Redação –
Dois dos alvos presos durante a Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) na manhã desta terça-feira (7), em Campo Grande, são pai e filho. Eles são investigados por suposto envolvimento em um esquema de fraudes em compras públicas nas áreas da Saúde e da Educação, que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), pode ter causado prejuízo de aproximadamente R$ 27 milhões aos cofres públicos.
Os presos foram identificados como Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo. Além da investigação, ambos são conhecidos por atuar no ramo do entretenimento e do comércio de veículos de alto padrão na Capital.
De acordo com registros empresariais, Paulo Rogério de Melo figura como sócio-administrador da Atalaia Eventos e Produções Ltda., empresa responsável pelo estabelecimento conhecido como Lord Pub. Já Douglas Henrique de Melo se apresenta nas redes sociais como sócio de outra casa noturna bastante conhecida na cidade, o O Irlandês Pub.
Pai e filho também mantêm uma loja especializada na venda de veículos, incluindo modelos de luxo, localizada na Avenida Afonso Pena. Nas redes sociais, Douglas costumava divulgar carros de alto valor, como uma caminhonete Ram Rampage RT, além de motocicletas de alta cilindrada e outros veículos.
Conforme consulta ao sistema do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), Douglas tem audiência de custódia marcada para a manhã desta quarta-feira (8), no Fórum de Campo Grande. O nome de Paulo Rogério não constava na relação de audiências até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa dos investigados.
Operação Gutenberg
A Operação Gutenberg foi deflagrada pelo Gaeco com o objetivo de cumprir 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul e Goiás. As ações ocorreram em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Segundo o MPMS, a organização criminosa é suspeita de praticar crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados ao direcionamento de contratos públicos.
As investigações apontam que o grupo era estruturado em núcleos bem definidos e liderado por empresários responsáveis por articular o esquema. Conforme o Ministério Público, servidores públicos eram cooptados para favorecer contratações diretas, sem licitação, voltadas principalmente à aquisição de livros paradidáticos para a rede pública. Os recursos obtidos de forma ilícita teriam sido distribuídos entre diversas pessoas e empresas com o objetivo de ocultar sua origem.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e dimensionar o prejuízo causado aos cofres públicos.


