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Esquema no crédito rural, ameaças e atentado: revelações de Brígido Ibanhes no FolhaCast

Juliel Batista –

Ex-bancário, ativista, escritor e integrante da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, Brígido Ibanhes foi o entrevistado do FolhaCast, o podcast da Folha de Dourados. Durante a conversa, ele falou sobre sua trajetória pessoal e profissional, a atuação como escritor e ativista, e o lançamento do livro “OS TRÊS PODERES DA CORRUPÇÃO – violência, miséria e impunidade”, obra que reúne relatos, documentos e episódios que, segundo o autor, marcaram sua trajetória de enfrentamento a estruturas de poder e corrupção.

Nascido no Paraguai, na região de Bella Vista Norte, Brígido contou que teve uma infância marcada pela vida na fronteira e pelo contato com diferentes culturas e idiomas. Ainda menino, iniciou os estudos no Paraguai e posteriormente retornou ao Brasil. Mais tarde, a experiência no seminário, onde permaneceu por cinco anos, foi decisiva para sua aproximação com a literatura. “Foi ali o primeiro contato com a literatura”, relatou. Aos 12 anos, venceu ali um concurso de poesia com “Poema da Noite Cigana” e recebeu como prêmio uma caneta Parker 61, que afirma guardar até hoje.

A trajetória profissional passou pelo Exército, pelo serviço público e pelo Banco do Brasil. Foi justamente durante o período em que atuou como fiscal rural, a partir de 1984, que Brígido afirma ter identificado irregularidades envolvendo operações de crédito agrícola. Segundo ele, a experiência o levou a assumir uma postura mais ativa na defesa da cidadania e contra aquilo que considerava práticas de corrupção. “A partir dessa descoberta, eu comecei a tomar posição. Posição contrária”, afirmou durante a entrevista.

“A partir dessa descoberta, eu comecei a tomar posição. Posição contrária”, afirmou durante a entrevista.

A atuação como ativista também ganhou força em Dourados, onde participou da criação do Movimento de Moralização e Ética (METRA), realizando durante anos atividades de conscientização política e mobilização contra a corrupção, inclusive, com ações judiciais. Brígido também relembrou o atentado sofrido em 2006, quando sua casa foi atacada e incendiada. Ele e a esposa ficaram feridos e precisaram de atendimento médico. O episódio, segundo o escritor, passou a integrar uma longa batalha por investigação e responsabilização, que chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. “Tudo documentado, tudo comprovado, de todos os lados”, afirmou ao falar sobre o conteúdo de seu novo livro.

“Tudo documentado, tudo comprovado, de todos os lados”, afirmou ao falar sobre o conteúdo de seu novo livro.

Esquema no crédito rural, ameaças e atentado: revelações de Brígido Ibanhes no FolhaCast
Studio Nexus 5.0

Assista a entrevista completa gravada no Studio Nexus 5.0: 

Em “Os Três Poderes da Corrupção”, Brígido reúne documentos e relatos relacionados a episódios de sua trajetória, além de reflexões sobre corrupção, violência, miséria, impunidade e democracia. O autor afirma que a obra apresenta documentos e identifica nominalmente autoridades e instituições envolvidas nos acontecimentos narrados. O livro ficará disponível em livrarias de Dourados e em formato digital, na Amazon. “É o tipo da obra que estou divulgando agora, em primeira mão”, disse.

A seguir, a entrevista:

FolhaCast – Brígido, o senhor está lançando Os Três Poderes da Corrupção, que nós vamos esmiuçar ao longo da entrevista. Mas, para aquelas pessoas que estão nos assistindo, eu gostaria de saber quem é o Brígido. De onde vem? O senhor é natural de onde? Conte um pouco da sua origem, para as pessoas conhecerem o senhor.

Brígido Ibanhes – Então, eu sou um cidadão de um país chamado fronteira. Eu nasci no Paraguai, em Bela Vista Norte, mas, por ser filho de brasileiros que estavam exilados naquela época no Paraguai, eu fui registrado em Bela Vista, Brasil, num Distrito chamado Nunca-Te-Vi.

Fiquei em Bella Vista, no Paraguai, até os sete anos, aproximadamente.

Eu comecei meus estudos no Paraguai. Meu pai era comerciante, era bolicheiro, como nós falávamos naquela época. E foi uma infância muito interessante, porque eu vivia falando espanhol na escola e, na rua, era o guarani.

Então, era um autêntico paraguaio.

Aí meu pai, quando acabou o período que impedia que ele voltasse, que foi a história do Silvino Jacques, porque a família dele foi perseguida por isso, retornou ao Brasil. E eu fui o primeiro que o acompanhei, ainda menino.

Concluí meus estudos em Bela Vista, já no Brasil, no Colégio Santo Afonso. E, como eu era muito envolvido com os padres, porque nasci no Paraguai ao lado da paróquia dos padres americanos, missionários Redentoristas, no Brasil também continuei essa amizade, essa proximidade.

Eu tinha muita intimidade com o cristianismo católico, tanto assim que, com aproximadamente nove anos, já catequizava. Aí houve a proposta de eu ir para o seminário. E eu aceitei.

Eu tinha muita intimidade com o cristianismo católico, tanto assim que, com aproximadamente nove anos, já catequizava.

E como foi essa experiência no seminário?

Foi um momento muito importante na minha vida, porque, além de viver internado, você dispõe o seu tempo para oração, leitura e estudo. Foram cinco anos que eu passei ali. Eu estava para concluir o científico.

Quando, finalmente, conversei com os padres, Deus sabe os caminhos que nos prepara.

Então, esse período no seminário serviu para eu ter contato com a literatura nacional e internacional, porque caí numa biblioteca de mais de dois mil exemplares, e o forte deles era a leitura.

Então, foi ali o primeiro contato com a literatura.

E, com 12 anos, inclusive participei de um concurso interno, ganhei o primeiro lugar com um poema chamado Poema da Noite Cigana. E, com o prêmio, ganhei uma caneta Parker 61, que era uma preciosidade na época.

Então, esse período no seminário serviu para eu ter contato com a literatura nacional e internacional

Poema da Noite Cigana. Do que se tratava esse poema?

Tratava-se de um jovem que estava numa noite, que percebia algo diferente, que tinha a percepção da sua pequenez como ser humano e da dimensão infinita do espaço, onde os astros rolavam silenciosos.

E ele, no final do poema, depois de fazer várias reflexões sobre isso, chega à conclusão de que, finalmente, estava encontrando Deus no seu caminho.

Então, essa noite cigana, essa noite mágica, na verdade, estava conduzindo o jovem a Deus. E eu, como seminarista, estava vivendo isso.

Porque muitas coisas da nossa vida, às vezes, a gente não se dá o direito de meditar, de ver a nossa pequenez e a imensidão das coisas que desconhecemos, que devemos, às vezes, até buscar, e que nos levam a Deus.

Então, a gente, às vezes, prefere viver a nossa pequenez. E esse poema toca, enfoca esse tema.

E ele, no final do poema, depois de fazer várias reflexões sobre isso, chega à conclusão de que, finalmente, estava encontrando Deus no seu caminho.

E o senhor ganhou o primeiro lugar, não é?

Ganhei o primeiro lugar e ganhei uma Parker 61, que era uma caneta própria, que até hoje ainda tenho.

Guarda até hoje com carinho?

Guardo, sim, guardo com lembrança. E até na posse, na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, há poucos dias, eu mostrei a caneta e teve um declamador que declamou a poesia.

E aí, o senhor participava de um seminário, debruçava muito mais na leitura, muito devido ao ambiente no qual estava alocado. De onde sai ali de um seminário e migra para o setor bancário? Como foi esse processo?

Sim. Houve um período porque, naquela época, era muito comum jovem ir para São Paulo. Então eu sempre digo que também caminhei pela terra da garoa, onde trabalhei perto da Av. Paulista e na  Vila Olímpia, morando na Vila Mariana.

