O inquérito da Polícia Civil concluiu que os policiais militares que entraram armados, após um pai reclamar sobre o desenho da orixá Iansã feito pela filha, seguiram o protocolo da corporação. A investigação, porém, foi encerrada antes da análise completa das imagens das câmeras corporais da ocorrência, obtidas pelo g1.
Em novembro do ano passado, 12 policiais, um deles armado com um fuzil, foram acionados para atender uma ocorrência de intolerância religiosa na escola infantil. Soldado da PM, o pai da criança de 4 anos alegou que a unidade estaria obrigando a filha a ter “aula de religião africana”.
As imagens mostram que o tenente Ronald Camacho, comandante da equipe, acusou a então diretora da escola de tentar “ditar sua ideologia” ao explicar as atividades sobre cultura afro-brasileira desenvolvidas em sala de aula.
Questionada sobre a conduta dos agentes, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) explicou que o fuzil do tenente “foi mantido fixado à bandoleira [uma alça utilizada para carregar armas longas], em posição segura e sem manuseio ostensivo, em cumprimento aos protocolos de segurança operacional”.
Segundo a pasta, o oficial é proibido de deixar o armamento letal na viatura por questões de segurança e para evitar o extravio.
Para o ex-policial federal, Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o episódio pode ser classificado como abuso de poder.
“De forma alguma faz sentido você ter policiais militares em grande quantidade armados com armas, inclusive letais, dentro de uma escola pra você tratar de uma ocorrência que não envolve qualquer nível de violência”, afirma Uchôa.
O caso ocorreu na EMEI Antônio Bento, na Zona Oeste de São Paulo.
(Informações g1)



