Após mais de um ano do crime que chocou Mato Grosso do Sul, João Augusto Borges de Almeida foi condenado a 67 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato da companheira, Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e da filha do casal, Sophie Eugênia Borges de Medeiros, de apenas 10 meses, em Campo Grande.
A sentença foi proferida nesta quarta-feira (27) pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, após decisão do Conselho de Sentença que reconheceu a prática de dois feminicídios qualificados e dois crimes de ocultação de cadáver. Segundo o site TopMídiaNews.
Na decisão, o magistrado destacou que João agiu com “extrema frieza”, premeditou os assassinatos e tentou simular preocupação após os crimes ao divulgar nas redes sociais o desaparecimento das vítimas e procurar a polícia para registrar boletim de ocorrência.
Segundo a sentença, João foi condenado pelo feminicídio de Vanessa com as qualificadoras de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O juiz considerou que ele utilizou um golpe conhecido como “mata-leão” para asfixiá-la dentro da residência do casal.
No caso da bebê Sophie, a Justiça entendeu que o réu se aproveitou da impossibilidade de defesa da criança, que tinha apenas 10 meses, além de também utilizar meio cruel na execução.
A sentença ainda reconheceu que Vanessa foi morta na presença física da própria filha, circunstância considerada agravante.
O que pesou na condenação
Durante a dosimetria da pena, o juiz afirmou que João já comentava anteriormente sobre o desejo de matar Vanessa e chegou a relatar o plano para colegas de trabalho. A decisão aponta que ele calculou as ações “com extrema frieza”.
O magistrado também citou como agravante o fato de o acusado ter ido trabalhar normalmente após os assassinatos, além de tentar criar uma falsa narrativa de desaparecimento para ocultar a autoria dos crimes.
Em relação à bebê Sophie, o juiz destacou que João matou a filha porque “não desejava continuar com suas responsabilidades paternais”.
Para os crimes de ocultação de cadáver, a Justiça considerou que houve planejamento prévio. Conforme a sentença, testemunhas relataram que João já havia comentado sobre a intenção de incendiar os corpos após os assassinatos.
O documento também aponta que a destruição dos corpos impediu que familiares realizassem um último contato visual para despedida das vítimas, fator considerado pelo magistrado para elevar a pena.
Diante dos agravantes, João Augusto foi condenado a 31 anos e 3 meses pelo feminicídio de Vanessa; 31 anos e 3 meses pelo feminicídio de Sophie; e 5 anos pelos dois crimes de ocultação de cadáver.
Somadas, as penas chegaram a 67 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. Os crimes foram classificados como hediondos. Apesar da condenação, o juiz reconheceu a atenuante da confissão, reduzindo parte da pena em 1/6.
A sentença ainda determina o cumprimento imediato da pena e mantém João preso.
Relembre o caso
De acordo com as investigações, Vanessa foi morta dentro da casa onde vivia com João Augusto, em maio de 2025. Em seguida, ele matou a filha do casal, Sophie, por esganadura.
Após os assassinatos, João colocou os corpos no porta-malas do carro, comprou gasolina e seguiu até uma área afastada da região do Nova Campo Grande, onde incendiou os cadáveres.
Os corpos carbonizados foram encontrados na noite de 26 de maio de 2025 em um terreno na Rua Desembargador Ernesto Borges. Um detalhe que chamou atenção da perícia foi o fato de Sophie permanecer sobre o corpo da mãe mesmo após a carbonização.
João foi preso enquanto tentava registrar um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento de Vanessa e da filha. Segundo a polícia, durante a investigação ele confessou os crimes e afirmou que havia “se livrado de um problema” e que “dormiu melhor” após os assassinatos.