E, depois, eu retornei. Meu pai sofreu um acidente. Eu era o único filho, o único homem. Hoje, praticamente, sou o único vivo da minha família.

Eu retornei para Bela Vista, servi o Exército no 10º Regimento de Cavalaria. Então também é uma lembrança bastante forte, porque é uma época de exercício militar e tal, e a gente guarda um pouco daquelas coisas vividas ali, na caserna, como se diz. Quiseram me enviar para a Academia Militar, mas eu não quis.

Então isso moldou um pouco o meu jeito de ser. Eu sempre vivi num sistema assim de, vamos dizer, disciplina, muita disciplina.

No seminário, era uma disciplina muito rígida, no Exército, e dali, saindo do Exército, eu prestei um concurso público. Passei em primeiro lugar para ser auxiliar tesoureiro. Logo depois, o prefeito me colocou como tesoureiro.

Aconteceu um incidente lá no Serviço Autônomo de Águas de Bela Vista, e o prefeito conversou comigo para ver se eu não assumia o serviço. Eu assumi.

Isso em Bela Vista.

No SAAE, já. Depois prestei concurso ao Banco do Brasil e passei e tomei posse em Bela Vista, onde fiquei cinco anos ali.

Então isso moldou um pouco o meu jeito de ser. Eu sempre vivi num sistema assim de, vamos dizer, disciplina, muita disciplina.

De Bela Vista, o senhor sai transferido para Minas Gerais?

Patrocínio, do Triângulo Mineiro, ali daquela região. Uberaba, Araguari, toda essa região, Patrocínio, Monte Carmelo.

Então, dali eu saí, já no momento por ter passado no concurso a nível médio, que era básico antes. Passei no concurso de nível médio e fui designado para a posse em Pernambuco, Santa Cruz do Capibaribe.

Lá eu fiquei um período trabalhando como investigador de cadastro.

Nessa ocasião, o senhor sai de Bela Vista, fica cinco anos. Depois vai para o Triângulo Mineiro e, do Triângulo Mineiro, vai para Pernambuco. O senhor já estava casado, já estava com uma família?

Em Bela Vista, fizemos um casamento com uma jovem (filha de fazendeiro), na fronteira. Naquela época tinha tal do casamento arranjado. E foi mais ou menos por esse caminho.

Mas, infelizmente, como não se fundamentava no amor, no relacionamento autêntico, acabamos, pouco tempo depois, nos separando e tal. Continuamos amigos.

E, quando eu fui para Minas, eu fui sozinho.

Foi sozinho?

Eu fui sozinho porque, na verdade, eu tinha algo que me movia muito para conhecer outras culturas.

Eu não tinha muito interesse em conhecer o mundo, ir para a Europa, ir para os Estados Unidos.

Para a Europa, inclusive, eu não pretendia visitar, porque a Europa, para mim, representava a Espanha, a Inglaterra. Exploraram muito, nessa história de colonização, principalmente a Espanha, explorou muito a América. Cometeram barbaridades.

Genocídios.

Genocídios e tal.

E, como eu tenho um pouco de sangue guarani e também espanhol, isso me fez observar bem como era a origem ali, como se vivia, cheio de ouro, cheio de nobreza, naquela região, mas a riqueza que foi levada, boa parte, daqui, da região da América.

Então, isso me desestimulava. Nunca tive interesse de visitar. Mas tinha interesse no Brasil, sim.

Então, isso que me movia para sair. E o Banco gostava disso. O Banco me apreciava, aquele que buscava novos horizontes.

E, graças a Deus, meu desempenho no Banco foi sempre muito bom. As avaliações foram sempre muito boas. Isso sempre me garantia as transferências.

E, graças a Deus, meu desempenho no Banco foi sempre muito bom. As avaliações foram sempre muito boas. Isso sempre me garantia as transferências.

E depois de Santa Cruz?

De Santa Cruz, eu retornei, transferindo para Bataguassu. Aqui, já na produção.

Porque eu queria ficar mais próximo da minha família também, em Bela Vista.

Bataguassu, eu fiquei aproximadamente dois anos. Eu fui transferido para Sidrolândia.

Em Sidrolândia, em 1984, eu fui nomeado fiscal da Rural, do agronegócio. E ali começa, então, a história do livro.

A partir de Sidrolândia?

A partir de Sidrolândia.

Nesse contexto, na conjuntura política daquela época. Isso em que ano estamos falando, mais ou menos?

Em 1984. Em 1984 eu fui nomeado.

É lógico, no começo foi tudo assim. É uma área que eu não transitava bem, mas eu me aprofundei e logo comecei a perceber o sistema.

O que fazia o fiscal rural, mais ou menos, para as pessoas?

O fiscal rural tinha a obrigação, a missão, de fiscalizar os créditos do Banco do Brasil, da carteira agrícola.

Então, onde fosse determinado qual tipo de perícia ou fiscalização devia ser feita, isso a gente recebia da gerência, através do supervisor do setor, e a gente ia atrás.

Então, foi uma experiência, para mim, muito rica, no momento em que o Brasil estava se debatendo para se libertar da ditadura.

Isso foi uma coisa, assim, que eu digo para mim, uma riqueza incomensurável, ter participado naquele momento.

Porque, de fato, a ditadura estava se esgotando. Já não tinha mais poder para controlar as multidões que iam para a rua, a sociedade se agitando.

A economia estava…

Percebi que tinha que…

Mas aí entrou aquele projeto “Diretas Já”, do Dante, foi colocado em votação no Congresso, não passou.

Então, é um engano, hoje, as pessoas acharem que o povo conquistou a democracia. Não foi.

Não foi. Porque, se aquele projeto tivesse passado, aí sim podia dizer: o povo foi para a rua, pressionou a votação e conquistou a democracia. Não foi.

O que a ditadura fez? Sentou no balcão do negócio e chamou para o negócio, para negociar a entrega da democracia.

Mas ela queria receber um pagamento adequado para a ditadura.

E qual seria um dos pagamentos? O pagamento através do seguro agrícola, do PROAGRO.

É aí que entram os 500 milhões de dólares que foram entregues. E isso, não estou falando por mim, isso está publicado em jornal. Foram 500 milhões de dólares entregues.

Nada, nada, acho que dava uns 3 bilhões, pouco, 4. Isso hoje. Na ocasião, vão colocar muito, muito, muito mais.

Bom, é claro que não foi só a verba do PROAGRO.

Outros negócios que eles (a ditadura) fizeram também para entregar.

Então, eles acabaram entregando uma democracia dissimulada e fraca, que veio capengando, veio capengando e hoje nós estamos vendo a situação que está devido a essa própria democracia fraca.

Nós não estamos vivendo uma democracia forte, real.

O que a ditadura fez? Sentou no balcão do negócio e chamou para o negócio, para negociar a entrega da democracia.

Robusta.

Robusta não, não estamos vivendo.

Tanto é assim que cada absurdo que nós estamos vendo, todos os dias; amanhecemos com absurdos no noticiário.

E isso é consequência ainda daquilo que ficou lá, foi feito lá atrás, daquele balcão de negócios.

E como, na época, eu estava nessa fiscalização, comecei a prestar atenção nisso, no que estava acontecendo.

E isso é consequência ainda daquilo que ficou lá, foi feito lá atrás, daquele balcão de negócios.

E o que o senhor começou a perceber na fiscalização?

Eu fazia laudo, chegava no supervisor, o gerente mandava reformar (para favorecer o graúdo).

E o gerente, que estava na agência de Sidrolândia na época, era um oficial da reserva, militar. Era um elemento da ditadura.

Ele já, eu havia trabalhado com ele. Ele era subgerente em Bela Vista. Eu trabalhei com ele em Bela Vista.

De Bela Vista ele saiu, foi ser o gerente implantador em Naviraí. Foi ele que abriu a agência em Naviraí.

