Ele: Uma procura infinita

Uma história de um homem, “Ele” , à procura de uma companheira, em meio a uma quantidade de filhos e de mulheres
Já a partir da exuberante introdução – o personagem Ele tem dezenas de filhos e vive envolvido com dezenas de mulheres –, o leitor/leitora deste Ele: uma procura infinita é fisgado pela força narrativa do texto. A volúpia estilística, reforçada pela original arquitetura dos capítulos, deixa a gente sem ar. Pela descrição, o Ele é cafuzo – “gotas de sangue negro… os fios de cabelo (…) certamente o lado indígena da família” , mistura étnica que sublinha o lá e cá narrativo, numa bela e rica estratégia literária.
Narrado na terceira pessoa por mais de um narrador, Mazé, com coragem, foge assim da subjetividade que marca a literatura ocidental no século XXI. Não falta emoção no romance. “Ele merece morrer! Vou matá-lo” − frase que, claro, vem de uma das várias mulheres! O engenheiro construtor, o ELE, nos olha por sobre os ombros das mulheres (para ele simples fêmeas!) via a alternância narrativa. Sua mãe parece lhe dar algum norte na vida, o Norte que ela deixou em busca de uma vida melhor e que não aconteceu. Há um final trágico na trama.
O domínio romanesco da Mazé é evidente, a originalidade da “intrigue” , a sequência capitular, a escritura e o tema em si bem o provam. Obra importante na nossa literatura.
Godofredo de Oliveira Neto
Romancista, Professor Emérito da UFRJ e membro da ABL PRESS RELEASE ELE: UMA PROCURA INFINITA Uma história de um homem, “Ele” , à procura de uma companheira, em meio a uma quantidade de filhos e de mulheres
Mazé Torquato Chotil é jornalista e autora. Doutora (Univ. Paris VIII) e pós-doutora (EHESS, Paris). Nasceu em Glória de Dourados (MS), morou em Osasco (SP) e mudou-se para a França em 1985.
É autora de 15 livros publicados — entre romances, biografias e ensaios —, dos quais seis em francês. Entre eles, destacam-se Mares agitados: na periferia dos anos 1970, Lucy Citti Ferreira: a pintora esquecida do modernismo, Maria d’Apparecida: negroluminosa voz e Lembranças do sítio.
Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono), é fundadora e foi a primeira presidente da UEELP – União Europeia de Escritores de Língua Portuguesa. Escreveu — e continua escrevendo — para a imprensa brasileira e para sites europeus.
Recebeu o Prêmio da AILB, categoria Romance, em 2025, com Mares agitados: na periferia dos anos 1970, e o de Biografia, em 2022, pela obra Maria d’Apparecida: negroluminosa voz.
MAZÉ TORQUATO CHOTIL https://www.facebook.com/mariajose.chotil/ – https://www.instagram.com/mazetorquatochotil/ – https://www.youtube.com/@mazetorquatochotil3299




