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‘Dourados perdeu protagonismo’, afirma Rogério Yuri ao defender pré-candidatura federal

Juliel Batista –

Pré-candidato a deputado federal e atualmente em seu segundo mandato como vereador de Dourados, Rogério Yuri (PSDB) afirmou, durante entrevista ao FolhaCast, que pretende levar para Brasília a mesma linha de atuação que diz ter adotado na Câmara Municipal: fiscalização dos recursos públicos, diálogo entre diferentes setores da sociedade e defesa dos interesses da região sul de Mato Grosso do Sul. Ao longo da conversa, ele relembrou sua trajetória profissional, destacou ações do mandato e falou sobre os desafios de uma eventual candidatura à Câmara Federal.

Filho de um madeireiro e de uma professora, Yuri contou que começou a trabalhar aos 13 anos e construiu sua carreira conciliando estudo e trabalho. Formado em Arquitetura e Urbanismo e integrante da Polícia Civil, ele afirmou que a educação foi fundamental em sua trajetória. “Minha mãe sempre nos ensinou que a educação era o caminho para melhorar de vida”, destacou.

Ao falar sobre sua atuação como vereador, Yuri apontou a fiscalização como a principal marca do mandato. Entre os casos citados, estão os questionamentos sobre a reforma da Câmara Municipal e o acompanhamento de obras públicas. Segundo ele, o papel do parlamentar vai além da elaboração de leis. “O vereador precisa fiscalizar, mas também construir pontes. Quando você acompanha os projetos, cobra soluções e reúne as pessoas certas para dialogar, os avanços acontecem”, afirmou.

“O vereador precisa fiscalizar, mas também construir pontes. Quando você acompanha os projetos, cobra soluções e reúne as pessoas certas para dialogar, os avanços acontecem”

O parlamentar também destacou a criação da Frente Parlamentar dos Conflitos Agrários, iniciativa que reuniu representantes de comunidades indígenas, produtores rurais, forças de segurança e órgãos públicos em busca de soluções para os conflitos fundiários na região. Para Yuri, o diálogo foi fundamental para reduzir tensões e evitar novos confrontos. “Conseguimos construir um pacto de paz e criar um ambiente de diálogo entre todos os envolvidos”, disse.

Durante a entrevista, Rogério Yuri defendeu ainda a necessidade de ampliar a representatividade política de Dourados em Brasília. Segundo ele, a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul perdeu espaço nas discussões nacionais e precisa voltar a ter protagonismo. “Dourados precisa voltar a participar das grandes decisões e defender seus interesses com mais força. Quero representar a região com equilíbrio, diálogo e capacidade de articulação”, declarou.

“Dourados precisa voltar a participar das grandes decisões e defender seus interesses com mais força. Quero representar a região com equilíbrio, diálogo e capacidade de articulação”

'Dourados perdeu protagonismo', afirma Rogério Yuri ao defender pré-candidatura federal

Assista a entrevista completa gravada no Studio Nexus 5.0: 

https://youtu.be/dZqCepgnOfE

A seguir, a entrevista:

FolhaCast – O senhor tem uma trajetória marcada por diferentes experiências profissionais. Quem é o Rogério Yuri?

Rogério Yuri – Sou filho de um madeireiro e de uma professora. Nasci em Vicentina e vim para Dourados ainda criança. Minha mãe sempre nos ensinou que a educação era o caminho para melhorar de vida. Comecei a trabalhar cedo, aos 13 anos, na Casa Vitória, onde fazia de tudo: entregava panfletos, limpava loja, fazia serviços de banco. Depois fiz curso técnico no Senai, me formei torneiro mecânico e trabalhei na indústria. Mais tarde me especializei em desenho arquitetônico, cursei Arquitetura e Urbanismo e construí minha carreira profissional.

Como surgiu a ligação com a arquitetura?

Foi através de um curso técnico de desenho arquitetônico. Trabalhei com profissionais renomados da cidade e passei a atuar na área. Eu queria cursar Engenharia Civil, mas na época não havia o curso em Dourados. Como já trabalhava com desenho arquitetônico, optei por Arquitetura. Demorei 11 anos para concluir a faculdade, porque precisava trabalhar para me sustentar.

O senhor também atua na Polícia Civil. Como aconteceu essa mudança?