Depois ele foi ser prefeito (biônico) em Mundo Novo, prefeito lá em Mundo Novo.

Então, você vê como a ditadura movimentava. Eram os oficiais os gerentes do banco, das agências.

E, em Mundo Novo, ele não foi muito feliz, teve muitos problemas lá e acabou retornando para a superintendência do Banco do Brasil, em Campo Grande, e depois foi nomeado, então, gerente em Sidrolândia.

Então, veja bem a situação. O gerente, um oficial da ditadura, eu ali como fiscal da Rural, descobri o esquema do PROAGRO.

Então, veja bem a situação. O gerente, um oficial da ditadura, eu ali como fiscal da Rural, descobri o esquema do PROAGRO.

O que era o esquema do PROAGRO?

Bom, tinha uma parte que era simulação.

Os grandes agricultores e tal, eles jogavam a semente, muitas vezes com pouco adubo ou sem adubo mesmo, e depois, e tudo isso já combinado com a superintendência do banco, inclusive com Brasília, que eu vou falar daqui a pouco.

E chamavam o fiscal. O fiscal ia lá.

Eu acompanhei um fiscal que era advogado, que era meu colega de fiscalização. Ele foi lá e mostrou para mim, arrancou alguma germinação e falou: “Isso aqui é alguma seca severa aqui, ou muita chuva, e fica desse jeito”.

Mas eu tive a curiosidade de cavar ali. Não encontrei grânulo de adubo nenhum.

Então comecei a perceber essas coisas.

E outra coisa que me chamou a atenção é que o gerente tinha um caderno, um livrinho.

Então o pequeno e o médio produtor chegava para exigir o seu direito, porque ele realmente tinha perda.

É impressionante como o pequeno produtor faz a sua lavoura direitinho. Ele paga direitinho o banco, ele se esforça.

Mas às vezes, infelizmente, vem uma chuva torrencial, granizo e tal, e ele tem que recorrer ao PROAGRO.

Então, o que acontecia? O gerente pegava, anotava o nome dele, dava uma esperança no momento e depois engavetava o caderno e ficava enrolando.

E esse dinheiro que ia sobrando no PROAGRO era depois direcionado para as lideranças ruralistas, que recebiam para então investir na política da ditadura.

Esse foi o esquema.

Então, a partir dessa descoberta, eu comecei a tomar posição. Posição contrária.

E esse dinheiro que ia sobrando no PROAGRO era depois direcionado para as lideranças ruralistas, que recebiam para então investir na política da ditadura.

E eles perceberam isso?

Logo eles perceberam, porque não era só o gerente que estava envolvido. Era o prefeito, o presidente da Câmara, todos estavam juntos.

Todas as instituições ali?

Sim. Estavam juntas, inclusive, para eleger o gerente prefeito de Sidrolândia.

Percebendo que a política estava se abrindo, vamos dizer, para a sociedade, eu me filiei ao PDT do Brizola, que era contrário à ditadura, que era o único praticamente contrário. Isso chamou a atenção também.

Mas eles, numa primeira investida, esse trio, gerente, prefeito e presidente da Câmara, o gerente ofereceu promoção.

Depois, o presidente da Câmara, num momento em que estava um auditor na agência, o auditor saiu da sala, dizendo que ia ao banheiro, e, para minha surpresa, dentro do banco, numa sala proibida, vamos dizer, para outras pessoas, entrou o presidente da Câmara.

Entrou e sentou na minha frente. Fiquei surpreso com aquilo.

Ele perguntou o que eu queria para parar de mexer com os papéis.

Estava insinuando suborno.

O que eu pedisse ali, com certeza eles iam me proporcionar.

Bom, eu fiquei surpreso com tudo isso, mas disse para ele: “Olha, você e o prefeito prometeram, eu morava numa vila, chamava-se Vila São Bento, que era a metade de Sidrolândia, vocês prometeram na campanha fazer lavanderia, horta comunitária, um monte de coisa. Façam isso”.

Eu sabia que eles não iam fazer. Sabia que isso era pura enganação.

Aliás, nós vivemos no Brasil, cada dia nós somos enganados.

Eles não iam fazer isso, e eu falei: “Se você fizer, eu vou pensar. Vou pensar. Depende do rumo das coisas”.

Mas sabia que eu não podia mais voltar atrás. Eu já tinha comunicado isso para a auditoria do banco, já tinha percebido que Brasília (a Direção-Geral)  estava conivente com o que estava acontecendo, que realmente o balcão de negócios estava lá no alto.

Então, foi uma tentativa que ele fez.

Depois, o prefeito me ofereceu a vereança, e o cara mais rico da região foi lá, participou dessa reunião, para me convidar para a vereança, e, na saída, ele me abraçou e falou para mim que eu já estava eleito com certeza, mas tinha que ficar do lado dele.

Eu falei: “Olha, eu não vou decidir agora”.

o prefeito me ofereceu a vereança, e o cara mais rico da região foi lá, participou dessa reunião, para me convidar para a vereança, e, na saída, ele me abraçou e falou para mim que eu já estava eleito, com certeza, mas tinha que ficar do lado dele.

Eu pedi para o gerente dois dias, que eu iria pensar. Daqui a dois dias eu daria a minha resposta.

Dois dias depois eu cheguei no gerente e falei: “Olha, eu não tenho dinheiro para bancar uma campanha, como é que eu vou?”

Ele falou: “Não se preocupe não, nós temos o dinheiro”.

Inclusive, uma creche que já havia sido construída com uma verba especial da Secretaria Social, do Governo Federal, a creche já estava construída. A prefeitura estava se preparando para refinanciar, para construir uma coisa que já estava construída, o que acontece muito.

Por isso que tem muitas vezes o prefeito usa, às vezes, o deputado faz um projeto para asfaltar tal rua, sendo que a rua já está asfaltada há muito tempo, até chegam a mudar o nome da rua às vezes para poder receber o dinheiro.

Então, ele falou para mim assim: “Nós temos o dinheiro, a creche vai financiar a sua campanha”.

Eu falei: “Então, sendo assim, digo não”.

Eu só fiquei olhando a reação dele. Quase explodiu na minha frente, de raiva, porque eles estavam contando que eu fosse aceitar.

E ali realmente houve um rompimento violento da minha relação com a gerência, com a administração da agência.

Então, ele falou para mim assim: “Nós temos o dinheiro, a creche vai financiar a sua campanha”.

E o que aconteceu depois dessa recusa?

A partir daquele momento, primeiro me colocaram em uma sala privativa de menores estagiários. Tinha que ficar sentado ali, numa cadeira.

Aconteceu um negócio interessante: o arquivo geral era ali. Então eu aproveitei, tinha uma máquina copiadora, queria umas cópias dos PROAGROS que foram encaminhados dessa maneira, e recebi também documentação que havia sido encaminhada, estava sendo encaminhada para o Banco Central, através de um deputado federal, para estudo dos PROAGROS.

E estava entre aspas mesmo, no próprio texto, na própria correspondência.

Então, dali eles perceberam que fizeram uma bobagem.

Me puniram, me deixaram numa sala confinada, lá com os menores e tal, e onde se faz o arquivo geral.

Me tiraram logo de lá e me aprisionaram no banheiro da gerência.

Quando eu coloquei uma mesinha de escritório, com as instruções, nós falamos “CIC Administração”.

Não tinha gaveta, não tinha nada. Eu também não podia aportar nada. Tinha que sentar ali, com aquela “CIC Administração” ali para estudar, vamos dizer assim, dentro do banheiro, de frente com as cabines dele.

Então, os colegas iam entrando e olhando, e me vendo ali sentado, e eu não podia falar nada.

No começo, eles ficaram sem entender o que estava acontecendo. Mas, é lógico, logo perceberam que eu estava sendo mantido ali como um exemplo de um castigo que poderia ser aplicado a qualquer um que se levantasse dessa maneira.

