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‘Você sabe que esta b… nunca prestou’, disse piloto antes da queda de avião

Representantes das famílias das vítimas do acidente aéreo com voo 2283 da Voepass, que caiu em um condomínio em Vinhedo em 9 de agosto de 2024, participaram de uma reunião na sede da Polícia Federal em Campinas nesta terça-feira (30), na qual tiveram acesso à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave antes da tragédia e ao laudo feito pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal sobre o acidente.

Segundo os documentos, a aeronave já tinha problemas sérios com gelo no trecho entre Guarulhos e Cascavel, ou seja, na viagem de ida. Em um determinado momento neste percurso, com a aeronave apresentando problemas pelo excesso de gelo em suas asas, um dos pilotos da aeronave chega a dizer: “Você sabe que esta bosta nunca prestou”.

Em outro trecho, ainda no voo de ida, os pilotos chegam a manifestar alívio por não terem caído após passarem por duas situações complexas com os defeitos da aeronave nesta etapa do trajeto.

Esta investigação feita pela PF tem o objetivo de buscar as responsabilidades cíveis e criminais em relação ao acidente, diferente da investigação feita pelo CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) da Força Aérea Brasileira, que tem como foco uma apuração detalhada e rigorosa dos fatores que contribuíram para o acidente, para fins de prevenir que as falhas humanas, operacionais e técnicas se repitam no futuro.

A perícia feita pela Polícia Federal aponta ainda que o sistema de degelo da aeronave, modelo ATR-72-500, prefixo PS-VPB, já não funcionava corretamente havia tempo, e que o piloto que operou o avião em voo anterior ao acidente chegou a perceber o problema, mas não fez o registro formal exigido no diário de bordo.

A investigação da PF foi além do dia do acidente; analisaram cerca de dois meses de voos anteriores da aeronave e identificaram um “modus operandi” recorrente na empresa, que envolvia a ausência de manutenção e de registro de defeitos para não interromper a operação da aeronave.

O inquérito sinaliza ainda que a aeronave tinha vários defeitos anteriores e que não deveria ter sido liberada para voar em condição de chuva e possível formação de gelo.

A transcrição da caixa-preta mostra ainda que, nos minutos finais do voo, a aeronave já dava sinais de perda de sustentação, mas a tripulação manteve um tom de calma, repetindo apenas a palavra “gelo” diversas vezes, sem verbalizar nenhum protocolo de emergência.

O inquérito deve ser concluído neste mês de julho, antes de seguir ao Ministério Público Federal. O delegado responsável pelo caso deve pedir o indiciamento de pessoas ligadas à liberação da aeronave, sua manutenção e à “cultura” da empresa de ignorar procedimentos para manter a operação.

(Inforamções R7)

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