A mãe do adolescente Caio Vinicius de Oliveira, de 15 anos, que morreu um dia após ter sido atendido e liberado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Prado, em São Carlos (SP), questiona o atendimento médico oferecido ao menor, que foi liberado sem que exames fossem realizados.
“A médica não fez nada, nem relou nele. Só olhou para ele e medicou”, disse Beatris Regina de Lima.
O caso foi registrado na Polícia Civil como morte natural, mas a família questiona a conduta médica e o socorro prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
De acordo com Beatris, o filho passou mal e desmaiou em casa na madrugada de quinta-feira (25). Caio foi atendido pelo Samu e por um médico da Unidade de Suporte Avançado (USA), mas não resistiu.
Em nota, a Prefeitura de São Carlos informou que o adolescente deu entrada na UPA da Vila Prado às 5h17 de quarta, e foi liberado duas horas depois porque não apresentava sinais graves, segundo a equipe médica.
Beatris afirmou que Caio era saudável e manteve a rotina normalmente na terça-feira (23). O adolescente apresentou vômitos e fortes dores abdominais na madrugada de quarta-feira (24), e foi levado de carro à UPA.
“Eu falei que ele não parava de vomitar, estava com muita dor na barriga. Ele não parava de se contorcer na frente dela. Retornei e falei que não dava para levar ele embora e deram outra medicação. Uma delas disse que deveria ser uma virose”, contou.
A mãe afirmou que a médica só olhou para o filho e que, apesar da persistência dos sintomas, nenhum exame foi solicitado. Durante a ida à UPA, Caio passou por atendimento com duas médicas que, segundo Beatris, não teriam realizado avaliação detalhada do adolescente.
Liberado após medicação
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UPA da Vila Prado em São Carlos — Foto: Vitor Diagonel/EPTV
Caio recebeu medicações na veia, entre elas dipirona, mas continuou se queixando de dor. Ela retornou ao consultório para informar que o filho não havia melhorado. Depois disso, uma nova medicação com decadron e dramin foi administrada.
Após receber os medicamentos, Caio disse que a dor havia amenizado e foi liberado para voltar para casa. Durante o restante do dia, segundo a mãe, o adolescente permaneceu debilitado, com fraqueza e dificuldade para ficar em pé. Ele comeu uma refeição leve e tomou bebida isotônica para reidratação.
Mas, na madrugada de quinta, o quadro piorou. Beatris relatou que o filho a chamou dizendo que estava com dor no peito e tontura. Pouco depois, ele perdeu a consciência no sofá da sala da família.
“Ele dormiu por volta das 21h, mas por volta das 3h ele me chamou e quis ir para o sofá. Depois de um tempo, ele me gritou, e fui correndo ver. Ele disse que estava com dor no peito e caiu de lado no sofá, já com a boca branca”, disse.
Atendimento do Samu
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Caio Vinicius de Oliveira, 15 anos, morreu um dia após atendimento na UPA da Vila Prado, em São Carlos — Foto: Arquivo pessoal
A família acionou o Samu e, conforme relato da mãe, a primeira ambulância chegou rapidamente ao local, mas ela alega que houve demora no início do atendimento porque a enfermeira que estava na unidade móvel teria permanecido dentro da ambulância.
Beatris afirmou que a enfermeira só entrou na residência após alguns minutos, quando Caio já estava inconsciente. Em seguida, foram iniciadas as manobras de reanimação. Uma segunda ambulância, com médico, chegou pouco depois para auxiliar no atendimento.
A mãe acredita que houve falhas tanto no atendimento prestado na UPA quanto na atuação inicial do Samu. Ela registrou boletim de ocorrência e diz possuir imagens de câmeras de segurança da residência que, segundo ela, registraram a chegada da ambulância e parte da abordagem da equipe.
O corpo de Caio foi encaminhado para o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) de Américo Brasiliense para apuração da causa da morte.
O velório aconteceu sexta-feira (26), das 10h às 14h no Velório Nossa Senhora do Carmo. Em seguida, o sepultamento será realizado no Cemitério Santo Antônio, em São Carlos.
(Informações g1)