Eu tinha uma empresa, trabalhava e estudava, mas passei por dificuldades financeiras. Após uma internação por pneumonia, percebi a necessidade de ter mais estabilidade. Prestei concursos e fui aprovado para a Polícia Civil em 1998. Entrei na academia em 1999 e, em 2000, já estava lotado em Dourados. .

E como começou sua trajetória política?

Minha primeira candidatura foi em 2004, para vereador. Tive pouco mais de 500 votos e fiquei como suplente. Depois disso, fui convidado para trabalhar com a deputada Bela Barros e, posteriormente, com Murilo Zauith. Atuei na Assembleia Legislativa, na Vice-Governadoria e também na Prefeitura de Dourados.

O senhor foi secretário municipal de Meio Ambiente. Como avalia essa experiência?

Foi uma das experiências mais importantes da minha vida pública. Fiquei cerca de quatro anos à frente da pasta e tive a oportunidade de contribuir com políticas ambientais, planejamento urbano e desenvolvimento da cidade. Foi um período de muito aprendizado administrativo.

Em 2020 o senhor foi eleito vereador. Como foi essa campanha?

Foi uma campanha muito difícil. Eu não tinha padrinho político nem grandes estruturas. Contava apenas com um grupo de amigos que acreditava no projeto. Fui para as ruas conversar com as pessoas e acabei sendo o vereador mais votado do meu partido, com 1.414 votos.

Como o senhor define sua atuação no primeiro mandato?

Sempre procurei manter independência. Votei a favor quando entendia que os projetos eram bons para a cidade e fui contrário quando considerava que estavam errados. Minha principal bandeira foi a fiscalização dos recursos públicos e a defesa da legalidade.

Quais foram as principais pautas defendidas pelo senhor na Câmara?

Fiscalização do dinheiro público, transparência, responsabilidade fiscal e acompanhamento das demandas da população. Sempre procurei verificar como os recursos estavam sendo aplicados e cobrar soluções para problemas que afetam diretamente os bairros de Dourados.

O senhor cita frequentemente a austeridade como marca do seu mandato. Por quê?

Porque acredito que o dinheiro público precisa ser tratado com responsabilidade. Como secretário e agora como vereador, sempre tive essa preocupação. Meu trabalho é garantir que os recursos sejam aplicados corretamente e que não haja desperdício.

Um dos temas em que o senhor teve posicionamento firme foi a taxa de lixo. Qual sua avaliação?

Eu reconheço a necessidade da cobrança para atender às exigências da legislação ambiental e do saneamento. O que critiquei foi a forma como ela foi implementada. Entendo que o modelo adotado apresenta distorções, especialmente ao cobrar terrenos vazios da mesma forma que imóveis que efetivamente geram resíduos.

O senhor também ganhou destaque por denúncias relacionadas à reforma da Câmara Municipal. O que motivou essa atuação?

Meu papel como vereador é fiscalizar. Identificamos inconsistências em documentos relacionados à reforma da Câmara e levamos as informações aos órgãos competentes. O objetivo sempre foi proteger o patrimônio público e evitar prejuízos aos cofres municipais.

Agora o senhor se coloca como pré-candidato a deputado federal. Por quê?

Porque acredito que Dourados precisa voltar a ter protagonismo em Brasília. A cidade já teve representantes muito fortes na Câmara Federal e hoje sente falta de alguém que tenha atuação mais próxima das demandas locais. Quero levar essa discussão para a população e apresentar um projeto focado no desenvolvimento da nossa região.

Qual será a principal bandeira dessa pré-candidatura?

A defesa de Dourados e da região sul do Estado. Precisamos melhorar a infraestrutura, fortalecer a saúde, buscar investimentos e garantir que a cidade tenha voz ativa nas decisões nacionais. Meu objetivo é representar Dourados sem perder de vista as necessidades de todo Mato Grosso do Sul.

O senhor afirma que a principal marca dos seus mandatos é a fiscalização. Quais ações considera mais exitosas nesse trabalho?

Uma delas foi a fiscalização da reforma da Câmara Municipal. Eu sempre defendi que a cidade precisava de uma nova sede para o Legislativo, mas discordava da reforma do prédio atual. Como arquiteto, entendia que o local não tinha estrutura adequada, principalmente em relação ao estacionamento e à acessibilidade.

O que chamou sua atenção nesse projeto?

