Deda da Tapioca - Fotos: Ilson Boca Venâncio

Por Ilson Boca Venâncio –

A personagem da minha história oral de hoje nasceu em Jati, Ceará.

Francisca Juvita dos Santos, ou Deda da Tapioca.

Sua barraca na área de alimentação da Nossa Feira da Rua Cuiabá era uma da mais movimentadas, e também uma das maiores, aonde eu ia com amigos, local onde os artistas gostavam de parar para se apresentar.

Ela me disse que a princípio foi difícil, pois foi vender um produto que não era consumido por hábito local, era difícil.

Apesar das nossas raízes nordestinas e indígenas, para mim que viveu entre nordestinos e farinheira onde se comia muito biju. Mais a tapioca recheada tão gostosa, em vários sabores como o que Deda faz não havia.

Ela me contou que aprendeu a fazer Tapioca com seu saudoso sogro, um pernambucano de São José do Belmonte, José Sabino dos Santos.

O espaço na feira foi seu pai que já era feirante que lhe cedeu, foi aí que ela com o esposo Antonio José Sabino dos Santos assumiram o desafio de vender tapioca na feira.

Conta que no primeiro dia vendeu só uma tapioca, no segundo duas, mais não desanimou, tocou em frente, “ O bom de vender um bom produto, é que quem come uma vez fica freguês, ainda faz a propaganda, assim logo o seu negócio se assegurou!

A venda foi crescendo e logo foi necessário Deda ampliar a oferta de produtos para suprir a demanda do movimento da feira que era grande. “Só as minhas frigideiras não davam conta, de atender toda a freguesia, tinha o pastel, mas esse tomava muito tempo”. Foi aí que com a parceria do Nelson, que pilotava uma chapa assando deliciosos espetinhos, logo sua barraca se tornou uma das mais movimentadas.

Ela me diz que se sente feliz vendendo seus alimentos, porque tem a consciência de estar vendendo um bom produto que faz bem à saúde. Me disse que a partir do momento que as pessoas foram tomando consciência das vantagens de consumir a tapioca, a venda foi crescendo e ela ia inovando com a variedade de recheios, salgados e doces, conforme o agrado da freguesia.

Ela me conta que o espaço da feira ela herdou do pai Antonio José dos Santos, que foi feirante por vinte anos, e que ela já se encontrava ali há dezoito anos.

É mãe de três filhos, Maide, Mariane e Marcos Antonio, e avó de Gabriel, Miguel e Pedro. Com a mudança de local da feira – que com o novo espaço a nossa Feira Livre Municipal ganhou o nome de João da Câmara –  Deda continua na lida com a Tapioca.

Ela lembrou com saudades dos tempos da feira livre da rua Cuiabá. ”Desde que mudamos para esse novo espaço novo de feira, mesmo antes da pandemia, as vendas não atingiam além de trinta por cento das vendas de outrora”!

Conta que nas proximidades de sua barraca era local preferido dos artistas fazerem suas performances, lembra do florista Joel, com suas belas orquídeas. Deda diz que a presença dos artistas e ambulantes trazia alegria e arte para a feira dando prazer ao seu trabalho e distraindo a freguesia.

“Mais a gente não perde a fé e vai aprendendo e inovando sempre para melhor” me diz Deda.

Eu que passei bons momentos da minha vida de menino, a beira da chapa na farinheira preparando biju para comer com café, ainda mais com a tapioca tão bem recheada, feita pelas mãos de Deda, só posso ficar agradecido por nossa conversa que me permitiu escrever mais uma história da nossa feira livre. 

 

Comentários do Facebook