Redação –
O coordenador de Regulação Assistencial de Leitos da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ed Carlo Britto Burgatt, de 51 anos, preso durante a Operação Gutenberg, recebia remuneração mensal em torno de R$ 38 mil. Ele é um dos investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em um suposto esquema de fraudes em contratos públicos que pode ter causado prejuízo de aproximadamente R$ 27 milhões aos cofres públicos.
Responsável por uma área estratégica da saúde estadual, ligada à gestão de vagas hospitalares da rede pública, o servidor foi preso durante o cumprimento de mandado na manhã de terça-feira (7). Após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (8), a prisão foi convertida em preventiva.
Dados do Portal da Transparência do Governo de Mato Grosso do Sul mostram que Ed Carlo possui remuneração fixa de R$ 32.428,98. Em alguns meses, no entanto, o valor aumenta devido ao pagamento de verbas eventuais. Em abril, por exemplo, ele recebeu R$ 29.369,95 em remuneração adicional, totalizando R$ 44.149,24 líquidos após os descontos. Como essas verbas variam mensalmente, a remuneração também oscila conforme o período.
Ainda segundo informações disponíveis no Portal da Transparência, o servidor declarou residir no bairro Panamá, em Campo Grande, e informou ser portador de hipertensão.
Investigação
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Ed Carlo integra a organização criminosa investigada por supostos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraudes em contratações públicas.
As investigações apontam que empresários teriam cooptado agentes públicos para direcionar compras, principalmente na área da Saúde e na aquisição de livros paradidáticos. Conforme o MPMS, os recursos obtidos com o suposto esquema eram distribuídos entre diversas pessoas e empresas para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Medidas do Governo
Em razão da investigação, o Governo de Mato Grosso do Sul informou que os servidores envolvidos serão afastados ou exonerados de suas funções. Além disso, será realizada uma auditoria na Secretaria de Estado de Saúde para apurar os procedimentos administrativos relacionados às áreas alcançadas pela operação.
Em nota, a administração estadual afirmou que mantém políticas de compliance e transparência e informou que a Controladoria-Geral do Estado acompanhará as investigações em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde.
A Operação Gutenberg investiga um esquema que teria fraudado contratos públicos nas áreas da Saúde e da Educação, com prejuízo estimado em R$ 27 milhões aos cofres públicos. As investigações seguem em andamento para apurar a participação de cada um dos envolvidos.