Segundo dia, foi à Polícia Federal, com outra autoridade lá, e conversou com o gerente e me tiraram dali.

Mas me tomaram o meu talão de cheque-ouro, me deixaram sem nada, porque o teu adversário, quando quer te enfraquecer, ele tem que cortar os teus recursos.

Mas me tomaram o meu talão de cheque, ouro, me deixaram, porque o teu adversário, quando quer te enfraquecer, ele tem que cortar os teus recursos.

Eu tinha uma boa poupança e tudo foi travado ali, foi travado.

Eles tinham receio de que, de repente, eu pudesse me deslocar para Brasília, para ir buscar ajuda internacional, sei lá. Eles tinham medo.

Então era o jeito de travar.

E ali me mantiveram, fora do cárcere, porque ali eu me sentia prisioneiro dentro do banheiro.

E também era uma tortura psicológica, que a ditadura também herdou da Inglaterra, a tortura psicológica.

Então foi um momento de muita pressão para ver se eu mudava de comportamento.

Eles percebendo que não tinha mais como mudar, porque eu já tinha até entrado em contato com a Polícia Federal, porque a própria instrução do banco orientava para isso.

eu já tinha até entrado em contato com a Polícia Federal, porque a própria instrução do banco orientava para isso.

E depois o senhor voltou para o Pernambuco novamente?

Então, eles optaram, lá de Brasília, o diretor de um departamento que cuida disso me deu 15 minutos para eu ir à agência de Campo Grande.

Eu estava no sindicato dos bancários de Campo Grande, tentando me defender lá, levar a situação do banheiro, essas coisas.

E ele ligou para lá, me localizou, alguém informou no sindicato. Então me deu 15 minutos para chegar na agência central e pedir transferência.

Para qualquer agência do Banco do Brasil.

Primeiro eles queriam me mandar para Aral Moreira ou Porto Murtinho. Eu, como sou nascido na fronteira, conheço já essas histórias.

Falei: “Não, não vou me expor a risco”.

Então ele falou: “Você vai ter que ir para qualquer outra agência, longe do Mato Grosso do Sul”.

Aí eu optei por retornar a Santa Cruz do Capibaribe, lá em Pernambuco.

Nesse período eu acabei casando com a pernambucana que conheci. Já estava casado com ela.

Aí fui viver lá em Santa Cruz.

E o que aconteceu em Santa Cruz?

Depois de um ano e meio, seis meses, por aí, houve dois assaltos na agência.

Dois assaltos do Novo Cangaço, o que é chamado Novo Cangaço. Sabe aquele grupo armado que chega fazendo…

E eu estava nos dois assaltos. Estava lá na agência.

E, no primeiro, eu percebi que o chefão da quadrilha estava lá na altura da plataforma com a metralhadora e os capangas dele ali, os outros.

Então eu percebi o trabalho de coletar o dinheiro, ameaçar e tal.

E, mesmo pedindo para não olhar para eles, eu tentei guardar bem a figura do sujeito que estava, do grandão que estava com o colete da Polícia Federal.

Ele estava lá com…

Então, esse foi o primeiro assalto.

O segundo ocorreu quase da mesma maneira. Só que o grandão, veio barbudo e ele se abaixava para ninguém perceber que era a altura dele.

Mas eu percebi.

E passou perto, próximo a mim. Eu percebi que o sapato dele estava bem limpo, bem lustrado.

Aí então deu…

Depois eu, conversando com o delegado, que chamou os funcionários que estavam presentes naquele momento, relatei essas informações.

Pelo sapato limpo, ele tinha vindo de Caruaru.

Foi quando Luiz Gonzaga faleceu, estava passando por Caruaru, então toda a atenção estava voltada para esse evento da morte e despedida do Luiz Gonzaga.

O delegado, depois de um mês, aproximadamente, me chamou na agência.

Cheguei lá, ele me mostrou uma… Como que fala? Capivara, não é? E tem a imagem do…

Era o cara, era o chefe da quadrilha.

Mas eu queria confirmar. Eu peguei e pedi a foto para ele.

Chamei o guarda, que tinha sido levado como refém, o guarda da agência que tinha sido levado, para o banheiro, e mostrei lá.

Ele falou: “Nossa, é o cara que me levou”.

Eu falei: “Calma aí”.

Aí voltei para a gerência, confirmei e tal.

O cara transitava por Brasília.

Os roubos que ele fez foram milhares de dólares.

Então, na verdade, o cangaço, essa quadrilha, que é denominada dessa maneira naquela região, começou lá no Norte, no Nordeste, e hoje está espalhado já pelo Brasil.

Mas, principalmente, tudo combinado com político. Naquela época, não sei hoje como que está, mas não deve ter mudado muito, que é o político do Nordeste, que tem muita essa capacidade de dominação da região.

E descobri que aquele cara era irmão de um prefeito ali de uma cidade próxima.

E isso ficou realmente perigoso…

O cara chegou a me identificar.

Eu usava um jipinho (Gurgel) que eu tinha, que eu tinha levado aqui de Mato Grosso do Sul, da fiscalização.

E um dia, indo para casa, eu vi uma caminhonete dando sinal de luz para parar, para chamar a atenção.

Eu fui devagarzinho, fui parando.

Aí desceu um cara, chegou perto de mim, olhou e falou: “Opa, desculpe, me enganei”.

E voltou para a caminhonete.

Na verdade, ele não se enganou. Ele queria confirmar. Está entendendo? Iam tentar alguma coisa.

E foi nesse contexto que o senhor decidiu retornar para Mato Grosso do Sul?

Entendendo isso, como eu falei, eu nasci na fronteira, num lugar assim que tem que ficar esperto mesmo.

Eu aproveitei a visita de uma filha em Santa Cruz e passamos em Brasília, que eu vinha para visitar meus pais em Bela Vista.

Ela me acompanhou. Minha família ficou lá em Santa Cruz. Eu queria me afastar da família para evitar qualquer coisa.

Passamos na presidência do banco e o assessor do presidente, Dantas, me afirmou e falou: “Olha, não vai ter jeito, ele vai te punir por questões políticas”.

O que nós podemos fazer, o que ele orientou, se você quiser sair de lá, em vista do perigo que está acontecendo, você pode pedir transferência de novo.

Falei: “Então, eu quero voltar para a minha terra, Mato Grosso do Sul”.

Meu pai está de idade, eu quero retornar lá, para poder ficar perto.

Ele falou: “Tem três lugares: Dourados, Campo Grande e Aquidauana”.

Falei: “Olha, minha preferência é Dourados”.

E ali eu vim para o CESEC em Dourados.

Essa trajetória para Santa Cruz, eu sofri penalidade, me tiraram o cargo de fiscal, tanto assim que eu tenho processo na Comissão de Anistia, que até hoje, faz 22 anos, parece que finalmente agora poderá chegar uma conclusão. Vamos ver.

Não acredito muito mais nessas autoridades, nessas coisas, sabe?

Mesmo com o governo popular que nós temos, os contrários, os ditatoriais, ainda têm muita força. E têm muito dinheiro.

Mas, enfim, isso é uma história que está contada aqui no livro.

Aliás, essa história começa com o relatório que o senhor trouxe?

Começa. Minha experiência nessa história, esse relatório aqui é uma síntese do livro.

E esse relatório aqui foi feito a partir do atentado que eu sofri em 2006.

Porque eu voltei aqui para… Estava em Dourados.

E esse relatório aqui foi feito a partir do atentado que eu sofri em 2006.

Bom, no começo foi assim, aquela coisa. A chefia do CESEC não me conhecia direito. Eu também sempre fui um bom funcionário, dentro do meu prazo de trabalho, eu desempenhava aquilo que era encarregado.

Mas, saindo dali, toda essa experiência de corrupção me fez ter contato com algumas lideranças aqui, interessadas também em questões de cidadania e direitos humanos.

E foi ali que nasceu a ideia de fundar o METRA, o Movimento de Moralização e Ética.

