Desde 1968 - Ano 56

29.9 C
Dourados

Desde 1968 - Ano 58

InícioPolítica‘O volume de trabalho me diferencia’, afirma Geraldo Resende ao FolhaCast

‘O volume de trabalho me diferencia’, afirma Geraldo Resende ao FolhaCast

Juliel Batista –

Pré-candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, o deputado federal Geraldo Resende (União Brasil) afirmou, em entrevista ao FolhaCast, que pretende disputar mais um mandato para concluir projetos em andamento e consolidar ações voltadas principalmente à saúde, assistência social e educação.

Aos 71 anos e no sexto mandato consecutivo, o parlamentar revelou que já pensou em deixar a vida pública, mas disse que continua motivado pelos resultados que vê nos municípios de Mato Grosso do Sul. “Eu fico todo dia me perguntando o que eu posso fazer hoje para mudar a vida dos meus cidadãos, dos meus conterrâneos, da minha cidade e do meu Estado. É isso que eu faço diariamente”, declarou.

Durante a entrevista, Geraldo destacou obras e investimentos que considera marcos de sua trajetória política. Entre elas, a destinação de recursos para a construção de clínicas especializadas no atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista, centros de reabilitação, instituições de longa permanência para idosos e creches em aldeias indígenas. Segundo ele, uma das maiores satisfações do mandato é acompanhar a concretização dessas iniciativas. “Onde eu passo, eu posso ver que estou tocando e mudando para melhor a vida das pessoas”, afirmou.

“Onde eu passo, eu posso ver que estou tocando e mudando para melhor a vida das pessoas”, afirmou.

O parlamentar também citou a criação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) como uma das conquistas mais importantes de sua carreira. Além da universidade, ressaltou a implantação de moradias estudantis destinadas a jovens de baixa renda, indígenas e estudantes vindos de outros municípios. Ao lembrar sua própria trajetória como estudante universitário, destacou a importância dessas estruturas para garantir acesso ao ensino superior. “Eu só pude fazer Medicina porque morei em uma residência estudantil. Eu sei como isso muda a vida das pessoas”, disse.

Na conversa, Geraldo confirmou que pretende disputar a reeleição em 2026, mas revelou que este deverá ser seu último mandato como deputado federal. Ele afirmou estar preparando a sua filha Bárbara Resende para dar continuidade ao trabalho político desenvolvido ao longo de mais de três décadas de vida pública. “Quero que esse seja o meu último mandato e estou trabalhando a candidatura da minha filha para que ela possa me suceder e eu possa descansar nessa etapa da minha vida”, declarou.

“Quero que esse seja o meu último mandato e estou trabalhando a candidatura da minha filha para que ela possa me suceder e eu possa descansar nessa etapa da minha vida”

Ao analisar o cenário político atual, o deputado criticou a polarização ideológica no país e voltou a defender uma atuação política focada em resultados concretos para a população. “A política se transformou em uma forma de lacração. Eu não fico buscando isso. Trabalho para resolver problemas e melhorar a vida das pessoas”, afirmou. Segundo ele, sua principal marca continua sendo o trabalho voltado às áreas sociais, especialmente na defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), da vacinação e das políticas públicas para as populações mais vulneráveis.

“A política se transformou em uma forma de lacração. Eu não fico buscando isso. Trabalho para resolver problemas e melhorar a vida das pessoas”

Assista a entrevista completa gravada no Studio Nexus 5.0: 

‘O volume de trabalho me diferencia’, afirma Geraldo Resende ao FolhaCast

A seguir, a entrevista:

Deputado, para quem ainda não conhece sua trajetória, quem é Geraldo Resende?

Sou alguém que venceu muitos desafios na vida. Nasci em Minas Gerais, mas minha família veio para Dourados em busca de oportunidades. Cresci no Jardim Santo André, em uma família humilde, com 12 irmãos. Trabalhei como engraxate, vendedor de frutas, picolezeiro e gráfico. Sonhava em ser médico e consegui realizar esse sonho. Me formei em Medicina, me especializei em ginecologia e obstetrícia e atendi milhares de mulheres da região. Depois entrei para a política, fui vereador, deputado estadual, secretário de Saúde e estou no sexto mandato como deputado federal.

O senhor também teve papel de destaque durante a pandemia da Covid-19 como secretário estadual de Saúde. Como avalia aquele período?

Foi um dos maiores desafios da minha vida. A Covid-19 atingiu o mundo inteiro, mas conseguimos, junto com o Governo do Estado, os municípios e os profissionais da saúde, construir uma resposta eficiente. Mato Grosso do Sul se tornou referência nacional no enfrentamento da pandemia, e isso é motivo de muito orgulho.

“A Covid-19 atingiu o mundo inteiro, mas conseguimos, junto com o Governo do Estado, os municípios e os profissionais da saúde, construir uma resposta eficiente”

O que despertou seu interesse pela Medicina?

