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Gestão autoritária e suas consequências: uma análise na equipe médica de Dourados

Berenice de Oliveira Machado Souza (*) –

Hoje vou falar um pouco do assédio moral que os profissionais médicos estão sofrendo desde primeiro dia da atual gestão. Esses Profissionais já tiveram seu local de descanso invadido por uma Vereadora, já foram humilhados em seus locais de trabalhos, já foram chamados de “vagabundos” em redes sociais e por aí vai, pisando nos profissionais que há anos carregam esses atendimentos, de forma responsável ante às suas atribuições, mas em contrapartida sem condições mínimas de trabalho, mas sempre estiveram salvando vidas.

A gestão atual em momento algum pensou na população que os elegeram na esperança de melhorias, mas não! O caos que estava por vir, não imaginariam que chegaria tão rápido assim. Como se não bastasse agora manejaram uma nova licitação para o hospital da vida e UPA 24 horas para contratar uma empresa com menor valor.

Que absurdo! Não estão pensando na população! Isso é assédio moral organizacional (ou institucional) utilizando-se de estratégias gerenciais abusivas. Em plena epidemia de chicungunya, com mudança repentina de plantomistas sem sentido algum, sem justificativa plausível, Ora, se há possibilidade de prorrogação contratual, porque, justamente nessa crise epidêmica, realizar essa licitação? Trocar experiência por menor custo pode comprometer a qualidade – a continuidade do atendimento.

A substituição em massa de profissionais experientes, por recém-formados e que “vêm, de fora”, não conhecem o fluxo local, que por certo estão visando economia que pode ser visto como uma falta de zelo maior para fins de continuidade dos serviços que já vem sendo prestado, falta de cuidado com a população – denotando falta de planejamento com prazo razoável.

Como uma gestão substitui um grupo inteiro de profissionais de forma abrupta e desrespeitosa, isso é assédio moral organizacional/institucional. Qual o interesse da gestão em realizar uma licitação em plena pandemia. Isso só demostra que atual gestão não tem um planejamento alegando que licitação faz parte do serviço público e que é legal.

Podemos até concordar, claro, mas qual o interesse neste momento? Mas não estamos nos referindo à licitação propriamente dito, mas sim nas vidas da população que é o bem maior. A gestão de pessoas é um dos pilares fundamentais para o bom funcionamento das instituições de saúde pública.

A qualidade dos serviços oferecidos à população depende diretamente da valorização, capacitação e motivação dos profissionais que compõem o sistema e não gerar sentimento de incapacidade nesses profissionais. Isso pode gerar dano moral coletivo devido a violação da dignidade do trabalhador – se poderia prorrogar o contrato – porque licitação agora – em plena epidemia instalada gerando pavor e medo na população? Além dos mais, registre-se que há mais de um ano que esses profissionais estão trabalhando sobre o massacre do assédio moral constantemente.

Eis a pergunta: O que falta mais? Uma gestão de assediadores, sem respeito com profissionais que se dedicam a salvar vidas, que vem enfrentando a precariedade na estrutura, sem insumos e sem condições mínimas. Profissionais que muitas vezes vem tirando “recursos financeiros do próprio bolso” para conseguir realizar um procedimento para salvar vidas.

Essa gestão pode ser chamada de Gestão de desmonte na Saúde Pública. Agora mais uma pergunta que não quer calar: Cadê o Conselho Municipal de Saúde que é o responsável para fiscalizar – composto de representantes de instituições Não Governamentais, Entidades de Classe e Gestor. Como a população está sendo assistida? Ora, o Conselho Municipal de Saúde tem o poder de aprovar ou não o assunto pautado neste artigo, aliás, é este órgão que aprova ou não as contas da Secretaria Municipal de Saúde, para questionar e obter prova material pra saber onde os recursos estão e/ou foram gastos.

Será que o Conselho Municipal dessaúde, seja através de suas Comissões ou no Plenário – digamos – numa Reunião Extraordinária tem verificado se esses profissionais que estão chegando na cidade, preenchem todos os requisitos do edital em comento?

(*) Ex-secretária municipal de Saúde, Coordenadora do Programa Municipal deDst/Aids e Hepatites Virais de Dourados, Coordenadora do Fórum dos Trabalhadores em Saúde (2015 a 2018), Presidente do Conselho Municipal de Saúdede Dourados (2013 a início de janeiro de 2019), Servidora pública e graduada em Serviço Social

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