11/06/2018 15h46

O necessário para a nuvem se dissipar e nem tão cedo reincidir

Por: Folha de Dourados
 
 
Victor Teixeira Victor Teixeira

Victor Teixeira

O que o governo Temer ofereceu aos caminhoneiros no intuito de que voltassem a suprir o povo e as próprias autoridades com os recursos específicos para cada grupo em níveis habituais foi uma superficial fraçãp da única via para ser superado o caos. É fato que, a não ser pelo pouco que o Planalto fez, a trama trilharia caminhos mais sombrios que os já conhecidos. Contudo, há como reduzir a necessidade de mobilizações com sérios efeitos colaterais úteis para atentar os poderosos quanto a maiores males possíveis de surgirem de erros seus. O aprendizado das lições requeridas para um período eleitoral com virtudes que o permitam virar a página deve ter por referências o desinteresse pelo atual corpo gestor, seguindo o mesmo caminho de seus precedentes, por desafiar as causas da revolta em profundidade suficiente para gerar grandes avanços mundialmente exemplares a longo prazo e os excessos de uma parte do movimento.

Após duas semanas termina a paralisação nacional dos caminhoneiros. Se desfazem os bloqueios físicos em rodovias estaduais e federais e as barreiras impostas por eles ao atendimento à demanda por produtores, fornecedores e consumidores de uma larga variedade de bens e serviços públicos e privados. Desfez-se ainda a percepção em meio ao pandemônio de liberdade para a caçada oportunista por lucro de empresários que vendiam estoques remanescentes de combustível a preços maiores, acessíveis para poucos, e leigos que armazenavam e ofertavam os produtos em desacordo com as diretrizes legais para uso seguro e sustentável. Os métodos de alívio da pressão dos gastos com diesel sobre os caminhoneiros anunciados pelo governo detiveram os prejuízos dos setores em níveis dos quais podem ser compensados mais agilmente que, por exemplo, em Moçambique, provável nova parada da tensa nuvem de descontentamento social. Os grandes burocratas daquela terra africana que conosco partilhava a mesma metrópole colonizadora, liderados pelo presidente Filipe Nyusi e seu partido FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), mantém na teoria seu plano referente ao último outubro de dar autonomia aos empresários do ramo de combustíveis para negociarem sua importação, uma das razões que não retiram a trupe do labirinto que ela mesma criou abrangendo a crescente dívida pública e o dever de retirar a estatal Petromoc do limiar da falência técnica.

A luta dos brasileiros para que suas rotinas não se desorganizassem a ponto de ferir direitos e deveres super essenciais deu trégua com o fim do imposto Cide, a baixa dos preços do diesel em 46 centavos e o acato por alguns governos estaduais dos pedidos de um mesmo destino descendente para o valor do ICMS. Ainda assim as expectativas coletivas eram demais para Pedro Parente, levando-o a demitir-se da Petrobras e ser substituído por Ivan Monteiro, que antes atuava no caixa da possessão mercantil pública. Bastará se esgotarem os dois meses de diesel com menor custo compensado mediante inverso ajuste no preço da gasolina e do etanol para o novo pleno chefe, de confiabilidade incompleta por uma omissão de dados sobre quanto custou a venda de um gasoduto quando se encarregava da diretoria financeira, experienciar os anseios dos consumidores e empreendedores brasileiros e investidores externos. Sem concreta saída a curto prazo para a propriedade estatal da empresa que lhe impõe o dever de dominar a exploração do ouro negro por aqui e a sujeitou a saques grosseiros por desumanos estadistas e cupinchas seus, Monteiro é desafiado a melhorar a atratividade para negócio do petróleo e subprodutos no pique das oscilações mercadológicas internacionais e sob a simultânea correnteza tributária nacional que atinge o poder de compra em todos os setores econômicos nem sempre com destino a um positivo retorno.

Fracassos nas novas políticas levarão de novo às ruas e estradas a dita categoria profissional e/ou indivíduos com outras ocupações vitimados pela banda podre dos representantes que alçam ao poder. O ciclo se manterá em consonância com o apreço dos administradores escolhidos nos estados e para todo o Brasil pela liberdade cabível à ordeira maioria da população de produzir, obter e dispor uns aos outros a riqueza econômica e cultural benéfica a todos provinda de suas específicas habilidades e necessidades. Só pela raiz se pode cortar os fatores que fazem a corda sempre arrochar no pescoço do povo, levando-o a reagir, a ponto de certas pessoas clamarem por uma intervenção militar como saída para o aperto. Não se tendo visto as Forças Armadas ultrapassando os limites de ação presidenciais e constitucionais para desfazer os bloqueios viários, sua resposta aos clamores baseados até em fictício artigo da Carta Magna embasador da medida excepcional propagado em informações manipuladas nas redes sociais haverá de se contentar com pedidos de sanção judicial ou penal contra os responsáveis por, de maneira similar a Temer, concentrar sobre o setor o dever de solucionar uma crise da qual este não é culpado. Por outro lado, seria ingênuo subestimar os riscos que uma tomada de poder pelos militares com certeza seguida de um nocaute nos limites de seu papel ocasionaria, em paralelo a uma suposta milagrosa retirada das presentes sujeiras do sistema governamental, a nosso desejo reconhecido como direito de nos opormos a desvios de conduta ou imprudências de quaisquer dos poderes que nos regem.

E quanto menos for necessário o esforço coletivo visando direcionar o foco dos mandatários de volta para os anseios que deverão ter guiado sua escolha democrática, menor vai ser a constância da escassez de bens e serviços de algum modo ligados aos ramos profissionais alvo dos boicotes cívicos temporários de expediente. Um bom meio de cultura isso é para uma radical polarização na influência sobre os movimentos de setores favoráveis à total manutenção dos trabalhos em ritmo menor ou nulo até suas queixas receberem a correta atenção e aqueles que após certo tempo querem retomar as tarefas face aos prejuízos que começarem a surgir para os grevistas, suas famílias e o país conforme a importância da atividade, como a recente crise demonstrou quando o caminhoneiro José Batistela morreu apedrejado aos 70 anos em Vilhena (RO) num contexto da eclosão do empenho de grupos extremistas para forçar o estrito prosseguimento da greve.

Ainda estando outubro para chegar, os dirigentes públicos sentiram em nível mais vívido os abalos provenientes de uma autêntica reação popular ao perfil das escolhas de uma parte deles. Mas está provado que só será gasta com proveito a longo prazo a energia da revolta através do sábio preparo para a ida às urnas.

 


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