Alfredo Barbara Neto, Alan Guedes e Ricardo Rotunno, os apontados pelas setas

Por Valfrido Silva, do blog Contraponto MS –

Dos recônditos da “bíblia” confuciana, no título, para – cerca de 600 anos depois – o Evangelho de Jesus Cristo, cuja máxima sobre a verdadeira caridade (Mateus 6;3) ensina que quando se dá esmola “não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita”. Esta, a melhor forma encontrada para ajudar o leitor e o eleitor a entenderem o porquê do embate de um grupo de insubordinados da imprensa com o prefeito Alan Guedes e seu preposto Alfredo Barbara Neto. Não pela foto em si, para registrar uma ação caritativa de um benemérito em favor do Hospital do Amor de Dourados, mas pelo espectro que envolve alguns de seus posudos personagens.

Logo após sua eleição, não me lembro se antes ou depois da posse, cliquei Alan Guedes e o promotor Ricardo Rotunno num encontro casual no saguão do Jaguaribe. O prefeito até ajeitou a gravata enquanto eu buscava um melhor enquadramento. Ao fundo, ironicamente, a recém-eleita vereadora Lia Nogueira. Uma premonição, certamente, mas apenas do encrenqueiro e insubordinado repórter, já que até ali o tão temido promotor não tinha, ainda, motivos para sair de fininho, por exemplo, com a desculpa de ir ao WC. Acontecesse o que acontecesse, era apenas uma foto jornalística.

Diferente, muito diferente, agora, da produção a que se sujeitaram os três personagens apontados na foto pelas setinhas amarelas. Setas camaleônicas, diga-se, já que poderão reaparecer em vermelho ou preto, a depender do desfecho que tenha as investigações da farra da publicidade em que são protagonistas, por enquanto, o prefeito Alan Guedes e seu guru Alfredo Barbara Neto, com o promotor Rotunno por enquanto dando uma de Pôncio Pilatos, mas, por força das circunstâncias, mais cedo ou mais tarde tendo que pôr a mão na massa, sob pena, de, por exemplo, ter retardada sua ascensão a uma Procuradoria no Ministério Público Estadual.

Que se dê ao promotor-xerife Ricardo Rotunno o álibi por sua condição de baluarte nas causas sociais. E, por ser uma foto em ambiente aberto, nem podendo ele usar a desculpa do WC. O que não é o caso de Alfredo Barbara, quase escapando ao enquadramento fotográfico, como que abichornado pela enrascada em que meteu seu discípulo Alan Guedes. De sua parte, pela condição de “burgomestre”, só o protocolo justifica a presença de Alan Guedes nesse tipo de registro, mesmo assim, bastante constrangedor para os anfitriões, por estar ele todo enlameado pela “farra da publicidade” que tocou na Câmara Municipal com o mesmo Barbara e pelos indícios de que a coisa continua no mesmo ritmo na prefeitura. Deveria, pois, ter um mínimo de desconfiômetro, até para evitar a pecha de fazer propaganda com chapéu alheio, como se já não bastasse a da propaganda enganosa, com a qual conseguiu estourar, antes da hora, sua cota de gastos com publicidade municipal para o trimestre.

Uma infelicidade, enfim, de quem produziu a malfadada foto, deslustrando um evento beneficente. Que ficasse, apenas, nos arquivos do Hospital do Amor ou cumprisse seu papel na contabilidade do publicano Waldemar Perez. Mas a coisa não tinha como não desandar a partir do momento em que os gênios da publicidade da prefeitura resolveram usar o material para o prefeito faturar politicamente. Menos mal, na semana em que o “mito” Bolsonaro pagou o maior mico da história pela certeza, também, da impunidade. Que o exemplo sirva não só a Alan Guedes, a quem já não basta apenas a panacéia do retorno do vice-governador Murilo Zauith para dar um rumo ao barco à deriva, mas a todo o seu séquito de iluminados.

Comentários do Facebook