Governo MS

'O povo fronteiriço é ordeiro, gente da melhor qualidade' diz candidato do PT

26/09/2018 08h02

'O povo fronteiriço é ordeiro, gente da melhor qualidade' diz candidato do PT

 
 
Luciene, Tetila, Amaducci e Terezinha - Foto: Wender CarbonariLuciene, Tetila, Amaducci e Terezinha - Foto: Wender Carbonari

Em visita à Folha de Dourados na terça-feira (18), o candidato do PT ao Governo de Mato Grosso Sul, Humberto Amaducci, defendeu o povo fronteiriço "é feliz, hospitaleiro, sempre animado para tomar um tereré", contrapondo o negativo imaginário nacional por conta da violência gerada pelo crime organizado. "A maioria absoluta dos paraguaios e brasileiros que povoam cerca de 1,3 mil quilômetros da fronteira é ordeiro, gente da melhor qualidade", atesta o candidato que se auto-declara "Brasiguaio".

"Lá como em outras regiões é preciso de investimentos em cultura, educação, esporte e lazer para afastar a juventude da criminalidade", disse Amaducci, que pretende valorizar o servidor público, equipar as polícias, investir na inteligência, interagir com os países vizinhos e fazer gestões, com apoio da bancada federal, para que o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), cuja uma das bases operacionais fica em Dourados, seja concluído.

Na entrevista ele também afirmou que a principal experiência adquirida nos três mandatos à frente da Prefeitura de Mundo Novo é "a certeza de quem ouve o povo erra menos". "Vou respeitar a opinião do cidadão", diz.

"Geralmente quando investidas de poder as pessoas se julgam donas da verdade, e nós sabemos que não é assim. Somos seres humanos sujeitos a erros e acertos", disse o candidato que pretende implantar em MS o orçamento participativo, a fim de ouvir todos os segmentos da sociedade civil organizada.

Num eventual governo Amaducci, é o orçamento participativo quem vai nortear o planejamento, as prioridades e as obras estruturantes que serão realizadas. Ele lembrou o desperdiço de dinheiro público com o Aquário do Pantanal. "Não é uma obra prioritária e os recursos lá investidos poderiam ter sido utilizados na recuperação e proteção do meio ambiente", opinou.

Amaducci pretende, se vencer a sucessão estadual, travar debate perene com a sociedade, democratizando o orçamento público e levando para dentro do governo as demandas da sociedade.

Hoje oscilando entre 3% e 5% nas pesquisas eleitorais, ele acredita que sua candidatura será beneficiada pelo crescimento do candidato petista à Presidência da República, Fernando Haddad. Pelo menos 20% eleitorado sul-mato-grossense têm no PT o partido preferido.

De acordo com Amaducci, na medida em que a campanha fluir e seu nome tornar-se conhecido ele crescerá nas pesquisas. "Acredito que disputaremos e venceremos as eleições no segundo turno", afirma destacando a trajetória limpa e sem solavancos provocados pela corrupção nos 12 anos como prefeito.

Na vista ao Portal Folha de Dourados, Amaducci estava acompanhado da esposa Teresinha, da vice em sua chapa, a advogada e professora Luciene Maria da Silva e Silva, do primeiro suplente de senador, Laerte Tetila, e do candidato a deputado federal Vanderlei José da Silva. Luciene e Vanderlei são de Três Lagoas.

Amaducci, que está desse ontem (17) cumprindo agenda em Dourados, disse que "dá gosto caminhar com Tetila", na cidade. "As pessoas veem nele honestidade e competência". O candidato ao Governo MS lamentou a corrupção na vida pública, "em todos os poderes" e na iniciativa privada.

O petista pretende investir na agroecologia e assumir, de fato, a saúde pública para corrigir as distorções existentes, principalmente em Dourados. "O Estado vai assumir a Saúde", garantiu.

Veja a seguir, trechos da entrevista:

FOLHA DE DOURADOS - As pesquisas mostram que em Mato Grosso do Sul o Partido dos Trabalhadores está aquém do potencial da legenda. O senhor acha que a subida de Haddad nas pesquisas pode alavancar a sua candidatura nessa reta final de campanha?

