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Lideranças indígenas discutem apoio à Funai em Dourados

Cidade – 28/05/2008

Lideranças indígenas de 38 aldeias e 18 acampamentos da região sul do Estado se reuniram hoje em Dourados para discutir o apoio à Funai e a realização do Aty Guassú (grande reunião), que acontece nos dias 6, 7 e 8 de junho em uma das aldeias de Amambaí. A reunião, convocada pelos próprios índios foi realizada no auditório da Embrapa Agropecuária Oeste, pela manhã. O secretário de Agricultura Familiar de Dourados, Ermínio Guedes, participou.
A gerente da Funai no Cone Sul do Estado, que fica em Dourados, Margarida Nicoletti, coordenou a reunião. Ela disse que a principal preocupação dos índios é a união no sentido de apoiar a Funai em torno do objetivo de identificar e demarcar terras de origem indígena no Estado.
A união dos índios estaria sendo prejudicada devido ao que eles chamam de “falsos lideres”, que estariam incentivando a violência e atrapalhando o processo, inclusive com invasão da sede da Funai em Dourados. Essas “lideranças”, manobradas por brancos com interesses políticos, estariam prejudicando o interesse comum do grupo, que, segundo Margarida, é a demarcação das terras, sem violência.
Está previsto para junho, o início do processo de indicação e demarcação de algumas áreas no Estado, que ainda não foram divulgadas. A desunião pode atrapalhar o processo, segundo ela. Por isso, as lideranças tradicionais – aquelas geradas dentro das etnias puras – estariam preocupadas. Essas lideranças não aceitam, por exemplo, a saída de Margarida da gerência para a colocação de um índio Terena, que é policial militar, de Aquidauna, cidade distante e sem identificação com os problemas locais.
Margarida pediu que os índios apóiem a Funai em todas as suas decisões. Segundo ela, a Funai vai indicar as áreas que devem ser demarcadas ao Governo. Pediu ainda que deixem por conta do Governo a decisão sobre como a terra será demarcada. “O Governo é que vai decidir como fazer, se vai desapropriar ou comprar; essa é uma questão governamental e não nossa”, disse.
Margarida também rebateu as críticas que recaem sobre a aldeia Panambizinho. Lideranças rurais alegam que a área de plantio hoje se transformou num matagal. De acordo com a gerente, a realidade dos índios é diferente da do branco. “Eles tem os próprios modos de vida deles que devem ser respeitados”, ressalta.
Convidado a falar, o secretário Ermínio destacou a importância da organização dos índios e do apoio ao trabalho da Funai. Ele disse ainda que é preciso acabar com a visão de que a demarcação de terras indígenas vai gerar banho de sangue. Por isso, segundo ele, o trabalho deve ser conduzido de forma legal pela Funai. “O Governo não vai colocar índios e brancos em conflito; existem meios legais para resolver todas as questões com diplomacia”, disse Ermínio, tranqüilizando os índios.

Fonte: Folha de Dourados

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