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Ermínio Guedes: ‘O desafio de outubro’

Erminio Guedes, consultor –

Para entender o último dia 4, estive em análises de diversas fontes. Algumas conclusões:

  1. Perdemos a eleição para nós mesmos. A altura do salto atrapalhou. Lula perdeu voto onde deveria ganhar. Pequenos municípios que votaram em Lula em 2022, mudaram o voto, ou não votaram. A emenda PIX e o agronegócio mandaram prefeitos mobilizar votos em Flávio. Ou seja, municípios com bolsa família e agricultura familiar, tiraram votos de Lula.
  • Perdemos votos em quase todos os lugares, inclusive no Nordeste. Não foi para evangélicos, fazendeiros e à Classe A, pois estes continuam no mesmo lugar. Perdemos votos de católicos, apesar dos ataques a Nossa Senhora. Faltaram votos de mulheres. A juventude não votou em Lula porque está desencantada.
  • A corrupção virou pandemia. Escândalos não assustam mais, porque ao eleitor “todos são iguais”, inclusive no STF. Entendem que Bolsonaro é corrupto, mas os outros também o são, logo não votar, votar em branco ou “contra o sistema” é o protesto.
  • O MS é exemplo de pandemia validada, de negação a Lula e de abstenção política. Gigantes desvio de recurso públicos, nos incentivos fiscais, não mudaram o voto do povo. O RS com 80% de agricultura familiar nos imóveis rurais, votou no Flávio, ganhando em 90% dos municípios.
  • O que Lula fez é reconhecido, mas o eleitor quer mais. Flávio prometeu e atraiu. As falas de Lula pulverizaram. Precisamos corrigir erros.  Ou se fala a língua do povo, ou estaremos no risco.

Dá para mudar? Sim. Mas teremos de “virar votos” e buscar os que não votaram. Eleitores de Lula, de bicicleta e na chuva, não votaram. O eleitor precisará entender as diferenças entre o BR de Lula do BR de Flávio. Perceber os riscos do abismo e se sentir dentro do projeto do PT. Entender que:

  • O BR vira o quintal da família Trump.
  • A criminalidade aumenta contra pretos, mestiços, indígenas e mulheres.
  • O salário mínimo diminui e os aposentados irão à “fila do osso”.
  • Saúde e educação não será prioridade e as filas do SUS dobrar quarteirões.
  • O feminicídio irá aumentar
  • As mudanças climáticas trarão desastres mais violentos.
  • A Amazônia incendeia e o clima piora, com mais sofrimento aos pobres.
  • A reforma agrária, demarcação de TI e a agricultura familiar vira piada.
  • As terras indígenas serão riscadas, a procura de ouro e terras raras.
  • A Petrobras e outras serão privatizadas e a gasolina irá às nuvens.
  • Os ricos ficarão mais ricos e os pobres mais pobres.

Não adianta arrodear o toco. Ou se vai para cima do adversário, ou perderemos a eleição.

Pensem nisso. Até a vitoria!

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