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Sanesul: arrocho salarial e falta de transparência sobre investimentos previstos na PPP

Resumo técnico aponta pior resultado em 11 anos, arrocho salarial e falta de transparência sobre investimentos previstos na parceria com a iniciativa privada

O balanço mais recente da SANESUL acende um sinal de preocupação sobre a situação financeira da empresa e os rumos do saneamento em Mato Grosso do Sul. Dados consolidados do exercício de 2025 mostram queda significativa no lucro, crescimento acelerado da terceirização e aumento do peso da Parceria Público-Privada (PPP) do esgotamento sanitário sobre as receitas da estatal.

Entre os principais pontos, o lucro líquido da empresa foi de R$ 48,4 milhões — o pior resultado dos últimos 11 anos. Ao mesmo tempo, os gastos com serviços de terceiros cresceram 62,5% nos últimos quatro anos, enquanto as despesas com os empregados avançaram em ritmo muito inferior e chegaram a registrar redução no último período.

Para o presidente do Sindágua-MS, Lázaro Godoy, os números evidenciam um desequilíbrio estrutural que pode impactar diretamente a população e os trabalhadores. “Estamos vendo uma empresa que lucra menos, terceiriza mais e transfere uma parte significativa de sua receita para a PPP, sem que os investimentos previstos apareçam de forma clara. Isso levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo e sobre quem, de fato, está pagando essa conta”, explicou.

Segundo o levantamento, os gastos com serviços terceirizados passaram de R$ 170,3 milhões em 2022 para R$ 276,9 milhões em 2025, um aumento expressivo que, na avaliação do sindicato, compromete a rentabilidade e a liquidez da empresa, podendo abrir caminho para novos reajustes tarifários.

Em sentido oposto, as despesas com os trabalhadores cresceram apenas 19,86% no mesmo período e ainda sofreram redução no último ano. O dado é associado ao impacto do Plano de Cargos e Salários, que reduziu significativamente a progressão nas carreiras.

Um exemplo citado no levantamento mostra que um trabalhador que ingressa com salário de R$ 3.000,00 ao final de 35 anos de carreira, alcançaria R$ 5.110,00 quando este valor se mantivesse a o intervalo das faixas salariais seria de R$ 7.110,00 — uma perda de mais de 39%. Esse arrocho atingiu todos os cargos e funções, provocando o maior achatamento nas carreiras ao longo dos últimos 46 (quarenta e seis) anos.

Outro ponto que chama atenção é o volume de recursos destinados à PPP do esgotamento sanitário. Entre maio de 2021 e dezembro de 2025, a SANESUL pagou R$ 411 milhões à empresa subdelegatária responsável pelos serviços de esgotamento sanitário.

Apenas em 2025, os pagamentos chegaram a R$ 112,9 milhões, frente a uma receita de R$ 196,9 milhões nos serviços de esgotamento sanitário — o que representa 57,38% do faturamento de esgotos da empresa pública sendo direcionado à parceria privada. Isso sem a contrapartida de cumprimento dos investimentos previstos no edital da PPP — que já ultrapassariam R$ 700 milhões nesses 4 anos e 7 meses — não aparecem de forma clara nos balanços, nem da SANESUL nem da empresa que deveria ser responsável pela execução e cumprimento do contrato.

Para Lázaro, esse é um dos pontos mais críticos: “se os investimentos previstos não estão devidamente demonstrados, é preciso esclarecer onde estão esses recursos. A empresa pública não pode se transformar em mera arrecadadora e repassadora de valores sem transparência sobre a contrapartida em obras e melhorias para a população. Lembrando ainda que, os avanços das obras e da cobertura devem gerar melhorias na qualidade de vida e inclusive refletir em tarifas mais acessíveis aos usuários”.

Na avaliação do Sindágua-MS, os dados reforçam a necessidade de acompanhamento rigoroso da gestão da empresa e dos contratos firmados, especialmente diante do impacto direto que decisões financeiras e operacionais podem ter sobre tarifas, qualidade dos serviços e condições de trabalho.

O conjunto das informações aponta para um cenário em que a redução da margem financeira, o aumento da terceirização e a pressão da PPP sobre as receitas podem comprometer, no médio prazo, a capacidade da estatal de cumprir seu papel público, ainda ampliar o arrocho sobre o salário dos trabalhadores efetivos da estatal.

“Não temos dúvidas que ao ser disponibilizada a delação premiada a Câmara dos Deputados, assim como para as entidades sindicais que já requereram, muitos pontos obscuros dessas concessões e PPP’s em que a AEGEA foi vencedora, poderão ser esclarecidos, assim como, os motivos do não cumprimento dos Planos de Investimentos contratuais e editalícios”, afirma o presidente do Sindágua-MS. (Assessoria de Comunicação – Sindágua-MS)


RESUMO DO BALANÇO DA SANESUL 2025 DIVULGADO

1ª Observação – A empresa apresentou lucro líquido de apenas R$ 48, 4 milhões de reais. O pior resultado nos últimos 11 (onze) anos.

2ª Observação – Os serviços de terceiros Contratados cresceram em 62,5% nos últimos 4 anos. Em 2022 os valores dos serviços de terceiros contratados eram de R$170,366 milhões de reais. No ano de 2025 esse valor foi a R$276,998 milhões de reais. A terceirização dos serviços públicos de saneamento em conjunto com a PPP compromete a rentabilidade da estatal e a sua liquidez corrente o que poderá em curto espaço de tempo gerar NOVOS TARIFAÇOS, onerando os usuários dos serviços da SANESUL.

3ª Observação – As despesas com os empregados da SANESUL no mesmo período cresceram apenas 19,86%, com uma redução no último ano de R$2,629 milhões e reais. Essa redução demonstra claramente o achatamento salarial dos empregados causados pelo Plano de Cargos e Salários que resultou em redução na faixa de variação das carreiras em mais 30%. O PIOR ARROCHO NA HISTÓRIA DA SANESUL. Onde a variação entre a entrada na carreira e ao seu final a variação era de 137% e arrocharam para apenas 70%. Um exemplo: O Operador de Equipamentos inicia na base com R$3.000,00 e ao final de carreira (após 35 anos de trabalho) chegará a R$5.110,00. Sendo que deveria chegar a R$7.110,00, que representa uma perda a este trabalhador de 39,13%. Uma irresponsabilidade com o trabalhador INACEITÁVEL.

4ª Observação – No período de Maio/2021 a Dezembro de 2025 a SANESUL pagou a subdelegatária Ambiental MS Pantanal – PPP de esgotos o valor de R$411,038 milhões de reais. No entanto, os investimentos lançados em EDITAL que efetivamente foi utilizada para a apresentação de preços por metro cúbico de esgotos coletado, transportado e tratado não se encontra representada (obs. 5).

5ª Observação – Nos balanços da SANESUL e tampouco da PPP de esgotos estão lançados os Investimentos previstos no Edital de Concorrência que contratou a PPP que até a presenta data ultrapassariam os R$ 700 milhões de reais, ou mesmo investimentos que justifiquem ao recebimento de R$411,038 milhões de reais. Apenas no ano de 2025 foram pagos R$112,991 milhões frente a uma Receita dos serviços de esgotos de R$196,907 milhões. Isso representa 57,38% deste faturamento, transformando a estatal em mera arrecadadora e repassadora a sua subdelegatária dos serviços de esgotos.

Sanesul: arrocho salarial e falta de transparência sobre investimentos previstos na PPP
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