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Laerte Tetila: Privilégios & desigualdade social

Laerte Tetila (*) –

Amigos e amigas, a humanidade, depois de haver conduzido milhões à fome e à miséria, como contraponto acabou criando valores universais, como os da Revolução Francesa, focados na Igualdade, Liberdade e Fraternidade; os da Carta Universal dos Direitos Humanos, onde consta “Todos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”; os da Constituição Federal, também pautados na dignidade da pessoa humana e, como ponto alto da cristandade, no “Eu vim para que todos tenham vida” (João, 10,10).

Apesar disso, muitos não querem enxergar o tamanho da desigualdade, em países como o nosso, mesmo estando ele entre as 10 maiores potências econômicas do mundo. E, por incrível que pareça, entre as cinco mais desiguais, num universo de 195 países.

Ocorre que, segundo analistas, como José Kobori, “os estados foram criados para proteger aos mais pobres e não os mais ricos”. Inclusive, fala do Brasil “com um modelo econômico invertido e montado para isso”. Daí ser um país conduzido pelos donos das grandes fortunas e apoiados por suas mídias, seus lobistas e seus asseclas. Um tipo de gente que sempre achou que os privilégios dos ricos sempre foram poucos e os poucos auxílios aos pobres sempre foram muitos.

Nesse contexto, de elementar evidência é que lideranças parlamentares neoliberais e de extrema-direita, que não são poucos, votam, sem nenhum pudor, contra a retirada de Imposto de Renda dos mais pobres, retirada dos Impostos dos alimentos mais consumidos pelo povo, pela redução do sagrado direito à aposentadoria, dentre outros.

São lideranças que, às centenas, por razões não confessáveis, mas bem perceptíveis,  também postam-se em favor das elites econômicas, apoiando benesses de todo tipo, dentre elas:  benefícios fiscais, subsídios fiscais, isenções fiscais, incentivos fiscais, renúncias de receita, desonerações, empréstimos, renegociações,  a fim de que milionários se tornem bilionários, enquanto pautam os pobres com a verborreia de sempre: ajustar, enxugar, reduzir, retirar, conter, achatar, congelar,  cotar e cortar.

Acontece, porém, que nos horizontes deste país, depois da longa clivagem social, eis que surge uma esperança. Uma nova vertente política, disposta a pegar no cabo de guerra, o que vale dizer:  colocar os pobres no Orçamento da Nação e os ricos no Imposto de Renda; implantar políticas públicas para retirar o país de vexames até universais, como o do Mapa Mundial da Fome, seguindo o exemplo dos humanistas do mundo e guiados pela ordem sacra: “Amai-vos uns aos outros, como Eu voz amei!”

 (*) Laerte Tetila é geógrafo, foi professor e chefe de Departamento/UFMS, vereador, deputado estadual e prefeito de Dourados-MS. Mestre pela USP, autor de cinco livros, dentre eles, “Meio Ambiente – Mato Grosso do Sul em Foco” e “Que Cristianismo é Esse?”                                                                                                                       

Laerte Tetila: Privilégios & desigualdade social
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