Marido de professora morta a facadas em Ponta Porã nega ser o mandante do crime
Polícia – 07/10/2009
Em entrevista à reportagem do Jornal Regional, de Ponta Porã, na tarde de terça-feira (6), no escritório de seus advogados, o engenheiro agrônomo Elói Brussamarello negou qualquer envolvimento no assassinato da própria esposa, professora e artista plástica Gicela Maria Van Gyssel Muller. Negou também que estivessem em processo de separação e revelou um caso de infidelidade, um filho de três anos de idade, com outra mulher. Gicela Maria sabia da criança, ficou muito contrariada, mas acabou aceitando o fato, afirmou.
Elói foi apontado como mandante do crime pelo assassino confesso, Paulo Ramos Corrêa, 22 anos, preso na quinta-feira da semana passada em Pedro Juan Caballero como foragido da Justiça (saiu da prisão em agosto para comemorar o Dia dos Pais e não voltou mais) e, então, preso formalmente como autor do homicídio que abalou a cidade. A Polícia Civil já tinha indícios que o ligavam ao crime.
No depoimento colhido na noite da segunda-feira, Paulo Ramos Corrêa confessou ao delegado Clemir Vieira Júnior ser o autor da morte da professora, e disse ter sido contratado por um homem branco, cujas características batem com Elói. O assassino disse que foi orientado por Elói sobre os passos da mulher no dia do crime. Pelo telefone celular, Elói teria informado ao bandido onde a vítima estava, até o seqüestro na saída da agência dos Correios, depois a morte brutal, por estrangulamento e a golpes de faca na cabeça, em um terreno baldio de Pedro Juan Caballero.
A quebra do sigilo telefônico é fundamental para provar que o assassino falava a verdade. O crime aconteceu no dia 12 de agosto. Paulo Ramos diz que conversou com Elói, pelo celular, momentos antes de seqüestrar a professora, por volta das 12h30.
O delegado Clemir Vieira Júnior pediu a prisão preventiva do engenheiro, hoje. A Justiça deve se pronunciar até o fim da tarde sobre o pedido.
Inocente
Elói reitera inocência e diz que estão tentando incriminá-lo para apresentar uma resposta à sociedade, que exigiu a solução do caso. “Minha esposa era uma pessoa muito bem relacionada, conhecida por todos. Éramos um casal que escolhíamos as pessoas com quem convivíamos. Tínhamos uma vida social simples”, afirmou Elói, em entrevista ao Jornal Regional. O engenheiro disse que desde o assassinato da esposa vem pedindo solução para o caso e esclarecimento por parte das autoridades brasileiras e paraguaias.
“Muita coisa tem sido divulgada, tudo inverdade, sobre uma situação muito triste em um momento difícil para mim e meus filhos”, disse. Gicela Maria e Elói Brusamarello eram casados havia 23 anos, “em um convívio matrimonial tranquilo”, definiu. Tiveram dois filhos, mas Elói tem outra criança, de dois anos, fruto de uma relação extra-conjugal.
A descoberta da traição abalou o casamento, admitiu Elói. “Em um primeiro momento, esse fato abalou nosso relacionamento conjugal, mas no entanto, aos poucos Gicela foi entendendo. Ela era mulher fantástica, uma professora exemplar e entendeu que o filho deveria receber minha atenção enquanto pai. Ela entendeu, tanto que em um Natal ela comprou presentes para toda a família. No dia 25 de dezembro, após distribuir presentes para todos, por último ela me deu um pacote dizendo que o presente era para meu filho”, contou.
“Sempre conversamos muito sobre esse meu filho fora do casamento. Ela, inclusive, demonstrava preocupação com o futuro dele. Sempre me perguntava quais seriam os valores dele na vida e eu respondia que fazia meu papel de pai, mostrando os valores da vida e que dependeria somente dele caminhar pelo lado bom da vida.”
Elói tratou de desfazer o que chamou de “outra maldade”, boato surgido logo após o crime dando conta de que uma amante sua estaria envolvida. “Quando minha esposa morreu, tínhamos um convívio pacífico, muito bom. Chegou a ser especulado, inclusive, pela imprensa, de que minha suposta amante teria tido envolvimento e seria a mandante do crime. Gente, isso nunca existiu, não passa de uma fantasia que está prejudicando não somente minha vida, mas de toda minha família, dos meus filhos, dos nossos amigos mais próximos”, enfatizou.
Outra suposição para a morte de Gicela seria as dívidas acumuladas por Elói e o fato de ela ter muitas posses, seguro de vida e serem casados em separação de bens. “Isso é uma inverdade, uma injustiça contra um homem que sempre trabalhou de forma honesta. Sobre dinheiro, nunca tivemos dificuldade em entrarmos em entendimento, quanto a finanças. Desde nosso casamento, em 1986, cada um administrava o seu dinheiro. Quando um precisava, o outro ajudava.”
O regime de casamento com Gicela era de regime parcial de bens, o que não lhe daria direito a herança, explicou o agrônomo.
Por fim, Elói tratou de desqualificar as declarações do assassino confesso. “Esse rapaz, pelo que sei, é um elemento que já tem antecedentes. Agora, veja bem: não seria mais fácil, então, eu dizer para alguém o trajeto da Gicela à noite, depois que saía da escola, por volta de dez e meia, onze horas da noite, para cometer um crime? Morávamos em bairro afastado e seria mais fácil do que seguir seus passos durante o dia”.
“Ninguém em sã consciência pode imaginar alguém contratando um bandido para matar a esposa e ficar monitorando pelo celular seus passos”, disse ele.
O assassino confesso também reclama não ter recebido os US$ 7 mil ajustados pelo crime. Elói considerou “estranho” o fato. “Todo trabalhador honesto termina o mês e quer receber, e esse Paulo espera dois meses sem reclamar o pagamento? Parece que há uma inversão de valores: eu, com quase 25 anos de fronteira, nunca usei uma arma, nunca tive inimigos, nunca precisei me esconder, no entanto estou sendo rotulado como bandido e sem credibilidade no que eu sempre falei, falo e continuarei falando, pois é a mais pura verdade. Enquanto um sujeito chega e comete um crime, confessa esse crime, tem antecedentes criminais e aquilo que ele fala tem toda credibilidade. Pensem na injustiça que está sendo feita”, apela.
Ele disse que está à disposição da Justiça e da Polícia para esclarecer o crime e entende que a sociedade exige uma resposta “verdadeira” sobre a morte de Gicela Maria. “Só espero que não seja um bode expiatório para um caso que a sociedade espera seu esclarecimento. Desde a morte da minha esposa tenho sido injustiçado com inverdades, boatos maldosos e agora vem um bandido me apontar como suposto mandante.”
Fonte: Midiamax