O projeto foi aprovado utilizando benefícios previstos em uma legislação criada para imóveis comerciais antigos do centro da cidade. Com isso, houve redução significativa das exigências de estacionamento. Na prática, um prédio que deveria ter mais de 50 vagas ficou com pouco mais de 20. Eu considerava isso inadequado para uma estrutura que atende vereadores, servidores e a população.

E como surgiu a denúncia envolvendo a empresa responsável pela obra?

Recebi informações do farmacêutico Racib Harb, que apresentou dúvidas sobre a documentação da empresa vencedora da licitação. Ao analisar os documentos, identificamos inconsistências. Minha equipe aprofundou a investigação e constatou irregularidades em certidões e registros técnicos apresentados no processo.

Qual foi o desfecho desse caso?

Levei o assunto à Mesa Diretora da época e, posteriormente, ao Ministério Público. As irregularidades foram confirmadas e a empresa teve de devolver cerca de R$ 1 milhão ao município a título de multa. O principal resultado foi a preservação do dinheiro público.

Além da Câmara, houve outras fiscalizações que considera importantes?

Sim. Um exemplo foi o acompanhamento das obras da Via Parque. Havia recursos disponíveis para o projeto, mas identifiquei que faltavam licenças e certidões necessárias para o início dos trabalhos. Alertei sobre isso antes da execução da obra.

O que aconteceu após esses alertas?

O projeto precisou ser regularizado antes de avançar. O recurso permaneceu parado por um período até que toda a documentação fosse ajustada. Hoje a obra está em andamento, mas com as adequações necessárias para garantir segurança jurídica e técnica.

O senhor constuma dizer que nem sempre busca viabilidade com essas ações. Por quê?

Porque meu objetivo não é aparecer. O que me interessa é garantir que as obras sejam realizadas corretamente e que os recursos públicos sejam preservados. Quando uma situação pode ser resolvida tecnicamente, procuro dialogar antes de transformar o assunto em disputa política.

Quais realizações o senhor considera mais importantes para a população?

Tenho orgulho de acompanhar obras que estão saindo do papel após anos de reivindicação. Posso citar o recapeamento do Jardim Água Boa, o asfaltamento da Picadinha e as obras previstas para o Jardim Pelicano e o Itahum. São projetos que exigiram articulação junto ao Governo do Estado e acompanhamento constante para garantir a liberação dos recursos.

Como surgiu a articulação para essas obras?

Foram demandas construídas ao longo dos últimos anos. Em reuniões com lideranças estaduais, apresentamos estudos, projetos e reivindicações da população. Muitas dessas obras começaram a ser discutidas há quatro ou cinco anos e agora estão sendo executadas.

O senhor também cita a criação da Frente Parlamentar dos Conflitos Agrários como um dos principais trabalhos do mandato. Como nasceu essa iniciativa?

A situação dos conflitos agrários em Dourados vinha se agravando há anos, principalmente na região do Anel Viário. Havia confrontos frequentes, tensão entre produtores rurais e comunidades indígenas e uma crescente preocupação com a segurança de todos os envolvidos. Entendi que a Câmara precisava participar desse debate.

Qual foi a proposta da frente parlamentar?

Criar um espaço de diálogo. Convidei vereadores de diferentes correntes ideológicas para participar e buscamos apoio de instituições como a OAB, Ministério Público, Procuradoria Federal e Governo do Estado. A ideia era retirar o debate do campo político e aproximar todos os envolvidos.

Quais resultados foram alcançados?

Conseguimos reunir indígenas, produtores rurais, forças de segurança, representantes do Judiciário e órgãos públicos em uma mesma mesa de discussão. O objetivo foi construir soluções que ajudassem a reduzir os conflitos e criar canais permanentes de diálogo. Foi um trabalho de mediação que considero muito importante para Dourados.

Qual é a principal lição dessas experiências de fiscalização e articulação?

Que o vereador precisa fiscalizar, mas também construir pontes. Muitas vezes o resultado não aparece imediatamente, mas quando você acompanha os projetos, cobra soluções e reúne as pessoas certas para dialogar, os avanços acontecem e a população é quem ganha.

O senhor considera a frente parlamentar uma das principais realizações do seu mandato?

Sem dúvida. Conseguimos reunir produtores rurais, lideranças indígenas, Ministério Público, Funai, OAB, forças de segurança e representantes dos governos para construir um pacto de paz. O objetivo era evitar novos confrontos e criar um ambiente de diálogo.

