Um dos jovens investigados no caso do cão Orelha, Igor Zampieri, quebrou o silêncio nesta quinta-feira (25), por meio de vídeo nas redes sociais.
Ele e mais três adolescentes foram acusados de terem participação na morte do cão comunitário, em janeiro deste ano. O caso foi arquivado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), em maio deste ano.
No vídeo, Zampieri desabafa sobre as “milhares de pessoas” que chamaram ele de assassino e reforça que são pessoas que não o conhecem, não sabem que ele é e que nunca ouviram a versão dele da história.Receba no WhatsApp as principais notícias da Grande Florianópolis
“Até aqui, eu e minha família ficamos em silêncio. Muitas pessoas viram esse silêncio como forma de culpa. Porém, só estava respeitando o processo que foi pedido pelas autoridades”, disse.
Jovem comenta sobre fotos vazadas e julgamentos
Igor lamentou que, durante o silêncio por conta do sigilo do processo, fotos dele e de outros adolescentes foram vazadas e julgamentos foram proferidos “sem me conhecer, sem jamais ter ouvido a minha versão, sem jamais saber o que realmente aconteceu”, relata.
Ele diz ainda que o período foi difícil para ele e que jamais faria algo parecido.
“Quem teve acesso aos autos do processo sabia disso, eu sabia disso. Mas mesmo depois das autoridades terem analisado tudo, da justiça ter arquivado o processo e ficado provado que eu não fiz nada, muitas pessoas seguem me chamando de assassino”, desabafa.
“Não me importo com CPI”
Ele finaliza que chegou a vez dele de falar sobre o caso e reforça que é preciso entender “como alguém pode ser condenado apenas por boatos das redes sociais, sem as pessoas realmente conhecerem a verdade”.
“Eu sempre quis que todos soubessem a verdade. Por isso, não me importo com CPI. Só vai mostrar mais uma vez pra todo mundo a minha inocência”, finaliza.
Relembre a cronologia da morte do cão Orelha
- 5h17: Câmeras do deck de um condomínio registram o céu ainda escuro. Segundo o MPSC, esse horário estava adiantado em cerca de 30 minutos em relação ao horário real;
- 5h18: Já no sistema público Bem-Te-Vi, Orelha aparece circulando próximo da casinha onde vivia, com o ambiente completamente claro;
- 5h24: O cão é visto mais próximo da faixa de areia da Praia Brava;
- 5h28: Em outro ponto da região, a cerca de 600 metros de distância, um adolescente investigado inicialmente entra em um condomínio, segundo imagens analisadas pelo Ministério Público;
- 6h05: O adolescente retorna à praia e permanece no local por cerca de dois minutos;
- 6h07: O adolescente volta para o prédio;
- 6h34: Orelha é novamente registrado próximo ao condomínio;
- Entre 6h37 e 7h39: O cão aparece caminhando pela rua em diferentes registros de câmeras de monitoramento;
- Por volta das 14h: Surge o primeiro relato de que Orelha estaria machucado, segundo o parecer do Ministério Público;
- Após o resgate: O cão é levado para uma clínica veterinária apresentando inchaço no focinho e no olho esquerdo, além de sangue na região, mas sem cortes, fraturas ou lesões externas típicas de espancamento, conforme o MPSC;
- Depois da morte: A perícia identifica uma infecção óssea grave na região maxilar esquerda. O Ministério Público conclui que os elementos técnicos apontam para um quadro clínico preexistente, e não para agressões recentes.
Justiça aceitou pedido de arquivamento do processo
A Justiça de Santa Catarina aceitou o entendimento do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) pelo arquivamento total do caso do cão Orelha, morto no início do ano, na Praia Brava, em Florianópolis. A decisão aconteceu em 15 de maio.
De acordo com o pedido do MPSC, as provas apresentadas pela PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina) não seriam suficientes para confirmar o envolvimento do adolescente na morte do cão.
CPI do cão Orelha é rejeitada na Alesc
Na Alesc (Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina), menos de duas semanas após conseguir as assinaturas suficientes para a abertura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar a morte do cão Orelha, a pauta pode ser engavetada após o deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT) retirar a sua assinatura do processo.
(Informações R7)



