Juliel Batista –
Uma comissão formada por representantes do Observatório Jaguapiru & Bororó – Saneamento e da Sanesul está acompanhando a implantação do novo sistema de abastecimento de água da Reserva Indígena de Dourados. O grupo foi criado para monitorar a execução das obras, divulgar informações à comunidade e garantir transparência durante todas as etapas do projeto, considerado um dos maiores investimentos em infraestrutura voltados às comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.
O projeto prevê investimento de aproximadamente R$ 50,7 milhões e deverá beneficiar cerca de 30 mil moradores das aldeias Jaguapiru e Bororó, ampliando o acesso à água tratada e melhorando as condições de saúde e qualidade de vida das famílias.
A primeira reunião de alinhamento entre a equipe técnica do Observatório, representantes da Sanesul e do Governo do Estado ocorreu no dia 7 de junho. O encontro reuniu o coordenador do Observatório, Laerte Tetila, a assessora técnica Joana Romero, técnicos da Sanesul e representantes do governo estadual para discutir o planejamento da execução do convênio firmado em janeiro deste ano.
Durante a reunião, a Sanesul apresentou o projeto técnico elaborado para atender o crescimento populacional das duas aldeias até 2033, definindo as diretrizes para acompanhamento da obra e da aplicação dos recursos.

O que já foi feito
Além da criação do Observatório e da realização da primeira reunião de alinhamento, a execução do projeto entrou na fase prática com a publicação dos dois primeiros avisos de licitação pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).
Os editais contemplam a perfuração dos poços profundos e parte da implantação da rede de distribuição de água, com investimento inicial de R$ 4,49 milhões em cada contrato. Os recursos são provenientes do Ministério da Saúde, por meio da Caixa Econômica Federal, enquanto a execução das obras ficará sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog).
Após o encontro, a equipe do Observatório elaborou o primeiro boletim informativo destinado à comunidade, reunindo as informações oficiais disponíveis sobre o andamento do projeto.
Em conversa com a Folha de Dourados, uma das idealizadoras do Observatório, Joana Romero, explicou que, desde a reunião inicial, não houve alterações no cronograma.
“Depois da reunião começamos a contactar a equipe, elaboramos o boletim, encaminhamos para aprovação e, desde então, não tivemos nenhuma novidade. As informações disponíveis continuam sendo as que constam nesse boletim”, afirmou.

Próximos passos
Segundo Joana Romero, uma nova reunião deverá ser marcada com a equipe responsável pelo acompanhamento do projeto. Em seguida, a proposta é realizar uma visita técnica aos locais onde serão perfurados os dois poços que abastecerão as aldeias.
As próximas etapas do empreendimento também incluem a construção dos reservatórios, implantação das adutoras, estações elevatórias, sistemas de cloração e toda a infraestrutura necessária para garantir abastecimento contínuo e seguro.
Na Aldeia Bororó, o projeto prevê a perfuração de um poço profundo com capacidade de produzir 150 mil litros de água por hora, além de mais de 103 quilômetros de rede de distribuição e 2.904 ligações domiciliares.
Já na Aldeia Jaguapiru serão implantados outro poço profundo, aproximadamente 81 quilômetros de rede de distribuição e 3.087 ligações domiciliares. As duas comunidades também receberão reservatórios com capacidade total superior a 1 milhão de litros de água, garantindo segurança operacional e atendimento à demanda projetada para os próximos anos.
Papel do Observatório
O Observatório Jaguapiru & Bororó – Saneamento foi criado para atuar como instrumento de monitoramento e informação junto à população indígena. Entre suas atribuições estão acompanhar o cronograma das obras, divulgar informações oficiais, esclarecer dúvidas da comunidade, registrar avanços e desafios e produzir boletins periódicos sobre a execução do projeto.
A iniciativa busca fortalecer o controle social e aproximar moradores, lideranças indígenas e órgãos responsáveis pela implantação daquele que é considerado um dos maiores investimentos em saneamento já destinados às aldeias de Dourados.
Carta pública de criação do Observatório