AMADUCCI Eu não tenho dúvidas disso. Tenho certeza que a nossa militância e aqueles que têm simpatia pelo PT vem aos poucos acompanhando. Embora nossos nomes não sejam bem conhecidos, nossos projetos são de conhecimento das pessoas. Pela nossa experiência que tivemos em Mundo Novo e com o Tetila (ex-prefeito e suplente de Zeca do PT no Senado) na Prefeitura de Dourados nos anos 2000, não tenho dúvidas de que vamos crescer nessa reta final e disputar o segundo turno tanto para presidente do Brasil, quanto aqui em Mato Grosso do Sul. Nós inclusive vamos repetir o que fez o Zeca do PT em 1998.

FOLHA DE DOURADOS: Será que tem tempo ainda para isso?

A gente vem de uma caminhada que vem dando resultados.

FOLHA DE DOURADOS: O que o senhor tem a dizer sobre as denúncias recorrentes de corrupção contra líderes políticos de Mato Grosso do Sul?

É lamentável o que vem acontecendo. Eu inclusive já comentei isso em debate. Cria-se a sensação de que ninguém presta. Espera aí, eu fui prefeito em Mundo Novo por três mandatos e ando de cabeça erguida na cidade com meus familiares. A mesma coisa é a relação do Tetila com douradenses. Fizemos a mesma coisa com o Zeca no Governo do Estado e acertamos muito nas políticas implantadas em nível nacional. Mas o que é importante a gente dizer é que as pessoas que querem as coisas certas se envolvam com política. A vida de todos passa pela política. [...] Com relação ao governo, entendemos que falta transparência nas gestões e proximidade do secretariado com o povo. No nosso governo, secretário vai discutir política pública com a população. Vamos promover debates. Quando a gente ouve a gente erra menos, disso não temos dúvida.

FOLHA DE DOURADOS: Seu eventual governo irá compor o secretariado com participação popular. Como vai implantar isso?

Nós já temos a estrutura pronta. Temos a Assomasul onde estão os prefeitos reunidos, você tem vereadores que já possuem sua própria organização. Você tem os presidentes de associações, os conselhos etc. Mas, o Estado atualmente não chama as pessoas para dialogar. Vamos fazer conferências sobre os diversos assuntos pertinentes à nossa sociedade atual. Se existisse hoje isso evitaria obras como o Aquário do Pantanal.

FOLHA DE DOURADOS: O que o senhor tem a dizer a respeito a diferença de repasse de dinheiro público entre Dourados e outros centros em Mato Grosso do Sul?

No nosso Governo nós queremos tomar conta da saúde do Estado. Nossa proposta é ousada no sentido de garantir cem por cento de atendimento pelo Sistema Único de Saúde. Durante a minha gestão em Mundo Novo nós abrimos um hospital justamente por entender que Dourados não está dando conta de atender todos os municípios próximos.

FOLHA DE DOURADOS: O que você pensa sobre segurança pública, considerando o contexto de fronteira da nossa região?

O povo fronteiriço é feliz, hospitaleiro, sempre animado para tomar um tereré. Uma população da paz, tranquila. Mas as vezes, a gente escuta uns discursos de alguns candidatos que descrevem a fronteira com um problema constante, quando na verdade é uma região em que acontece integrações. É óbvio que falta investimento nos servidores da área de segurança pública, falta equipamento, falta estrutura de uma forma geral. O que falta também é investir em inteligência, já que a fronteira seca é muito extensa e impossível de ser monitorada completamente sem o uso da tecnologia. Para nós, mais importante ainda é investir em educação, em cultura e na geração de empregos.

FOLHA DE DOURADOS: Qual é a essência da sua possível gestão no governo de MS, tendo como referência a experiência como prefeito de Mundo Novo?

O que eu aprendi estando àfrente da cidade de Mundo Novo (por três mandatos) é a ouvir as pessoas. A partir do momento que você ouve os anseios das pessoas, você erra menos. Tem quem se elege, ocupa um cargo, e passa a achar que sabe tudo, que compreende tudo. Todos nós somos seres humanos e somos limitados. Precisamos muito uns dos outros. Precisamos unir forças e conversar com a sociedade de uma maneira geral.

 

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