Juliel Batista –
Uma reunião entre caciques e lideranças da região da Terra Indígena Buriti está marcada para as 14h30 desta segunda-feira (15), na Rua Aviação, 28 – Bairro São Bento – Sidrolândia/MS, para discutir a recente ocupação de fazendas na região por integrantes da Aldeia Buriti. O encontro também deverá esclarecer divergências sobre a condução do movimento e possíveis desdobramentos políticos do caso.
Segundo informações que serão debatidas na reunião, outras lideranças indígenas da região afirmam que não tiveram conhecimento prévio da iniciativa. A avaliação de parte dos participantes é de que a ação não teria sido construída coletivamente com as comunidades da Terra Indígena Buriti.
De acordo com relatos de lideranças ouvidas nos bastidores, o movimento teria sido liderado pelo indígena Rodrigues Alcântara, atual secretário de Assuntos Indígenas da Prefeitura de Dois Irmãos do Buriti. Ainda conforme essas lideranças, Alcântara é filiado ao MDB, partido historicamente ligado ao ex-governador André Puccinelli.
O episódio ganhou contornos políticos após integrantes e lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul passarem a levantar a hipótese de que a ocupação possa ter sido articulada para gerar desgaste político e constrangimento diante da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Estado, prevista para o fim deste mês.
“Há pessoas dentro do movimento indígena que acreditam que essa ação foi estimulada para criar um ambiente de tensão justamente às vésperas da visita do presidente Lula ao Mato Grosso do Sul”, afirmou uma liderança petista que acompanha o caso.
Outra fonte ligada ao partido avalia que a situação pode ser utilizada para explorar politicamente o conflito fundiário na região.
“Não podemos afirmar que exista uma articulação partidária por trás da ocupação, mas há uma percepção entre algumas lideranças de que o episódio pode estar sendo usado para criar constrangimentos políticos em um momento importante para o governo federal”, declarou.

Ainda segundo lideranças que participarão da reunião, Rodrigues Alcântara seria uma das figuras que lideram, junto a outros indígenas da região, um grupo alinhado a setores conservadores e de direita, com apoio a pré-candidaturas ligadas ao grupo político do governador Eduardo Riedel. Essa informação, no entanto, deverá ser debatida durante o encontro e não possui posicionamento oficial dos citados.
Contexto da retomada
Os indígenas Terena retomaram, na tarde de sábado (13), a Fazenda São Sebastião da Serra, área sobreposta à Terra Indígena Buriti, em Sidrolândia. Segundo os indígenas, a decisão ocorreu diante da falta de avanços no processo de demarcação do território ao longo da última década.
A Terra Indígena Buriti possui Portaria Declaratória publicada pela Funai desde 2001, reconhecendo aproximadamente 17,2 mil hectares como território tradicional do povo Terena. Apesar disso, cerca de um terço da área permanece sob posse de proprietários particulares.
A retomada ocorre em um cenário marcado por conflitos históricos. Em 2013, durante disputas fundiárias na região, os indígenas Oziel Gabriel Terena e Josiel Gabriel Terena foram vítimas de episódios de violência que se tornaram símbolos da luta territorial do povo Terena.
Nas redes sociais, lideranças indígenas denunciam a circulação de informações falsas sobre a ocupação e afirmam haver mobilizações para incentivar reações contra os ocupantes. Os Terena negam informações de que existam pessoas mantidas como reféns na área.
A reunião desta segunda-feira deverá reunir lideranças tradicionais, representantes políticos e integrantes das comunidades indígenas para discutir os rumos do movimento e buscar um posicionamento conjunto sobre os acontecimentos recentes.




