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‘Coreia’, por José Tibiriçá Martins Ferreira

Achei tão interessante esse vídeo da arquiteta Vanessa Senatore, resolvi compartilhar e tecer alguns comentários complementares.

COREIA

Esse era o nome que se dava ao local onde as mulheres, muitas trazidas jovens do Paraguai, menores, sem documentos viviam em casas em nossa cidade. Lembro-me que na época menino como eu, éramos proibidos de passar por ali por recomendação de nossso pai e mãe.

Moro a cerca de 200 metros da Coreia, pois ela começava a partir da Avenida Weimar Goncalves Torres, existia na década de 60 uma senhora de nome Silvarina próximo de onde moro há quase 50 anos, uma pessoa discreta, mantinha uma casa de tolerância muito frequentada onde tinha suas borboletas a disposição dos seus clientes.

Coreia era uma palavra muito pesada na época, vou relatar um fato que aconteceu quando estudava no Colégio Erasmo Braga em 1963. Tradicionalmente entravámos pela Rua João Rosa Góes como é até hoje, de um lado as meninas numa fila e os meninos do outro, parece que era do lado direito.

Tínhamos um diretora muito enérgica e naquele ano tivemos vários professores, Edina Máximo Rodrigues, Guiomar Rabelo Mota e finalmente um ministro evangélico que não me recordo o seu nome. Na sala de aula os meninos sentavam de um lado e as meninas do outro e certa vez nosso professor numa aula de geografia ao falar sobre os países asiáticos discorrendo sobre sua localização aconteceu um fato surpreendente.

Já tínhamos as duas Coreias a do Norte e do Sul que se dividiram em 1950 tornando-se dois países. Quando ele pronunciou o nome Coreia as meninas baixaram a cabeça e a molequada começou a rir, então o professor pediu que todos ficassem em silêncio. Explicou que a palavra não tinha nenhum significado feio e com relação a que as pessoas taxavam esse nome com dois significados em regiões diferentes.

Que as meninas podiam olhar para o alto que nossa lingua era muito rica em palavras e que muitas vezes se confundiam. Explicou que Corea é um nome que se dava a um lugar de diversão não recomendado em alguns lugares como no Brasil e que em Dourados também. Quanto a Coreia eram dois países que se dividiram em 1950, mas um nome que não tinha o significado que os meninos estavam pensando.

Aqui a plavra soava com um termo pesado, outros chamavam de casa de tolerância, baixo meretrício, como o da Ilda, Mariasinha e outras. Muitas dessas pessoas iam à igreja e as beatas saiam de perto, muitas vezes reclamavam da presença delas ao padre.

A Igreja nunca se preocupou com as presenças, afinal tem uma passagem bíblica em que os fariseus interpelaram a Jesus sobre Maria Madalena, pois queriam apedrejá-la. Jesus então perguntou a eles que se ali ninguem tinha nenhum pecado, podia jogar a primeira pedra. Diante da pergunta, recuaram, abandonaram as pedras e sairam devagarzinho.

Hoje existe muitas casas de tolerância pela cidade, boates e cada um tem liberdade de frequentar conforme sua conciência e leve a vida que quiser, desde que não atrapalhe a vida do outro. Na Coreia existia o kippŭmjo, um suposto conjunto de grupos de aproximadamente 2.000 mulheres e meninas mantido pelo chefe de Estado da Coreia do

Norte com a finalidade de proporcionar prazer, principalmente de natureza sexual, e entretenimento para altos funcionários do Partido dos Trabalhadores da Coreia (PTC) e suas famílias, bem como, ocasionalmente, convidados distinguidos.

As suas prostitutas eram conhecidas como manjokcho da satisfação e eram organizadas como parte do kippŭmjo, sendo recrutadas entre virgens de 14 a 20 anos, treinadas por cerca de 20 meses e, muitas vezes, “obrigadas a se casar com guardas de Kim Jong-il ou heróis nacionais” quando completavam 25 anos.

Para uma garota selecionada para servir no kippŭmjo, era impossível recusar, mesmo que fosse filha de um dirigente do partido. As manjokcho eram obrigadas a manter relações sexuais com altos funcionários do PTC. Seus serviços não estavam disponíveis para a maioria dos homens norte-coreanos.

Essa cultura se espalhou até para o Brasil. Sabemos que a palavra família hoje para muitos perdeu o conceito antigo, houve uma mudança radical no mundo e com isso aumentou a violência, o feminicídio, passando a mulher ser para uma grande maioria de um objeto de prazer que pode ser descartado a hora que cada um desejar.

A politica brasileira não vê esse lado, a maioria pensa somente em conquistar o poder e os principios fundamentais da família deixam de lado pode se ver no governo que se reelegeu para mais um mandato.

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