O senhor acredita que o impasse sobre as terras precisa de uma solução definitiva?

Sim. Essa é uma responsabilidade do Governo Federal. O conflito não será resolvido apenas pelos produtores ou pelas comunidades indígenas. É necessário que haja compensação, regularização e uma política pública capaz de atender todos os envolvidos de forma justa.

O senhor afirmou que pretende disputar uma vaga na Câmara Federal para “destravar” projetos. O que isso significa?

Significa superar disputas políticas que muitas vezes impedem investimentos importantes. Vejo situações em que projetos deixam de avançar porque existe divergência entre grupos políticos. Quem perde com isso é a população. Precisamos ter representantes capazes de dialogar com diferentes correntes e buscar soluções.

O PSDB perdeu espaço político nos últimos anos. Isso pode dificultar a sua candidatura?

Não acredito. O PSDB tem uma história importante no país e participou de diversas transformações econômicas e sociais. Além disso, o eleitor vota muito mais nas pessoas e nos projetos do que propriamente nas siglas. O partido continua tendo quadros qualificados e uma proposta de equilíbrio político.

Como o senhor define sua posição ideológica?

Eu me considero um político de centro. Acredito no diálogo e no equilíbrio. Não me identifico com os extremos. Defendo que é possível conversar tanto com governos de direita quanto de esquerda quando o objetivo é trazer benefícios para a população.

O senhor acredita que o PSDB ainda pode eleger representantes em MS?

Sim. Temos pré-candidatos competitivos nas principais cidades do Estado. Existe um planejamento partidário para a disputa e a expectativa é conquistar pelo menos uma cadeira na Câmara Federal e ampliar a representação na Assembleia Legislativa.

Como o senhor avalia a administração do prefeito Marçal Filho?

Vejo um gestor experiente e com bom trânsito político. Ele tem conseguido dialogar com o Governo do Estado e também com o Governo Federal. Essa capacidade de articulação é importante para trazer investimentos e acelerar projetos para Dourados.

E a relação entre o Governo do Estado e o município?

É positiva. Existem obras importantes sendo executadas graças a essa parceria. Claro que há temas que precisam ser debatidos e aperfeiçoados, mas, de forma geral, a relação institucional tem sido produtiva para a cidade.

O senhor demonstrou preocupação com a área da saúde. Qual é o principal desafio atualmente?

Dourados é um polo regional e recebe pacientes de dezenas de municípios. Isso gera uma grande pressão sobre a estrutura de saúde. Precisamos ampliar investimentos, fortalecer a rede hospitalar e garantir que os recursos sejam compatíveis com a demanda que a cidade atende.

O senhor também defende a criação de novas estruturas hospitalares na região?

Sim. Existem projetos importantes em discussão, inclusive voltados para a integração regional. Quanto mais alternativas de atendimento existirem, menor será a sobrecarga sobre Dourados e melhor será a qualidade dos serviços prestados à população.

Durante a entrevista, o senhor falou diversas vezes sobre a necessidade de representatividade política. Por quê?

Porque Dourados perdeu protagonismo ao longo dos anos. Hoje temos poucas lideranças da cidade ocupando espaços estratégicos em Brasília. Isso acaba influenciando diretamente na capacidade de atrair investimentos, obras e projetos estruturantes para a região.

Quais exemplos o senhor cita dessa perda de protagonismo?

Temos grandes projetos logísticos e de infraestrutura sendo direcionados para outras regiões do Estado. Dourados precisa voltar a participar dessas discussões com mais força e defender seus interesses de forma organizada.

Qual é a principal mensagem da sua pré-candidatura?

Quero representar Dourados e a região sul do Estado com equilíbrio, diálogo e capacidade de articulação. Meu compromisso é defender os interesses da população, buscar recursos e ajudar a construir soluções para os desafios da nossa região.

Que recado o senhor deixa para a população?

Agradeço a confiança de quem acompanha meu trabalho. Meu gabinete continuará aberto para atender a população e ouvir sugestões. Independentemente do resultado eleitoral, vou continuar trabalhando por Dourados, defendendo a fiscalização dos recursos públicos, o desenvolvimento regional e a busca por mais oportunidades para todos.

'Dourados perdeu protagonismo', afirma Rogério Yuri ao defender pré-candidatura federal
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