José Henrique Marques –
A conselheira da Colônia Paraguaia de Dourados, Joana Romero, tornou pública na tarde desta segunda-feira (13), nota condenando o ataque racista da senadora paraguaia, Celeste Amarilla ao atacante francês, Kylian Mbappé, depois da eliminação da seleção do Paraguai, pela França, nas oitavas da Copa do Mundo.
O documento circulou em aplicativos de mensagens da entidade douradense. “Em razão da repercussão internacional causada por declarações envolvendo uma parlamentar paraguaia dirigidas ao jogador Kylian Mbappé, manifesto meu total repúdio a qualquer manifestação de cunho racista ou discriminatório. Entendo que opiniões individuais não representam o povo paraguaio, tampouco a comunidade paraguaia residente no Brasil”, se posicionou Joana Romero.
A parlamentar fez post com ofensas racistas ao jogador, nas redes sociais, ao lamentar a derrota do Paraguai para a França no mata-mata da Copa do Mundo 2026.
“Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés”, afirmou a parlamentar. Em outra mensagem, Amarilla direcionou as ofensas à origem do camisa 10.
Mbappé é filho de pai camaronês e mãe argelina. “Um camaronês colonizado, fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio”, afirmou a senadora. No entanto, o atacante nasceu em Paris, na França.
Também pelas redes sociais, Mbappé respondeu: “Madame Celeste Amarilla, Você é uma mulher desprezível e indigna de sua função. Você não representa o Paraguai, esse país que transpirou paixão e honra ao longo de toda a competição”, respondeu Mbappé.
Leia a nota pública de Joana Romero:
Como Conselheira Fiscal da Associação da Colônia Paraguaia de Dourados venho a público reafirmar meu compromisso com a defesa da dignidade humana, da igualdade, do respeito entre os povos e do combate a toda forma de racismo, xenofobia e discriminação.
Em razão da repercussão internacional causada por declarações envolvendo uma parlamentar paraguaia dirigidas ao jogador Kylian Mbappé, manifesto meu total repúdio a qualquer manifestação de cunho racista ou discriminatório. Entendo que opiniões individuais não representam o povo paraguaio, tampouco a comunidade paraguaia
residente no Brasil.
O esporte é um instrumento de união entre os povos e deve promover valores como respeito, inclusão, fraternidade e convivência pacífica, jamais servindo de palco para discursos de ódio ou preconceito.
A comunidade paraguaia de Dourados tem uma longa história de contribuição para o desenvolvimento econômico, social e cultural da nossa cidade, de Mato Grosso do Sul e do Brasil, fortalecendo diariamente os laços de amizade, integração e respeito entre brasileiras (os) e paraguaias (os).
Reafirmo meu apoio aos princípios da Constituição Federal do Brasil, especialmente à dignidade da pessoa humana e à igualdade de todos perante a lei. Destaco ainda que o ordenamento jurídico brasileiro repudia e pune o racismo e a discriminação, conforme o artigo 5º da Constituição Federal, a Lei nº 7.716/1989, que define os crimes resultantes de
preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, e a Lei nº 14.532/2023, que fortaleceu o combate ao racismo ao equiparar a injúria racial ao crime de racismo.
Conclamo toda a sociedade a rejeitar qualquer forma de preconceito, promovendo o respeito às diferenças, a convivência democrática, a amizade entre os povos e o verdadeiro espírito esportivo.
Dourados (MS), 13 de julho de 2026.
Joana Romero
Conselheira Fiscal da Associação da Colônia Paraguaia de Dourados.





