A fazendeira Cleusa Bianchini, acusada de mandar matar o advogado José Antonio Silva, conhecido como “Doutor Pinga”, para evitar o pagamento de uma dívida de cerca de R$ 4,5 milhões em honorários advocatícios, continuará presa. Nessa terça-feira (21), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido da defesa para que ela fosse colocada em liberdade enquanto o processo segue em andamento.
Segundo a Polícia Civil, Cleusa e outros integrantes da família teriam planejado a morte do advogado depois que ele passou a cobrar, na Justiça, o pagamento pelos serviços prestados em uma ação de reintegração de posse. A investigação aponta que o grupo decidiu eliminar a cobrança encomendando o assassinato do profissional.
José Antonio Silva foi morto a tiros em 2025, em Nova Ubiratã. O caso ganhou repercussão em Mato Grosso pela motivação apontada pelas investigações e pela quantidade de pessoas denunciadas por participação no crime.
No pedido apresentado ao STJ, a defesa argumentou que Cleusa, por ser idosa, está presa preventivamente há mais de um ano sem que o julgamento tenha sido concluído. Os advogados sustentaram que a demora na tramitação do processo tornaria a prisão excessiva e pediram que ela pudesse responder em liberdade até a decisão final.
Ao analisar o pedido, o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, entendeu que, neste momento, não há elementos que indiquem uma ilegalidade evidente na decisão que manteve a prisão da acusada. Por isso, negou a soltura.

O ministro ressaltou que essa é uma análise inicial e que o mérito do recurso ainda será examinado pela Corte em momento oportuno. Até lá, Cleusa permanecerá presa.
O Primeira Página tenta localizar a defesa de Cleusa Bianchini para comentar a decisão.
Relembre o caso
De acordo com a investigação da Polícia Civil, o advogado José Antonio Silva representou Cleusa Bianchini em uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural. Após o encerramento do processo, ele passou a cobrar judicialmente cerca de R$ 4,5 milhões referentes aos honorários advocatícios.
A polícia afirma que, para evitar o pagamento da dívida, integrantes da família planejaram a execução do advogado. As investigações apontaram que o homicídio teria sido encomendado e executado com a participação de outras pessoas, todas denunciadas pelo Ministério Público.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados respondem ao processo com direito à ampla defesa e ao contraditório.



