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Como será ‘depoimento especial’ da filha da PM Gisele em julgamento

A filha da policial militar (PM) Gisele Alves Santana será ouvida pela Justiça em uma das audiências de instrução que apura o feminicídio da soldado. O réu é o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, cujo depoimento está previsto para o dia 3 de julho, na última etapa da fase de instrução. Com 7 anos de idade, a criança será ouvida em depoimento especial.


Como determina o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o interrogatório, nesses casos, é realizado em um local próprio, com participação apenas de psicólogo ou assistente social — um desses profissionais fará as perguntas à criança, em um espaço separado. O juiz e demais participantes vão acompanhar da sala de audiência em tempo real. O depoimento é gravado e preserva o sigilo e a intimidade da criança.


A oitiva da menina foi indicada pelo Ministério Público do Estado (MPSP) e marcada pela Justiça. No mesmo dia em que ela presta depoimento, também serão ouvidos familiares de Gisele, como a mãe, o pai e o irmão dela, além do ex-marido, pai da criança.

Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto

Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio
Oficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais
Como será “depoimento especial” da filha da PM Gisele em julgamento - imagem 5
Publicação no Diário Oficial garante salário integral ao coronel, que somou mais de R$ 28 mil, enquanto a PM Gisele recebia R$ 7 mil

Criança relatava brigas intensas entre o casal

A filha de Gisele morava com ela e Geraldo em um apartamento no Brás, na região central de São Paulo, onde a soldado foi encontrada morta com um tiro na cabeça. Ela não estava no imóvel no momento do disparo.

Desde que passou a morar no local, a criança relatava ao pai a ocorrência de brigas constantes e intensas entre o casal. Na véspera da morte de Gisele, em 17 de fevereiro, a menina foi buscada pelo pai e entrou no carro chorando, dizendo que não queria voltar para o apartamento porque não aguentava mais as brigas, segundo relato do genitor.

Amigas da soldado também relataram que a criança apresentava sinais de abalo psicológico, como perda de peso e episódios de enurese noturna (xixi na cama) após passar a conviver com o tenente-coronel.


Relembre o caso

  • A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
  • Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
  • Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
  • Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
  • Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da esposa.
  • A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel.
  • O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
  • A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 17 de março.
  • Ele foi preso no dia seguinte em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

(Informações Metrópoles)

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