E qual era a proposta do METRA?

Porque a corrupção privada, a própria sociedade tem que solucionar.

A pública, nós, como cidadãos, como eleitores, em defesa da democracia, temos que realmente partir para cima.

Não adianta ficar esperando Salvador da Pátria, um presidente ou uma autoridade que vai resolver isso.

Não adianta ficar esperando Salvador da Pátria, um presidente ou uma autoridade que vai resolver isso.

Não. A própria sociedade tem que se mobilizar.

E começando, às vezes, pela corrupção que é privada, colocando a ordem, às vezes, na sua própria casa, na sua própria comunidade. E dali, então, vai surgindo a mudança no setor público.

Então, essa era a ideia.

Aí nasceu o Movimento METRA.

Por dez anos tivemos atividades assim. Todo sábado eu me juntava com quem quisesse do grupo, que eram 300 inscritos no movimento.

Então a gente ia para a calçada ali na Marcelino Pires, em frente do saudoso Tat Lanches.

Eu tinha uma banquinha, entregava panfletos, cartilhas, fazia sorteio de camisetas, camisetas com o título METRA. Nas costas, “corrupção X”, assim. São sinais.

Então fazíamos sorteios várias vezes por mês.

Todo sábado pela manhã eu tinha esse compromisso durante quase dez anos que estivemos ali.

Além disso, também abrimos processo contra o prefeito, contra o governador, porque houve um incidente muito interessante aqui, no ano de 1994, quando o Brasil foi tetracampeão.

Nas comemorações, houve aquela explosão de fogos de artifício. Dinamitaram o alicerce de uma escola chamada Marcelão, que estava sendo construída ali onde hoje é o Parque dos Ipês.

Então, ali era para ser uma escola que ia substituir o Presidente Vargas, a escola, o colégio.

E, infelizmente, a decisão do prefeito, na época, determinou a explosão ali dos alicerces e tal, a explosão.

Ali nós chamamos o Ministério Público, o promotor e tal. Fomos e houve uma polêmica.

No começo, houve interesse do Ministério Público de investigar, de denunciar, mas depois o promotor responsável foi tirado daqui e tal.

Hoje eu sei que ele tem uma… Lá em Aquidauana, onde ele foi colocado, tem até uma casa com nome de homenagem a ele.

Então, já dá para concluir qual o caminho que ele tomou.

Então, essa foi a experiência.

No caso desse episódio de 2006, a casa do senhor sofreu um ataque?

Sim, um ataque violento que destruiu a metade da casa.

E sofri queimaduras sérias nos pés, minha esposa, queimaduras sérias nas mãos.

Então, essa história do METRA, mais o meu passado como fiscal do PROAGRO e tal, no dia…

Sim, um ataque violento que destruiu a metade da casa.

E sofri queimaduras sérias nos pés, minha esposa, queimaduras sérias nas mãos.

Sexta-feira, antes do Dia das Mães, daquele domingo fatídico, quando o PCC estava eliminando policiais em São Paulo e começou rebeliões nas penitenciárias, inclusive aqui em Dourados.

Então, na sexta-feira, eu sempre publicava artigo em jornais virtuais aqui em Dourados e às vezes até para fora.

Eu mandei o artigo tratando da questão dos ruralistas, que naqueles dias também vinham promovendo manifestações no Brasil todo.

Uma manifestação que eles falavam que era contra o governo federal, mas, na verdade, era contra o PT, porque estava escrito, era apresentado lá no governo.

Então, eu fiz um artigo colocando que certas reivindicações realmente tinham razão, mas a maneira como elas estavam sendo conduzidas era inadequada para uma sociedade como aqui em Dourados, porque eles estavam querendo retaliar com o desabastecimento da cidade.

Eles fizeram uma passeata na Marcelino com grandes palavras numa faixa de lona preta dizendo assim: “DESABASTECIMENTO”.

Então, outra coisa, eles meteram trator, colheitadeira, tudo ali no centro, estavam bloqueando o trânsito, em frente Agenfa, ali eles fecharam.

E um advogado que tentou pagar imposto (na Agenfa), que era o tributo para o governo do Zeca, estava no poder também naquela época, eles agrediram o advogado, não deixaram ele pagar.

Então, eu coloquei que a maneira como estava sendo conduzida era muito truculenta, que isso desagradava a sociedade e provavelmente não traria benefício nenhum para eles, pelo contrário.

Eu entreguei para o jornal na sexta-feira, entreguei esse artigo, tentando ver se colocava um pouco de bom senso na história.

Porque normalmente eu colocava meus artigos e o jornal divulgava dentro de, no máximo, 40 minutos estava no ar.

Eu falava sobre cultura, fazia análise de conjuntura, uma série de coisas. Então, sempre as pessoas se interessavam.

Naquele dia passou sexta-feira, não aconteceu nada.

Passou sábado, não aconteceu nada.

E no domingo de manhã eu liguei para o jornal. Aí o editor-chefe falou: “Tem um probleminha aqui e tal, mas já está saindo”.

Já está saindo. E saiu.

Onde foi, nesse intervalo de sexta para domingo de manhã?

Aquele artigo transitou em algum lugar.

Imagino.

A favor do próprio jornal, que ninguém é obrigado a entregar.

Então, quando saiu, foi publicado, a cúpula das lideranças estava comemorando do Dia das Mães, lá na Seleta.

Então, quando saiu, foi publicado, a cúpula das lideranças estava no comemorando do Dia das Mães, lá na Seleta.

E ali tomaram conhecimento do artigo e dali houve um movimento para me atingir à noite, na hora do Fantástico.

Eu já estava prevendo alguma coisa, porque estava no ar.

Carro importado passando ali por perto, gente com metralhadora, com armas, ostensivamente pistola 9 mm para fora.

Para assustar as pessoas daquela região, para que as pessoas não saíssem para a rua.

E como aconteceu o ataque?

Quando foi na hora do Fantástico, minha esposa levou a nossa filha para o quarto para dormir.

Eu falei, porque a filha gostava de ficar assistindo comigo.

Mas, como estava muito movimento, estava muito violento, aliás, aquela programação terrível, eu falei: “Não, não, coloque ela para dormir lá no quarto dela”.

Foi e colocou a menina no quarto e voltou.

Voltou e ficou ali com a ideia de ficar uns dez minutos, porque ela não gosta também de assistir a essas coisas.

Ela é bastante, é terrivelmente evangélica, vamos dizer assim, como se costuma dizer. Então, é um direito que ela tem, e ela ficou um pouquinho comigo.

Nesse momento eu escutei, primeiro, um carro de cor escura, um carro pequeno, veio rápido e encostou assim, fora da minha vista, próximo ao meio-fio.

Eu achei estranho, porque tenho um amigo que tinha um carro semelhante.

Falei: “Mas por que está correndo desse jeito? Por que encostou tão ligeiro? O que aconteceu?”

Ao lado da minha casa tem uma igreja, uma igreja evangélica. E naquele dia tinha um culto especial, Dia das Mães, um culto especial.

Estava cheio de carro, de gente por ali. Mas todos estavam dentro da igreja.

Do outro lado tinha um grupo, uma república de estudantes.

Encostou o carro, aquilo me chamou a atenção já.

Alguma coisa estava acontecendo.

Lembro que eu escutei aquele tropeço de passo, correndo, e, quando vejo, o estilhaço da janela, que a minha casa tem três janelas de vidro na frente, e entrou alguma coisa assim, no ar explodiu.

Lembro que eu escutei aquele tropeço de passo, correndo, e, quando vejo, o estilhaço da janela, que a minha casa tem três janelas de vidro na frente, e entrou alguma coisa assim, um ar explodiu.

Fez um barulho abafado, mas forte, deu um tremor até. A janela espalhou fogo para tudo que era lado.

Em questão de dois segundos estava pegando fogo, impressionante.

Eu senti uma dor intensa no meu pé. Meu pé estava queimando.

