A morte das ideologias
História – 12/05/2008
Wilson Rodrigues Carvalhos narra o reencontro de um grupo de amigos que acreditava ser possível mudar o mundo.
O ano de 1989 foi um dos mais movimentados no cenário político mundial. Foi um ano decisivo para o advento de uma nova ordem mundial, sobretudo com eventos como o início da derrocada definitiva da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a queda do Muro de Berlim.
No Brasil não foi diferente. Foi nesse ano que se realizou a primeira eleição direta para a Presidência da República, após 26 anos de Ditadura Militar. Foi o único pleito, no período da Nova República, que ficou conhecido como “eleição solteira”, pois foi escolhido apenas o presidente. Foi o ano em que Fernando Collor derrubou Lula e ascendeu à presidência, cargo do qual foi deposto de forma humilhante, em 1992.
É neste ano que transcorrem os principais eventos narrados no livro Nós, os revolucionários, do escritor Wilson Rodrigues Carvalho. É o segundo livro do romancista paulista, radicado em Dourados e que se diz apaixonado pela cidade. A trama tem início em 2004, quando um grupo de amigos, todos ex-estudantes do mesmo colégio, em Porto Alegre, se reencontram. A partir de curtos flashbacks, o narrador apresenta cada um dos amigos e deixa explícita sua decepção ao perceber que eles haviam se tornado tudo o que sempre combateram e odiaram, na época em que eram estudantes tomados pela ideologia comunista e pelo ideal de viver em mundo melhor.
Segundo o escritor, existem elementos autobiográficos no enredo, mas eles se limitam à análise dos eventos históricos. “Na época, eu tinha 16 anos, era filiado ao PCdoB, e acreditava num sistema comunista como a salvação de tudo. Mas, ao mesmo tempo, me perguntava o que eu queria salvar, e como poderia salvar algo implantando, no Brasil, um sistema de governo que estava em ruínas, principalmente no Leste da Europa”. O escritor confessa que uma das motivações que teve para escrever o livro foi reencontrar alguns amigos que tinham se transformado em capitalistas selvagens, ou seja, tudo aquilo que eles combatiam, nos idos de 1989.
“É uma narrativa da decepção e do reconhecimento de que nosso poder de mudar o mundo é bem menor do que alguns nos fazem supor. Não podemos mudar o mundo por meio da política partidária, nem das ilusões. Mas continuo acreditando, como diz o narrador do livro, que se não é possível o fim do capitalismo, é possível um capitalismo mais humano.” (Nicanor Coelho)
Fonte: Folha de Dourados



