Wilson Matos da Silva (*) –
Penso que parte da sociedade brasileira perdeu as estribeiras diante do ódio sistematicamente alimentado contra o Partido dos Trabalhadores (PT). Mas, afinal, de onde vem tanto ressentimento?
Seria porque o PT tem, entre seus compromissos programáticos, a promoção da igualdade social e racial, a defesa dos direitos humanos, o combate à fome e a democratização do acesso à educação?
Não podemos ignorar que milhões de brasileiros historicamente marginalizados, moradores das periferias, trabalhadores e filhos das classes populares, conquistaram oportunidades antes reservadas aos mais privilegiados. As políticas sociais, a expansão do ensino superior e as cotas raciais e sociais ajudaram a romper barreiras históricas.
Enquanto as classes A e B preservaram, em grande medida, seus privilégios, foram especialmente as classes C e D que experimentaram importantes avanços sociais e oportunidades de ascensão.
É preciso compreender que a inclusão dos pobres não significa a exclusão dos ricos. A conquista de direitos por uns não representa a perda de direitos por outros!
O eleitor brasileiro precisa despertar para essa realidade. Lula não será eterno, e o próprio PT terá de construir seu futuro para além de sua maior liderança. Portanto, não há razão para transformar divergências políticas em ódio permanente.
Mais preocupante ainda é a possibilidade de entregar os destinos da nossa nação a projetos políticos que coloquem em risco nossa soberania, especialmente quando estão em jogo riquezas estratégicas, como as terras raras, e interesses de grandes potências estrangeiras.
O Brasil não pode trocar sua soberania pela subserviência, nem permitir que o ódio seja mais forte que a razão.
O voto precisa ser um instrumento de consciência, justiça social e defesa dos interesses nacionais, jamais uma manifestação de ressentimento.
É possível divergir sem odiar, combater ideias sem destruir pessoas e defender convicções sem perder a ternura.
(*) Advogado Indígena e Jornalista.





