Informalidade mantém camelôs em atividade
Alternativa – 10/09/2007
A dificuldade para encontrar emprego, principalmente para quem já passou dos 40, aliada a facilidade de aquisição de produtos importados na Bolívia e, principalmente, de Pedro Juan Caballero, Paraguai, a pouco mais de 100 km de Dourados, fez com que muitos douradenses fizessem do comércio de pequenos produtos importados, um meio de sustento digno para a família. Hoje, eles se multiplicaram na cidade. Na região central há vários shoppings de camelos, cerca de 70 lojas; mas nos bairros elas proliferam em cada esquina ou em um “puxadinho” na frente das residências.
“Nosso trabalho não nos deixa rico, apenas tiramos o necessário para sobreviver”, diz J.D, 58 anos, que prefere não se identificar por medo de represálias. J.D trabalha há mais de 20 anos no ramo, e lembra que no início de suas atividades, na companhia da esposa e dos filhos, as dificuldades em adquirir os produtos importados eram maiores, porém, a concorrência também era bem menor que hoje.
Com 21 pontos na avenida Weimar Torres, cinco na Marcelino Pires, próximo da antiga Ford, 16 na Joaquim Teixeira Alves, dez no cruzamento das ruas Joaquim Teixeira Alves com a Mato Grosso, e em torno de 20 na rodoviária, e 25 na feira-livre, levando em consideração a média de três pessoas por cada um destes comércios informais.
Baseado nestes números, a geração de empregos diretos, apenas nas lojas da área central, ultrapassa a 200, uma vez que esses comércios ocupam mão de obra de pelos menos três pessoas da família. “Este número pode ser bem mais, pois tem aqueles camelos que trabalham nos bairros ou isolados da gente na área central”, lembrou J.D.
Lembrando que já perdeu mercadorias quando retornava das compras na fronteira. “Não vale a pena irmos na RF (Receita Federal) para reaver os produtos. O imposto cobrado por eles é muito alto, chega até 70 por cento”, diz J.D afirmando que a margem de lucro deles não é alta como muitas pessoas imaginam.
A.P.M, de 53 anos e dez de camelo, disse que trabalhava como pedreiro, porém problemas de saúde o levaram a abandonar a profissão e entrar na área livre do comércio informal. “Estou tentando a minha aposentadoria, enquanto ela não chega, vou trabalhando aqui na barraca com uma funcionária”, diz o ex-pedreiro.
Neste espaço de tempo como camelo, A.P.M também lembra que perdeu mercadorias em barreiras do DOF (Departamento de Operação de Fronteiras), PRF (Polícia Rodoviária Federal) e PF (Polícia Federal). “É muito triste quando a gente perde os produtos, mais fazer o que né, os homens estão lá cumprindo o dever deles, né”, concluiu o ex-pedreiro.
Fonte: Folha de Dourados



