Desde 1968 - Ano 56

25.7 C
Dourados

Desde 1968 - Ano 58

InícioNoticiaComércio brasileiro vai ‘sofrer’ se decisão da UE sobre carnes não for...

Comércio brasileiro vai ‘sofrer’ se decisão da UE sobre carnes não for revertida, dizem analistas

A decisão da União Europeia divulgada nessa terça-feira (12) proíbe o Brasil de exportar animais produtores de alimentos e produtos de origem animal para países do bloco a partir de 3 de setembro de 2026, e pode impactar severamente o comércio brasileiro.

Os argumentos para a proibição se devem ao que a UE chama de uso de antimicrobianos para promover o crescimento ou aumentar a produção em animais de criação, o que não é permitido pelas regras europeias.

Segundo o governo brasileiro, medidas estão sendo tomadas e, ainda nesta quarta-feira (13), o chefe da Delegação do Brasil terá uma reunião com as autoridades sanitárias do bloco para obter mais explicações sobre a decisão.

Para internacionalistas ouvidos pelo R7, a situação é delicada e requer estratégias contundentes para que o Brasil não perca sua relevância no mercado internacional.

Leia Mais
Após decisão da UE, governo federal tenta reverter bloqueio à carne brasileira
União Europeia proíbe importações de carne do Brasil a partir de setembro
Comércio irregular de sementes ameaça qualidade da produção agrícola
“Isso pode causar um prejuízo significativo, porque os produtores vão precisar escoar essa produção para outros mercados ou até para o mercado interno, o que acaba fazendo com que o preço e a margem de lucro do produtor desse tipo de produto diminuam”, diz Rodrigo Provazzi, economista e consultor de Gestão de Risco.

Efeito dominó?
Sobre a possibilidade de a decisão influenciar outros mercados internacionais a endurecerem exigências sanitárias contra produtos brasileiros, Provazzi afirma que, em lógica, isso não necessariamente se aplica.

“A UE está exigindo de produtos importados o mesmo nível de controle que ela exige dos produtores de dentro do bloco. Mas, apesar disso, pode, sim, gerar uma maior propensão a outros países a usarem barreiras sanitárias, com fins até de barrar a entrada de produtos brasileiros, ou até aumentar o nível de fiscalização de escrutínio sobre o produto brasileiro”, pontua.

Acordo Mercosul-UE
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia passou a ser efetivamente implementado neste mês, permitindo mais conexão e diálogo entre os países do bloco. No entanto, o internacionalista João Alfredo Nyegray acredita que a situação das carnes e derivados brasileiros pode afetar, mas não necessariamente inviabilizar esse acordo.

Segundo ele, o efeito mais provável é político e narrativo. “A medida dá munição aos setores europeus contrários ao acordo, especialmente agricultores que já argumentam que o Mercosul compete com padrões sanitários, ambientais e trabalhistas inferiores. A exclusão do Brasil da lista reforça justamente esse argumento: o de que a abertura comercial precisa vir acompanhada de mecanismos rígidos de controle”, comenta.

Ele analisa que isso não significa que a UE esteja “rasgando” o acordo, mas mostra que a liberalização comercial será filtrada por barreiras regulatórias.

“Em termos práticos, o acordo pode reduzir tarifas, mas não elimina exigências sanitárias, ambientais e documentais. O Brasil pode até ganhar acesso preferencial em alguns produtos, mas continuará vulnerável se não conseguir provar rastreabilidade e equivalência regulatória.”

Para ele, o risco para o Mercosul é que o episódio transforme uma discussão técnica em crise de confiança.

“Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram autorizados, enquanto o Brasil ficou fora. Isso fragiliza a posição brasileira dentro do bloco e permite à UE negociar com mais pressão: o problema deixa de ser ‘Mercosul versus Europa’ e passa a ser ‘Brasil precisa se adequar’”, conclui.

Decisão da UE
Em nota ao R7, a União Europeia afirmou que o Brasil não poderá exportar tanto animais vivos para produção de alimentos quanto produtos derivados — como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e tripas — caso a situação não seja mudada.

“Para ser incluído na lista de países terceiros autorizados a exportar para a União, o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União sobre o uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais de onde se originam os produtos exportados”, afirmou o bloco.

Porém, em resposta, o governo brasileiro diz que recebeu com “surpresa” a decisão e quer dialogar com a UE para “garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”.

(Informações R7)

- Publicidade -

MAIS LIDAS