Redação –
A família da paciente de 27 anos que denunciou ter sofrido abuso sexual dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul afirma viver um sentimento de revolta e traição. A tia da jovem revelou que conhecia o técnico de enfermagem apontado como suspeito e acreditava que ele seria um apoio durante a internação.
Em entrevista ao TopMídiaNews, a familiar contou que o profissional costumava recebê-la durante as visitas, dizia que cuidaria da paciente e transmitia confiança. Segundo ela, um dia antes do suposto crime, ele participou do banho da jovem no leito e, horas depois, voltou sozinho ao quarto durante a madrugada.
A paciente está internada desde 15 de junho por complicações de uma gravidez de alto risco. Ela permaneceu oito dias em coma, deu à luz no dia 30 de junho e segue em recuperação.
De acordo com informações, o abuso teria ocorrido por volta das 5h da manhã de sexta-feira (10). A jovem relatou que o técnico aplicou medicamentos e retornou ao leito pouco depois. Ela afirmou ter despertado quando o homem colocava o órgão genital em sua boca. Ao perceber que ela acordou, ele deixou o quarto.
“Ele me abraçava, dizia que ia cuidar dela, que eu podia contar com ele. No dia anterior ao abuso, ele participou do banho dela no leito. Depois, foi justamente ele quem voltou sozinho durante a madrugada.”
Muito emocionada, a familiar conta que criou a jovem desde a morte da mãe dela e que a considera uma filha. Segundo ela, a paciente está internada desde 15 de junho por complicações de uma gestação de alto risco, permaneceu oito dias em coma, deu à luz no dia 30 de junho e ainda se recupera das sequelas da internação.
Segundo a tia, a sobrinha comunicou imediatamente o ocorrido à equipe do hospital e foi informada de que a família seria avisada. No entanto, isso só aconteceu mais de 15 horas depois, quando a irmã da paciente assumiu o horário de acompanhante e recebeu o relato.
“Ninguém do hospital entrou em contato com a família. Ela estava sozinha na UTI, sem celular e sem condições de falar conosco. Só descobrimos o que aconteceu à noite, quando ela conseguiu contar para a irmã”, afirmou.
A familiar diz que a falta de informações aumentou o sofrimento da paciente, que permaneceu internada no mesmo hospital sem saber quais providências haviam sido adotadas.
“Ela ficou com medo de que ele voltasse. Teve crises de choro, não conseguia dormir nem comer. Em nenhum momento o hospital disse à família que ela estava protegida ou que o suspeito estava impedido de entrar.”
Ainda segundo a tia, a paciente enfrenta um momento delicado. Ela afirma que a jovem ainda não conseguiu conhecer o filho recém-nascido e está longe do outro filho, uma criança de 8 anos diagnosticada com autismo. “Ela dizia que queria ir embora, que queria ver os filhos e que não queria morrer sem vê-los.”
A família também critica a estrutura do Hospital Regional e cobra esclarecimentos sobre os protocolos de segurança adotados na UTI. Segundo a tia, é necessário apurar se havia número suficiente de profissionais durante o plantão e por que o técnico estava sozinho no momento do atendimento.
Apesar das críticas, ela ressalta que não responsabiliza todos os servidores da unidade. “Os trabalhadores se esforçam muito para atender os pacientes. O problema é a falta de estrutura e de investimento. O Estado precisa garantir segurança para quem está internado.”
O caso é investigado pela Polícia Civil. A paciente obteve medida protetiva contra o suspeito.
Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) foi questionada sobre o afastamento do técnico de enfermagem, a abertura de investigação administrativa, os protocolos de segurança da unidade e os motivos pelos quais a família não foi comunicada imediatamente após a denúncia. Até a última atualização desta reportagem, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.




