Enquanto a tradicional indústria brasileira perde competitividade frente aos produtos importados, especialmente os chineses, muitas novas indústrias estão surgindo no país graças à ousadia de grandes e bons empreendedores.

Novas fábricas são instaladas em áreas onde os brasileiros são imbatíveis, como na produção de alimentos, por exemplo.

O mundo inteiro está de olho nos quase 200 milhões de consumidores brasileiros. É o maior mercado da América Latina. Aqui continua crescendo também o número de compradores de produtos de alta qualidade. Chile e Argentina se esbaldam vendendo seus vinhos e seus pescados porque ainda não temos tecnologia para competir com eles.

Todavia na industrialização de alimentos tradicionais e de consumo diário, os empresários brasileiros dominam o mercado interno e ainda exportam para inúmeros países.
Com as carnes, por exemplo, tanto de aves quanto carne bovina, assim como a suína, o país continua firme disputando a liderança como maior exportador mundial. Além, é claro, do abastecimento interno praticamente todo ele nas mãos de frigoríficos brasileiros.

O Brasil importa muito pouco para atender o consumo de alimentos. O gosto do consumidor brasileiro é que impõe isso. E gosto é coisa difícil, não somente para entender, mas para copiar. Até mesmo os italianos não se atrevem fabricar e nos vender uma pizza melhor da que se come na cidade de São Paulo. Brasileiros, descendentes de italianos, óbvio, acabaram copiando as originais e melhorando-as ao nosso gosto.
Nem se atreva dizer a um gaúcho que existe lá fora uma carne assada melhor que o churrasco que se faz no Rio Grande do Sul.

E quem se atreveria a copiar os quitutes da Bahia? Seria difícil fazê-los tão bons; mais difícil ainda fabricá-los com o mesmo tempero baiano.

Hoje, nesse mundo globalizado, nem todos pensam assim e apostam na mudança de hábitos. Bons empreendedores sabem que fabricar comida sempre foi e sempre será um bom negócio. E se o produto produzido for saboroso e de boa qualidade terá, então, cada dia mais consumidores aqui mesmo neste país de hábitos enraizados.

De olho nesse imenso mercado consumidor brasileiro uma empresa francesa, Limagrain, decidiu se associar a uma empresa brasileira, Grupo Guerra, de Pato Branco, estado do Paraná, para juntos fabricarem no Brasil o que hoje ela produz em cinco continentes.

Com a marca Jacquet que produz, desde 1885, os melhores sabores de pães e bolos na França, todos sem corantes e sem conservantes, a nova empresa franco-brasileira foi inaugurada na semana passada na cidade de Guarapuava, estado do Paraná.

Os mesmos produtos, pães, bolos, biscoitos e doces fabricados e consumidos em cinco continentes há mais de cem anos passam a ser produzidos no Brasil a partir de agora.

Questionado, o presidente do grupo francês Limagrain justificou a fabricação no Brasil dos produtos Jacquet como sendo uma aposta já vencedora somente com o número atual de brasileiros que apreciam produtos de alta qualidade. E prevê um aumento constante dessa classe de consumidores brasileiros; para atendê-los, sua empresa e o Grupo Guerra, irão implantar mais fábricas como essa do Paraná para atender a futura demanda.

E a crise? Enquanto houver empreendedores ousados e competentes como Eike Batista e Ricardo Guerra o Brasil nunca estará em crise.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

Por: Folha de Dourados

Waldir Guerra  - Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

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