Curiosamente, foi observando os consultórios médicos quando eu trabalhava vendendo picolés, frutas e outros produtos. Via a importância daqueles profissionais para a comunidade. Mesmo vindo de uma família muito pobre, nunca abandonei o sonho de estudar Medicina.

E como surgiu o interesse pela política?

Minha participação começou no movimento estudantil, durante o período da ditadura militar. Lutávamos pela democracia e pela redemocratização do país. Na universidade percebi que, como médico, eu podia ajudar pessoas individualmente. Já na política, era possível transformar a vida de milhares de pessoas ao mesmo tempo. Foi essa compreensão que me levou à vida pública.

Qual foi sua primeira disputa eleitoral?

Fui para vereador de Dourados. Disputei a eleição em 1992 e fui eleito. Depois fui reeleito em 1996, eleito deputado estadual em 1998 e deputado federal em 2002. Desde então, estou na Câmara Federal.

O senhor acumula mais de três décadas de vida pública. Qual o principal aprendizado desse período?

Aprendi que um político só consegue mudar a realidade quando se coloca no lugar das pessoas. É preciso entender as necessidades de quem precisa de atendimento médico, de uma vaga em creche, de assistência social, de emprego, de acesso à universidade ou de infraestrutura. A política exige empatia.

O senhor é conhecido por uma atuação muito intensa. De onde vem essa disposição?

Vem da convicção de que a política pode melhorar a vida das pessoas. Tenho 71 anos, mas continuo trabalhando intensamente porque vejo resultados concretos. Quando participo da criação de uma universidade, da construção de hospitais ou da entrega de equipamentos para os municípios, sinto que vale a pena.

‘O volume de trabalho me diferencia’, afirma Geraldo Resende ao FolhaCast

O senhor costuma citar obras e investimentos espalhados pelo Estado. O que mais lhe dá satisfação?

Ver os resultados. A criação da UFGD, por exemplo, mudou a vida de milhares de estudantes. Também me orgulho de contribuir para a ampliação de hospitais, construção de unidades de saúde e melhorias na infraestrutura da saúde pública. Quando vejo essas obras funcionando, percebo que o esforço teve sentido.

A saúde é sua principal bandeira política?

Sem dúvida é uma das principais. Sou médico e participei dos debates que ajudaram a construir o Sistema Único de Saúde. Tenho um compromisso muito forte com a saúde pública. Muitas pessoas me chamam de “deputado da saúde” ou “doutor vacina”, e isso me honra muito.

“Muitas pessoas me chamam de “deputado da saúde” ou “doutor vacina”, e isso me honra muito”

Mesmo com esse foco, o senhor também atua em outras áreas?

Sim. A saúde é prioridade, mas também trabalho por educação, assistência social e geração de oportunidades. Um exemplo são os cursos de formação para cuidadores de idosos que estamos levando para comunidades indígenas, assentamentos e universidades. São iniciativas que geram emprego e renda.

O senhor citou ações voltadas às comunidades indígenas. Quais projetos estão em andamento?

Estamos trabalhando na construção de duas unidades de saúde nas aldeias de Dourados e também de duas creches que atenderão cerca de 600 crianças. Acredito que investir na infância é investir no futuro. Queremos criar oportunidades para que essas crianças possam se tornar médicos, professores, jornalistas, advogados ou o que desejarem ser.

O senhor é pré-candidato à reeleição. O que o motiva a disputar mais um mandato?

A vontade de continuar trabalhando. Ainda há muitos projetos em andamento e muitos desafios a enfrentar. Tenho experiência, disposição e acredito que posso continuar contribuindo para melhorar a vida das pessoas em Dourados, em Mato Grosso do Sul e no Brasil.

Deputado, entre as emendas parlamentares destinadas nos últimos anos, existe alguma que o senhor considera mais especial?

São várias, mas algumas me emocionam muito. Recentemente entreguei uma emenda de R$ 1,99 milhão para a construção de uma clínica para autistas em Itaporã. Foi um momento marcante porque havia um compromisso assumido com a cidade. Ver esse sonho saindo do papel é algo que me deixa extremamente feliz.

O senhor também citou investimentos voltados às pessoas com deficiência. Quais projetos destacaria?

Um deles é o Hospital da Criança e do Adolescente com Deficiência, em Campo Grande. Será uma unidade voltada para atender crianças com autismo, síndrome de Down, fissura labiopalatina, deficiência auditiva e outras condições. É uma obra que considero transformadora para Mato Grosso do Sul.

O senhor costuma falar da importância do terceiro setor. Qual é o papel dessas entidades?

Tenho uma relação muito próxima com instituições que atendem pessoas com deficiência, idosos, indígenas e populações vulneráveis. Onde passo, vejo que os recursos destinados ajudam a melhorar a vida dessas pessoas. Isso faz toda a diferença para mim.