Eu consegui abafar, porque minha esposa deitou assim no sofá ao meu lado, colocou os pés dela no meu colo, e eu coloquei os meus num banquinho.

E, como estava muito frio aquela noite, a gente se cobriu com uma coberta.

Graças a Deus nos cobrimos com uma coberta.

Meu pé ficou para fora e foi atingido com combustível que se incendiou na hora.

Quando eu consegui apagar o meu e olhei para ela, virei a olhar, ela estava com a mão assim pegando fogo, e ela olhando, sem reação. Ela ficou em estado de choque, sem reação.

Eu, na hora, peguei e bati até apagar.

E falei: “Sai, corre daqui, pega a nossa filha e sai com ela”.

Porque eu via as labaredas se alastrando e estava difícil.

Ela conseguiu sair, pegou a menina e teve a ajuda da vizinha.

Nessa altura o pessoal da igreja saiu. Um saiu para fora para ver o que estava acontecendo.

O barulho foi aquele, aquela explosão.

Eles acharam que foi um acidente de carro, mas não foi.

Eu peguei uma coberta que estava nos cobrindo, que pegou fogo, joguei, abri a porta e joguei no jardim.

Aí alguém da igreja falou assim: “Desliga a chave de energia”.

Eu, com o pé machucado, corri para dentro da casa e desliguei a chave.

Mas aí eu pensei, falei: “Puxa vida, eu esqueci a minha mochila com os meus documentos”.

Porque era assim: a sala na frente e atrás era o meu escritório.

E os meus documentos ficaram todos no escritório.

Tentei voltar, mas já nessa altura vinha aquela fumaça preta com a parte do fogo dentro, já vinha rolando pelo cômodo antes da sala.

Então eu percebi que, se eu tentasse, eu não conseguiria chegar mais ao escritório.

Voltei para trás e saí pelos fundos.

Saí pelos fundos, aquela fumaceira já cobrindo toda a casa à frente ali, aquelas pessoas se movimentando ali para tentar apagar.

Eu consegui sair para fora e o pessoal me chamando, e eu estava ali perdido no meio da fumaça.

Saí para fora no asfalto.

Quando pisei no asfalto, é interessante, o nosso pé, com o calor, vira uma geleia. A sola vira uma geleia, ela grudou no asfalto.

Um senhor de idade chegou e perguntou: “O senhor estava aí dentro?”

Eu falei: “Estava”.

Fiquei quieto ali, porque alguém tinha chamado já os bombeiros.

Mas, como aquela noite estava muito agitada, eles tinham medo de querer pregar peça para os bombeiros, então eles não estavam atendendo muito.

E um senhor que era advogado, responsável pela igreja, subiu na caminhonete, foi ele mesmo pessoalmente, porque o Corpo de Bombeiros não é longe da minha casa, foi lá e falou com eles.

Aí eles vieram.

Eu ali com o pé grudado no asfalto, olhei assim, de longe vi as luzes piscando da ambulância e do carro dos bombeiros.

Eles chegaram. Eu percebi que, se eu levantasse o pé ali, a sola ia ficar.

Aí eles conseguiram, devagarzinho, tirar. Me colocaram, depois me levaram num recipiente de água, com água oxigenada, sei lá o que era aquilo, para refrigerar ali e tal.

Também pegaram minha esposa e nos levaram para o hospital.

Então esse é mais ou menos, sucintamente, o relato.

Também toda essa história está no livro.

E esse atentado levou tempo para o senhor se recuperar?

Levou. Até hoje eu tenho essa dificuldade de caminhar por causa do pé queimado.

Ela subiu, afetou a circulação, a circulação afetou a nutrição da célula, dos nervos e tal, atingiu o ciático, então tenho dificuldade.

Levou. Até hoje eu tenho essa dificuldade de caminhar por causa do pé queimado.

Até porque, depois, há pouco tempo atrás, passei por uma cirurgia cardíaca, peito aberto, e metade do meu coração hoje é uma prótese de carbono.

Então eu tomo cuidado, porque quando me emociono que o Corinthians marca um gol, só a metade do meu coração se movimenta. A outra parte, que é de metal, não se movimenta, parece que é palmeirense.

Bom, mas enfim.

Então demorou a recuperação.

Minha esposa tive que levar duas vezes a São Paulo para poder fazer um tratamento adequado.

Então tudo isso nos custou tempo.

E a tal da investigação, promotoria, delegacia, aos trancos e barrancos, mais por minha insistência, mais por alguma tentativa de alguma instituição.

Porque fui orientado, dois dias depois, pela autoridade do governo do Estado, que estava o governador Zeca do PT. Veio o vice-governador tomar ciência do que tinha acontecido e tomar providências.

E me colocou em contato com a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República naquela época.

Então, me colocaram num programa de proteção e tal.

E isto foi evoluindo, assim, a questão do tratamento, a questão dos contatos com o governo federal e tal.

Mas aqui dentro do Estado a coisa não mudou praticamente nada.

E todo ano eu ia cobrar, no dia 14 de maio, que era o aniversário do evento, eu ia conversar com o promotor para ver como estava a situação e tal.

E cheguei a levar, na última vez, um jornalista que sabia de informações, que já tinha dado o seu depoimento para a Polícia Federal, e ele sabia de coisas interessantes.

Mas o promotor e o delegado estavam naquele momento lá, ouviram o nosso interesse em que tomassem o depoimento do jornalista, mas se negaram.

O próprio delegado olhava para cima, olhava de um lado para o outro, dando a mínima para o caso.

E o que aconteceu depois?

Bom, aí passou mais um tempo. Passaram-se seis anos, não se resolvia nada.

Em 2010, eu fui orientado pelo Tribunal Internacional de San José, da OEA, para entrar em contato com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, porque nada se resolvia na Justiça doméstica. Nada.

Processos que eu tinha da época do Banco do Brasil, tudo dava negativo, uma sentença mais estapafúrdia que tinha, sabe?

Então fui orientado, em 2010, quando tive o primeiro contato com a Comissão Interamericana, a partir da autenticação do atentado, que tinha documentos da própria investigação, do próprio Corpo de Bombeiros e da própria Secretaria de Direitos Humanos da Presidência também.

Abriu-se um processo chamado de admissibilidade.

Eles vão verificar se tudo, se os fatos são autênticos, se é possível admitir o processo.

Muito bem.

Dali começou com o atentado.

Só que o atentado, eles perguntaram: “Mas por que aconteceu?”

Ali começa a puxar a história.

Começa a puxar a história que começa lá na questão do PROAGRO, no esquema do PROAGRO.

E também, como eu tive, na época de 1986, um livro que eu acabara de lançar sobre a história do bandoleiro Silvino Jacques, que foi também arbitrariamente apreendido pela Justiça, na época contaminada pela ditadura, vamos dizer assim.

Então, levei seis anos para liberar esse livro, em 1992, graças à nova Carta, à nova Constituição, que consagrava a liberdade de expressão, aquelas coisas e tal.

Muito bem.

Então começou puxando essa história do livro, que contava a truculência no campo, promovida pelo latifúndio e pelos grupos que tomam conta, até hoje, as oligarquias rurais que sempre dominaram este Estado.

Entre quem entrar, sempre vai estar, até hoje, alinhado a essas oligarquias, a essa política.

Então eles começaram a buscar todas as comprovações e foram.

Até o próprio livro foi levado para o Rio de Janeiro, adotado pelo PEN Club, tinha agenda do governo, foi documentado, tudo isso entrou.

Então, na verdade, ao puxar essas histórias todas, do Banco do Brasil, dos livros, a comissão elaborou um relatório completo e uma documentação farta, que eu vou falar que dá para encher um baú, como eu tenho realmente encaminhado para isso.

