros, uma pessoa para ser candidato(a) e o escolhido fui eu – assumi a missão. Tive uma votação boa para a época, por ser a primeira, e por não ter nenhum tipo de estrutura. Tive 287 votos e fiquei de suplente. Foi uma boa experiência.
Naquele momento, eu estava no grupo político do Humberto Teixeira (ex-prefeito falecido) e fui candidato pelo PRN (Partido da Reconstrução Nacional). A partir daí, estruturei melhor o buffet, comecei a trabalhar melhor. Em 1996, falei: “não vou ser candidato”. O sindicato queria que eu fosse, mas eu já estava atuando mais como patrão do que como sindicalizado. Eu disse: “Como eu vou representar o sindicato, se eu sou mais patrão do que empregado? Escolham outro”. Então escolheram o Maguila.
“eu estava no grupo político do Humberto Teixeira (ex-prefeito falecido) e fui candidato pelo PRN (Partido da Reconstrução Nacional)“
Na reta final da eleição, o Maguila desistiu e o sindicato ficou sem candidato. Em 2000 o buffet já estava bem estruturado e eu continuava filiado no PRN. Aí o Toninho Belarmino e o vereador João Derli (finado) me convidaram para entrar no PSB (Partido Socialista Brasileiro); pela insistência deles, acabei aceitando.
Naquela eleição tive 603 votos e fiquei como primeiro suplente. Já no ano de 2004, o PSB se desestruturou de uma forma que nós não tínhamos nem chapa para disputar a eleição de vereador. Então, fui convidado para ingressar no PL, que estava com uma boa estrutura, e eu aceitei. Fui o mais votado do partido. Tive 1.589 votos; elegemos dois vereadores: eu e o Carlinhos Cantor.
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A Operação Uragano
Em 2008 fui candidato à reeleição, desta vez pelo PMDB [hoje MDB]. Tive uma votação expressiva, 2.013 votos, mas uma chapa pesada. O PMDB só elegeu a Délia Razuk. Depois, assumi o mandato, quando a Délia virou prefeita. Participei daquele momento trágico da cassação de diversos vereadores. Fui relator, ou presidente de quase todas as comissões, porque eu era o único vereador que não era parte interessada, pois tinha sido suplente da Délia Razuk.
“assumi o mandato, quando a Délia virou prefeita. Participei daquele momento trágico da cassação de diversos vereadores”
Depois daquela operação eu falei: “Olha, quer saber de uma coisa? Eu vou sair fora do meio político”. E me afastei. Assim, em 2012, não fui candidato. Resolvi focar na minha empresa, nos negócios. E me desfiliei do PMDB. Fiquei sem partido nenhum, e no ano de 2020 entreguei a empresa pros meninos [os filhos] tocarem.
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O retorno à política
Certo dia, em 2020, toca o telefone. Era o Alfredo Barbara [jornalista]. “Ô, está chegando um rapaz aí na sua casa, com uma ficha para você se filiar”. Então, o ex-prefeito Braz Melo chegou com a ficha do MDB e falou: “Tem que ser agora, porque se for amanhã você não vai mais ter a vaga. Não vai ter como registrar a candidatura”. Assinei. Filiei novamente no MDB.
“Não tenho mais idade para perder eleição. Vou ser candidato para ganhar. Uma dessas vagas vai ser minha, pode escrever”
A princípio eu não era candidato. Eu queria administração, eu queria fazer parte da gestão, porque eu gosto de gestão. Aí certo dia, o Renato Câmara [deputado] chegou lá na casa do Brás e falou assim: “Eu não sou mais candidato. A gente vai apoiar o Barbosinha e nós temos um time de vereadores que vão para a reeleição, e nós queremos que você seja candidato”. Eu falei: Não tenho mais idade para perder eleição. Vou ser candidato para ganhar. Uma dessas vagas vai ser minha, pode escrever”. E foi o que aconteceu, fiz 1.329 votos, mesmo numa campanha difícil, como foi a da pandemia.