Há algum projeto em Dourados que lhe traz orgulho especial?

Sim. A clínica de atendimento a autistas construída em parceria com a Associação de Familiares dos Autistas é uma referência estadual. O projeto começou há muitos anos, quando algumas famílias me procuraram com esse sonho. Hoje é um exemplo para Mato Grosso do Sul.

O senhor também tem investido em estruturas para idosos?

Sim. Em Maracaju, estamos construindo uma instituição de longa permanência para idosos que considero uma das mais modernas do Estado. É uma parceria entre município, governo estadual e nosso mandato.

Quais outras ações o senhor destaca na área social?

Tenho muito orgulho das seis creches indígenas que conseguimos viabilizar em Mato Grosso do Sul. São unidades em Dourados, Paranhos, Caarapó e Aquidauana. Acredito que a educação é o principal instrumento de transformação social.

O senhor também cita frequentemente a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Por quê?

Porque considero uma das maiores conquistas da minha trajetória. Além da universidade, ajudamos a construir a residência estudantil que atende alunos indígenas, negros e de baixa renda. Eu próprio só consegui cursar Medicina graças a uma moradia estudantil. Sei o quanto isso muda vidas.

UFGD: “Além da universidade, ajudamos a construir a residência estudantil que atende alunos indígenas, negros e de baixa renda”

O senhor está no sexto mandato e é pré-candidato à reeleição. Em algum momento pensou em parar?

Sim. Eu já havia planejado que este seria meu último mandato. São muitos anos de dedicação integral à vida pública. Existe também a cobrança da família, porque a rotina é intensa. Mas continuo motivado para concluir projetos importantes e colocar minha experiência a serviço da população.

Como a família encara essa rotina?

Procuro conciliar da melhor forma possível. Dedico o tempo que tenho à minha esposa e aos meus filhos. Tenho muito orgulho da minha filha Bárbara, que está na política e vem construindo sua própria trajetória.

A Bárbara Resende pode ser sua sucessora política?

Ela está trabalhando muito, gosta da política e acredito que reúne condições para dar continuidade a esse trabalho. Minha intenção é concluir mais um mandato e preparar essa transição.

O senhor pretende disputar algum cargo do Executivo novamente?

Não. Já disputei a Prefeitura de Dourados e respeito plenamente o resultado das urnas. Sou um democrata e não tenho mais o desejo de disputar cargos majoritários. Minha meta é continuar contribuindo no Legislativo.

Como o senhor avalia a atual administração de Dourados?

Tenho procurado ajudar o município por meio de emendas e recursos federais. Espero que a atual gestão consiga apresentar resultados melhores do que a anterior. Minha preocupação é que a política não se transforme apenas em exposição midiática. A população precisa de respostas concretas em áreas como saúde, educação e infraestrutura.

“Tenho procurado ajudar Dourados por meio de emendas e recursos federais. Espero que a atual gestão consiga apresentar resultados melhores do que a anterior”

E a avaliação do governo estadual?

O governo de Eduardo Riedel apresenta indicadores positivos e o Estado vive um momento importante de crescimento. Mas acredito que ainda é necessário ampliar as políticas públicas voltadas às populações mais vulneráveis, especialmente indígenas e ribeirinhos.

Como o senhor vê o cenário político nacional?

Vejo com preocupação essa polarização entre a esquerda mais radical e a extrema-direita. Sou um político de centro, com forte compromisso social. Acredito que o país precisa encontrar caminhos de diálogo e equilíbrio para evitar divisões cada vez maiores.

O que motivou sua saída do PSDB para o União Brasil?

Foi uma decisão baseada na viabilidade eleitoral. O cenário dentro do PSDB mudou e eu precisava estar em uma legenda que permitisse construir uma candidatura competitiva. No União Brasil encontrei espaço para manter minhas convicções e minha independência política.

“O cenário dentro do PSDB mudou e eu precisava estar em uma legenda que permitisse construir uma candidatura competitiva”

Quais pautas o senhor considera inegociáveis?

A defesa do SUS, da vacinação, da saúde pública, da assistência social e das políticas voltadas para os mais vulneráveis. Essas são bandeiras que fazem parte da minha história e das quais não pretendo abrir mão.

O que diferencia sua pré-candidatura das demais?

O trabalho realizado. Minha trajetória é marcada por compromissos assumidos e entregues. Acredito que as pessoas avaliam resultados concretos e isso tem sido demonstrado em todas as cidades por onde passo.

Qual é a principal mensagem que o senhor deixa ao eleitor?

Que vote de forma consciente. É importante analisar a história, o trabalho e os compromissos de cada candidato. O voto deve ser construído pensando na melhoria da qualidade de vida das famílias e das comunidades. Esse sempre foi o norte da minha atuação política.

‘O volume de trabalho me diferencia’, afirma Geraldo Resende ao FolhaCast
- Publicidade -

MAIS LIDAS