Então, em vista disso, no dia 31 de dezembro de 2019, foi assinado este relatório, admitindo cinco violações graves de direitos humanos, comunicando, como está escrito aqui, para o Itamaraty, e que se buscar…

no dia 31 de dezembro de 2019, foi assinado este relatório, admitindo cinco violações graves de direitos humanos

Não podemos ler? Dá vontade. (O relatório consta no livro)

Vou ler só essa primeira parte, que eu acho que é importante.

Aqui tem os autos, enfim, relatório e assinatura, e os encaminhamentos.

Vou ler essa última parte, que eu acho que é importante, do dia 25 de fevereiro de 2020.

Um foi encaminhado para mim, um comunicado, e outro foi para o Itamaraty.

Isso aqui é da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, que é a Organização dos Estados Americanos.

“Excelentíssimo senhor ministro, tenho a honra de dirigir-me a Vossa Excelência, a fim de levar ao seu conhecimento que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos analisou a posição mencionada e aprovou o Relatório de Admissibilidade nº 228 de 2019, de 31 de dezembro de 2019, o qual se anexa a essa comunicação, em conformidade com o disposto no artigo 46 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

De acordo com o estabelecido no artigo 36.2 do seu regulamento, foi registrado o número… Agradeceríamos que seja feita referência a esse número de casos em suas futuras comunicações.

A Comissão, de acordo com o artigo 37.1 do seu regulamento, fixou um prazo de quatro meses a partir dessa comunicação para que os peticionários apresentem observações adicionais sobre o mérito da petição.

A Comissão, com base no disposto no artigo 37.4 do seu regulamento, também se coloca à disposição das partes para que chegue a uma solução amistosa do assunto em conformidade com a Convenção Americana.

Por conseguinte, solicito a Vossa Excelência que responda a esse oferecimento com a maior brevidade possível.

Aproveito para expressar a Vossa Excelência os protestos de minha elevada estima e consideração”.

Isso foi entregue ao então ministro Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores.

Isso aqui é muito importante, né?

Enfim, é a conclusão de toda essa história, vamos dizer. Não chegamos ao final ainda, mas se encaminha.

Depois desse encaminhamento por parte da OEA, junto ao Itamaraty, o que foi feito? Os autores, o Poder Judiciário brasileiro encontrou esses autores? O que foi feito?

Bom, em 2020, eu estava em contato com o Itamaraty.

Eles têm um Diretório de Direitos Humanos. Ficamos trocando conversa ali.

E, em 2022, a Defensoria Pública da União passou a nos representar.

Porque eu estava entrando numa área de encaminhamento jurídico, porque até então era só questão de provas.

E, a partir dali, para ter o convencimento para a AGU, para o Governo Federal, precisa ter fundamentos e alguém que entenda juridicamente para poder tratar disso.

Então, a Defensoria Pública passou a…

Existe um departamento, um setor da Defensoria Pública da União em Brasília, que cuida dessas questões internacionais.

Então, eles nos representam hoje.

Eles fizeram um encaminhamento de tentativa de acordo para a AGU, que tem que ser tratado com a AGU, em primeira mão.

Bom, pode ver que, pelo nome do ministro do Itamaraty, a dificuldade que era tratado de direitos humanos, porque o próprio presidente da época deslocou o irmão do que foi ministro da Educação para fazer parte dessa Comissão Interamericana, para poder barrar esse tipo de coisa.

Então isso acabou afetando a AGU, com certeza.

Então, houve uma resposta muito evasiva.

“Não temos elementos suficientes, não tem mais que comprovar nada”, porque tudo foi comprovado já, basta analisar.

Nós podemos marcar uma reunião com a Defensoria Pública da União para a gente voltar, passar a discutir.

Nunca marcaram.

Então, houve duas recusas.

Depois mandaram a primeira recusa, e depois a segunda recusa pela AGU.

Quando, novamente, a Defensoria tentou um contato, houve recusa.

Então, até na minha posse, na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, eu afirmei que o governo estaria empurrando para as calendas das iséquias.

Então, até na minha posse, na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, eu afirmei que o governo estaria empurrando para as calendas das exéquias.

Então, da maneira como está sendo conduzido, foi conduzido, eu tentei, porque a jurisdição daquele setor da Defensoria Pública da União é área internacional. Eles não podem atuar internamente, na política doméstica.

Isso.

Então, isso me cabia, esse trabalho me cabia.

Eu mandei mais de 100 manifestações, vários setores, inclusive para a Comissão, aliás, do STF, que eles têm uma Comissão de Direitos Humanos lá, CNJ, dentro do CNJ.

Conselho Nacional de Direitos Humanos.

Com relação a atentado, eu provoquei o Ministério da Justiça.

O Ministério da Justiça encaminhou à Polícia Federal, a Polícia Federal encaminhou para a SEJUSP aqui, no Mato Grosso do Sul, a SEJUSP devolveu para a Polícia Federal, e a Polícia Federal disse que a Polícia Federal tem que encaminhar para o CNJ.

Eu já tinha me encaminhado para o CNJ, estava lá parado.

Então, você percebe que não há força de vontade.

Não tem ressonância, aquilo que você está falando, e principalmente aqui dentro do Estado.

Que é muito mais complicado.

Porque aqui tentei apoio da OAB, não deu em nada.

Eles simplesmente foram lá, fotografaram algumas coisas, fizeram um pequeno documento.

Nem assinaram para me entregar, nem assinatura não tem.

Está entendendo?

A Procuradoria do Ministério Público Estadual, apelei, contando que aqui o promotor responsável pelo acompanhamento das investigações parou o processo. Desde o começo praticamente estava parado.

O próprio colega dele, que substituiu ele no momento de férias, disse assim: “Disse que o inquérito está sofrendo de inércia”.

Eu peguei aquele gancho e entrei com uma representação contra o promotor no Conselho Nacional do Ministério Público.

Afirmando que o colega dele falou inércia, eu também achava, comprovando a inércia.

Que tinha que ser cobrada providência do promotor.

O promotor ficou sabendo, ligou para mim lá em casa, ligou para mim, querendo me xingar, querendo me esculhambar, me pedindo que eu fizesse uma carta, uma carta em defesa dele, dizendo que ele estava realmente fazendo o serviço dele direitinho, e que entregasse para ele em mãos, que não era para protocolar no Ministério Público.

O promotor ficou sabendo, ligou para mim lá em casa, ligou para mim, querendo me xingar, querendo me esculhambar, me pedindo que eu fizesse uma carta, uma carta em defesa dele

Foi bem.

Eu fiz a carta no dia seguinte, relatando tudo aquilo que estava irregular na condução das investigações, inclusive uma carta precatória que foi enviada para Campo Grande, para aquele grupo, para o líder daquele grupo da República que estava no dia do atentado, do outro lado da rua.

E eles propositalmente colocaram o meu endereço errado.

O meu endereço era o da Bergo Duarte, então eles colocaram Rua Bahia.

Aí, quando perguntaram: “Você conhece o morador desse endereço?”

Ele falou: “Não”.

Ele não estava mentindo.

Houve um conluio ali, um conluio, para que aquela carta precatória não pudesse ser usada para nada, está entendendo?

Houve um conluio ali, um conluio, para que aquela carta precatória não pudesse ser usada para nada

Então essas coisas, tudo eu relatei na carta, na correspondência que fiz.

E, ao contrário do que o promotor queria, eu fui lá e protocolei no Ministério Público.

Acredita que essa correspondência não está anexa ao inquérito?

Deveria estar, deveria estar, porque eu estava questionando a atuação do promotor.

Então, até hoje, que eu saiba, não consta.

Não sei onde foi parar.

O Ministério Público sumiu.

Eu queria saber onde está essa carta, onde está essa correspondência, porque isso seria de interesse de levar para as autoridades, para o procurador do Ministério Público, para o procurador-geral ali, para o exame da própria OAB, quem sabe.

Mas nada, nada, tudo foi esquivado.

Você perguntar alguma coisa, tudo, ninguém te dá uma resposta.

