Já imaginou ter que levar mais de 30 picadas de abelha por semana — e ter que aplicar as picadas em si mesma? Essa é a drástica rotina adotada pela norte-americana Savannah Spoor, de 23 anos, como último recurso na tentativa de mitigar as sequelas devastadoras da doença de Lyme, uma infecção bacteriana transmitida pela picada de carrapatos do gênero Ixodes infectados pela bactéria Borrelia burgdorferi.
A condição, que já afetou famosos como Justin Bieber, Justin Timberlake e Avril Lavigne, ataca a pele, as articulações (provocando dores intensas e artrite) e pode comprometer o sistema nervoso e o coração.
Natural de Seattle, nos Estados Unidos, Savannah levava uma vida normal em 2021: cursava faculdade, viajava e planejava abrir um negócio com a irmã. Porém, em 2023, sua saúde colapsou subitamente.
“Levantei-me da mesa de jantar e o mundo inteiro ao meu redor começou a girar. E isso não parou por anos”, relatou a jovem em entrevista à revista People.
A partir daquele momento, a norte-americana passou a conviver com tonturas incansáveis, dores de cabeça, náuseas, dormência, confusão mental para lembrar palavras e alterações na visão e na audição. Savannah recorreu a dezenas de especialistas, de cardiologistas a neurologistas, ouvindo repetidamente que não tinha um problema médico agudo.
Quando o teste finalmente deu positivo para a doença de Lyme, Savannah sentiu alívio: “Ninguém deseja um resultado positivo no teste, mas quando você passa anos procurando respostas, a única coisa pior do que receber um diagnóstico é não receber nenhum. Lembro-me de me sentir realmente validada”, desabafou.
Bateria de Tratamentos e a Decisão pela Apiterapia
O tratamento convencional para a doença de Lyme envolve antibióticos específicos por 10 a 21 dias no início da infecção. No entanto, em estágios avançados ou crônicos, sintomas residuais podem persistir indefinidamente.
Savannah tentou exaustivamente todas as terapias tradicionais e alternativas disponíveis — incluindo oxigenoterapia hiperbárica, ozonioterapia, azul de metileno e infusões de vitamina C —, mas sem obter resultados significativos. Decidiu então se submeter à terapia com veneno de abelhas (apiterapia).
O protocolo seguido por ela exige a aplicação de 10 picadas de abelha, três vezes por semana, totalizando 30 picadas semanais. As abelhas vêm de um apiário especializado na Carolina do Sul e chegam no final de seu ciclo natural de vida.
O que Diz a Ciência sobre o Veneno de Abelhas?
Estudos preliminares sugerem que a melitina, principal componente do veneno de abelha, apresenta ação antimicrobiana direta e potente efeito anti-inflamatório. Contudo, comunidades médicas alertam que ainda não há comprovação científica definitiva que garanta a eficácia ou a segurança do método contra a doença de Lyme, além de haver riscos graves de choque anafilático.
Apesar dos riscos e do desconforto, Savannah defende o método como uma alternativa de esperança:
“Eu acredito nas propriedades curativas do veneno de abelha. A terapia é um remédio antigo usado há milhares de anos e, na minha experiência, pode ser eficaz quando realizada com as medidas adequadas”, concluiu a jovem.
(Informações Portal do Ancorador)



