Redação –
As investigações da Operação Gutenberg apontam que a organização criminosa suspeita de fraudar licitações em Mato Grosso do Sul possuía uma estrutura hierarquizada, com funções bem definidas, participação de núcleos familiares e atuação de servidores públicos em diferentes áreas da administração estadual e municipal.
Deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a operação apura um esquema que pode ter desviado cerca de R$ 27 milhões por meio de fraudes em contratações públicas nas áreas da Saúde e da Educação.
Entre os investigados está Ed Carlo Burgatt, coordenador da regulação hospitalar de Mato Grosso do Sul. Segundo as apurações, há suspeitas de que municípios sofriam pressão para aderir a compras públicas sem licitação realizadas por empresas ligadas ao grupo. Caso contrário, poderiam enfrentar dificuldades na obtenção de vagas para pacientes na regulação hospitalar. A suspeita faz parte da linha de investigação do Gaeco e ainda será apurada no decorrer do processo.
Outro preso na operação foi o advogado Gabriel Taquino de Paula, especialista em licitações. Conforme as investigações, ele integrava um conselho responsável por emitir pareceres sobre processos de compras públicas de 14 municípios sul-mato-grossenses. Para o Ministério Público, a participação de agentes públicos teria facilitado o direcionamento de contratações em benefício da organização.
Ainda de acordo com o Gaeco, o dinheiro obtido com as supostas fraudes era distribuído entre diferentes pessoas e empresas para dificultar o rastreamento da origem dos recursos. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidas quantias em dinheiro e armamentos em endereços ligados aos investigados.
Núcleos familiares
As investigações também identificaram a participação de diversos integrantes da mesma família no suposto esquema.
Entre eles estão a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e seus filhos, a médica e empresária Olívia Paroschi Jafar e o empresário Felipe Paroschi Jafar. A família é proprietária da Editora Alvorada, antiga Gráfica Alvorada, empresa que já havia sido investigada anteriormente por contratos públicos para fornecimento de livros.
Outro núcleo familiar é formado por Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, pai e filho, presos durante a operação. Conforme as investigações, ambos são empresários em Campo Grande e atuam nos setores de entretenimento e comércio de veículos. A participação específica de cada um no suposto esquema permanece sob sigilo.
Também foram presos Ed Carlo Burgatt e sua filha, Jéssyca Burgatt, apontados como integrantes de um dos principais núcleos da organização investigada.
Operação Gutenberg
A Operação Gutenberg foi deflagrada na terça-feira (7) para cumprir 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além de cidades nos estados de São Paulo e Goiás.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo é investigado pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados a fraudes em contratações públicas.
As investigações apontam que empresários lideravam a organização e cooptavam servidores públicos para direcionar compras sem licitação, principalmente de livros paradidáticos. O dinheiro obtido com o esquema, segundo o MPMS, era pulverizado para ocultar sua origem.
As investigações seguem em andamento para esclarecer a participação de cada investigado e o alcance do suposto esquema criminoso.