Depois dessas manifestações e provocações que o senhor fez a vários órgãos do governo, até à Presidência da República, o que aconteceu?

Até o último, o Lula, num discurso na Bahia, ele falou assim: “Quando você tiver algum problema, alguém está atravancando algum interesse, fala aqui com o Boulos, que é o ministro”.

E o Boulos estava do lado ali.

Eu assisti aquilo, eu falei: “Sabe de uma coisa? Eu vou entrar em contato com o Boulos”.

Porque eu já tinha entrado em contato aqui com políticos que apoiam o governo.

E, na verdade, olha, sinceramente, é difícil porque a área política, eles têm medo de mexer nessa história.

Porque envolve aquela situação do balcão de negócios do fim da ditadura, onde políticos graúdos, e a classe, como eles falam, a maioria dos políticos tinha conhecimento, estavam envolvidos.

Então, eles têm uma grande preocupação de não mexer, seja qual político for, seja de direita, seja de esquerda, seja de onde for, não tem interesse de mexer, não quer.

Então, eles têm uma grande preocupação de não mexer, seja qual político for, seja de direita, seja de esquerda, seja de onde for, não tem interesse de mexer, não quer.

O senhor entrou em contato com o Boulos (Guilherme)?

Entrei.

Ele mandou para o Ministério dos Direitos Humanos, que era da Macaé  Evaristo.

Eu já tinha entrado em contato com ela umas duas, três vezes antes.

Respondeu que ia levar a minha questão para o Conselho Nacional de Direitos Humanos.

Até agora também não houve manifestação.

Tem um setor lá do Ministério que cuida dessas questões internacionais.

Também o Ministério Público da União, que, como afirmei, nos representa, entrou em contato também com esse setor, pedindo uma audiência com a ministra para tratar desse assunto.

Não deram retorno.

Bom, nessa busca de apoio, você tem que ter apoio também.

Infelizmente, só você garantir o seu direito aqui fala muito pouco.

Você tem que ter apoio.

Eu entrei em contato também com a Comissão de Direitos Humanos, tanto da Câmara como do Senado.

Da Câmara, que está na mão do governo, praticamente, disse que o Ministério de Direitos Humanos tem um setor que cuida disso.

Eu falei: “Não, tudo bem, tem um setor lá. Mas cabe à Câmara fiscalizar a atuação desse setor”.

E é isso que eu estou solicitando.

Aí não houve mais contato, cortaram.

A Comissão de Direitos Humanos do Senado, presidida pela Damares Alves, veja bem, se interessou pelo caso.

A Comissão de Direitos Humanos do Senado, presidida pela Damares Alves, veja bem, se interessou pelo caso.

Se interessou pelo caso e foi fundo.

Entrou em contato com a AGU, pediu documento e tal.

Só que também agora parou.

Parou, não sei.

Então, eu fico assim, percebendo.

Também não quero entrar numa questão eleitoral, numa disputa de colocar qualquer um dos lados em disputa eleitoral.

Então, até a próxima campanha, estamos vendo essa questão da Comissão de Direitos Humanos do Senado.

E vejo que a senadora Damares Alves se interessou, realmente ela assinou o documento e tal.

Mas a parte da AGU também não houve maior interesse, travou a lei.

Então, do jeito que agora ficou, porque a campanha agora…

Agora tudo travou.

Tudo travou nesse sentido.

Porque ninguém vai levantar uma bola dessas, de balcão de negócios, na época de governo popular, para entregar uma democracia fraca e dissimulada.

Ninguém vai entrar nesse debate.

E como está a situação atualmente?

Então, a DPU, esse setor da Defensoria Pública que nos representa, contatou a Comissão Interamericana e colocaram a situação real das coisas.

Então, a DPU, esse setor da Defensoria Pública que nos representa, contatou a Comissão Interamericana e colocaram a situação real das coisas.

E existe o que eles chamam de antecipação das coisas.

Devido à minha idade e devido também ao fato de ser cardiopata, metade do meu coração hoje é uma peça de carbono, uma argola.

Então, prioridade a esse tipo de…

E foi para lá, porque há tempo já tinha sido encaminhado isso, uns três anos atrás já tinha sido encaminhado esse pedido, e agora reforçou, porque eu passei por essa cirurgia também.

Então, todas essas dificuldades que o governo vem apresentando…

Então, vamos ver o que acontece.

E o livro se fundamenta em toda essa documentação?

Então, essa é a situação.

Agora, a história do livro se fundamenta na documentação de todas as coisas que eu falo.

Ela apresenta documentos. Eu não falo nada que não possa…

Tudo documentado.

Tudo documentado, tudo comprovado, de todos os lados, todas as instituições que foram envolvidas nesse caso, porque é nominal.

Tudo documentado, tudo comprovado, de todos os lados, todas as instituições que foram envolvidas nesse caso, porque é nominal.

Cada autoridade é nominada.

Não tenho nada para ocultar de ninguém.

Então não há como se debater.

Se alguém estivesse a debater, seria apenas uma fé.

Mas, enfim.

Esse livro, OS TRÊS PODERES DA CORRUPÇÃO, do qual o senhor é autor, onde encontrar? Para quem está assistindo, onde pode encontrar?

Então, este livro até tem uma pequena história.

No começo do ano passado, eu estava fechando o livro, contatei uma editora gráfica de Juiz de Fora, Minas Gerais, e fechamos um contrato para impressão do livro.

Paguei a primeira parcela, porque sempre tem aquela história: “Preciso comprar papel, preciso…”.

Tudo bem.

Eu acho que o pessoal da gráfica, o chefe lá, o dono, tomou conhecimento do conteúdo.

E lá todos nós sabemos que é uma cidade que tem uma comunidade muito ligada à extrema-direita, onde aconteceu a facada e coisa e tal.

Então, engavetou.

Não tinha.

Toda vez que eu cobrava, me enrolava, me enrolava e tal.

Eu fui percebendo isso.

Quando achei que já tinha passado dos limites, coloquei uma advogada minha ali, num encaminhamento extrajudicial, como se diz.

E ali o cara percebeu que estava indo para um caminho que podia complicar e liberou o livro no começo deste ano.

Só que chegou para mim mais ou menos em junho. Faz pouco tempo que estou com esta obra.

É o tipo da obra que estou divulgando agora, em primeira mão.

Quem tiver interesse, tem nas livrarias aqui, em Dourados.

E também estou fazendo uma coisa diferente, que é aproveitando aqui a capa, a contracapa da capa, para divulgar meus outros trabalhos.

Isso quase não existe. Eu nunca vi um livro assim.

E aqui é um QR Code para acessar a Amazon, ver meus outros trabalhos.

E, se a pessoa receber este livro de maneira gratuita, faço distribuição algumas. Se ele achar que pode me dar um apoio, tem o meu Pix, a chave do Pix, para que faça.

Porque tudo, esse livro aqui, a história deste livro, é uma das mais caras.

Foi até mais caro do que o próprio livro do Silvino Jacques, que eu tive que lutar lá na Justiça por seis anos.

Gastei um rolo de dinheiro com o advogado.

Inclusive, o meu primeiro advogado, que eu contratei na época para liberar o livro, há pouco tempo atrás era presidente do Tribunal de Justiça do Estado.

Eu fui fazer uma visita para ir lá, nós nos encontramos depois de tanto tempo.

Então está nas livrarias. Tem na Amazon também?

Tem na Amazon, como e-book, e tem físico aqui na livraria.

Livraria que é na Weimar Torres?

É, na Weimar, sim.

Na Canto das Letras?

É, Canto das Letras. E também sempre deixo meus livros também na Livros e Cia.

Então está aí. E, de repente, quem quiser também?

Meu endereço todo mundo sabe, não sou de me esconder.

Tanto assim que até o próprio terrorista sabia onde eu morava.

Tem meu contato, telefone, é público.

Pode, inclusive, procurar lá em casa, que eu tenho satisfação.

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