José Henrique Marques –
Está circulando em Dourados o novo livro do escritor Brígido Ibanhes: “Os três poderes da corrupção”. A obra discorre sobre os bastidores da política local, estadual e federal, de como as instituições tratam as questões dos cidadãos, “que, sinceramente, só cuidam, pelo visto, daquilo que lhes interessa”, afirma.
O livro traz duas novidades: a utilização do verso da capa e contracapa para divulgar outras obras do autor; e, nas orelhas, ele pergunta ao leitor quanto lhe vale a obra, para que, se quiser, enviar um Pix para ajudar a pagar a impressão do livro.
nas orelhas, ele pergunta ao leitor quanto lhe vale a obra, para que, se quiser, enviar um Pix para ajudar a pagar a impressão do livro
Brígido Ibanhes não pretende lançar oficialmente o livro, e, sim, apresenta-lo a um público seleto de professores, acadêmicos, ativistas, intelectuais de Dourados e região. Mas, pretende deixar à venda numa livraria, e “ali vou colocar um preço fixo, mas, se além, o leitor quiser colaborar será bem-vindo e agradeço”.
“Os três poderes da corrupção” está estruturado na convivência do autor com os poderes da República ao longo dos anos, mas, nem de longe, deixa de ser atual e leitura obrigatória para compreender os bastidores, notadamente em Dourados e Mato Grosso do Sul. O desmando público (à tona novamente como o caso STF – Vorcaro) não é novidade para quem conheceu e sofreu nas entranhas dos gabinetes dos poderosos de plantão, como é o caso de Brígido Ibanhes.
O desmando público (à tona novamente como o caso STF – Vorcaro) não é novidade para quem conheceu e sofreu nas entranhas dos gabinetes dos poderosos de plantão
Recentemente empossado na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), o escritor regionalista e ativista Brígido Ibanhes nasceu em Bela Vista, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, mas é radicado há várias décadas em Dourados, onde construiu sólida carreira de escritor marcada pelo estudo da memória regional, dos mitos populares e das relações entre as culturas brasileira, paraguaia e guarani.
Sua escrita mistura jornalismo investigativo, pesquisa histórica e ficção, sempre com forte presença do chamado regionalismo fronteiriço sul-mato-grossense. É autor de 11 livros, entre eles Silvino Jacques: O Último dos Bandoleiros. Seus trabalhos são frequentemente utilizados em pesquisas acadêmicas sobre a literatura de fronteira e a cultura de Mato Grosso do Sul.
Seus trabalhos são frequentemente utilizados em pesquisas acadêmicas sobre a literatura de fronteira e a cultura de Mato Grosso do Sul
Em Dourados, na década de 1990, fundou o Movimento de Moralização e Ética no Trato da Coisa Pública (METRA), que mobilizou a sociedade local contra a corrupção, o que lhe valeu a contrariedade dos vários políticos da região, principalmente, prefeitos e governadores que foram levados aos tribunais para responder por ilegalidades.
O novo livro é mais um registro das experiências do escritor com os poderes públicos, principalmente quando coordenava o Movimento Metra, e, de acordo com ele, “por pouco, não perco a vida colocando em perigo também a minha esposa; não corri perigo só uma vez, foi mais”.
“por pouco, não perco a vida colocando em perigo também a minha esposa; não corri perigo só uma vez, foi mais”
Em maio de 2006, um atentado com bomba incendiária destruiu metade da sua casa. O escritor e esposa ficaram com ferimentos nas mãos e nos pés, e assim passaram por longa convalescença.
Para Brígido Ibanhes, o “sistema é cruel desde a sua origem, e o cidadão, que busca garantir seu direito, fica à mercê de enganação e protelação pública até, quem sabe, o fim da sua vida”.
O novo livro do autor, leva a essa reflexão.
“o sistema é cruel desde a sua origem, e o cidadão, que busca garantir seu direito, fica à mercê de enganação e protelação pública até, quem sabe, o fim da sua vida”
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