Ferrugem asiática chega ao MS e a Embrapa está alerta
Rural – 08/12/2007
A ferrugem asiática da soja atrasou mais de 20 dias, de acordo com o sistema de alerta do Consórcio Antiferrugem, mas o primeiro foco no país já foi identificado em Aral Moreira-MS. A doença tem como maior característica, a rápida propagação, desta forma, faz-se necessário que produtores de todo o país estejam alertas e cientes das medidas de prevenção e controle.
O parasita é disseminado pelo vento e por isso sua dispersão é veloz. Além disso, a soja é tida como maior hospedeira.
Para aumentar a preocupação do agricultor, sua evolução depende de condições climáticas, mais precisamente da freqüência de chuvas. A presença de água na superfície da folha é um componente essencial para o início do processo de infecção.
“O fungo se desenvolve em ambientes úmidos. Chuvas freqüentes são ideais para o estabelecimento do parasita. No Rio Grande do Sul, por exemplo, na safra 2004/05, ocorreu uma grande estiagem e houve poucos focos de ferrugem, porém muitos produtores perderam a lavoura por falta de chuva”, explica Alexandre Roese, fitopatologista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Dourados-MS.
Quanto à pulverização com fungicidas, ela deve ser feita assim que o primeiro indício de ferrugem for detectado. Atualmente, o mercado dispõe de produtos com alto potencial de eficiência e registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e os custos de uma aplicação, em relação ao ano passado, estão 13,2% menores, conforme informações do socioeconomista da Embrapa em Dourados, Alceu Richetti. “A inclusão de novos produtos tornou o mercado mais competitivo e isso se refletiu na queda dos preços”.
O pesquisador relata que o controle químico corresponde ao valor de 1,1 a 1,9 sacas de soja por hectare. “Na safra passada, as perdas chegaram a 2,17 sacas por hectare, ou seja, a preços de hoje, R$ 75,95 por hectare. Como o custo de uma aplicação para a próxima safra está estimado, no máximo, em R$ 49,15, a economia é de R$ 26,80”.
“Em condições ótimas para o desenvolvimento da doença, as perdas na produtividade da soja podem chegar a até 80%. É altamente viável ao produtor realizar o controle da ferrugem”, destaca Alceu.
Vazio sanitário – atendendo a demanda do setor agrícola, estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, instituíram leis estaduais estabelecendo um período de 90 dias entre a colheita e o plantio da nova safra em que não se cultiva soja.
A medida retarda a disseminação da ferrugem asiática e de acordo com a lei, a semeadura obedece ao que está previsto no zoneamento agrícola dos estados e o desrespeito é passível de multa. “Como a soja é considerada o principal hospedeiro do fungo, a ausência dela é fundamental no combate à ferrugem”, afirma o fitopatologista Roese.
Agora, todas essas técnicas somente terão resultado se o sojicultor estiver atento à lavoura. “O monitoramento das plantas é o melhor método de controle. Assim que notar o surgimento do fungo, o produtor deve procurar um laboratório para confirmação da amostra e efetuar o controle com fungicida, além de avisar a Iagro”, recomenda.
Maiores informações: www.cpao.embrapa.br, www.consorcioantiferrugem.net e (67) 3425-5122.
Fonte: Folha de Dourados



