Juca Vinhedo –
A FRASE
“Não há como ignorar as severas repercussões na economia nacional provocadas pela conduta do réu, cujos efeitos transbordaram a esfera das autoridades públicas atingidas. A estratégia criminosa culminou em prejuízos concretos a diversos setores produtivos onerados pelas sobretarifas norte-americanas, alcançando, em última instância, trabalhadores vinculados a essas cadeias econômicas, completamente alheios aos processos penais atacados”.
(Procuradoria-Geral da República, em manifestação enviada ao Supremo, pedindo a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) por coação no curso do processo).
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Herança negacionista
O avanço lento da vacinação contra a Chikungunya em Dourados reacendeu o debate sobre os efeitos do movimento antivacina fortalecido durante a pandemia da Covid-19. Especialistas da área de saúde avaliam que o descrédito lançado contra os imunizantes nos últimos anos provocou queda generalizada na cobertura vacinal em todo o país.
Frases que marcaram
Durante a pandemia, o ex-presidente Jair Bolsonaro fez declarações que ficaram marcadas nacionalmente, como “não vou tomar vacina”, “se virar jacaré é problema seu” e “não compraremos vacina da China”. As falas alimentaram desconfiança em parte da população e ainda hoje refletem nos baixos índices de imunização registrados no Brasil.
Vacina encalhada
Mesmo com 8.275 notificações, 3.374 casos confirmados e 11 mortes por Chikungunya, a vacinação segue em ritmo muito abaixo do esperado em Dourados. Em quinze dias de campanha, apenas 2.076 pessoas procuraram as unidades de saúde para receber a dose do imunizante disponível gratuitamente.
Meta distante
A meta inicial da Prefeitura é vacinar cerca de 43 mil pessoas entre 18 e 59 anos, público definido pelo Ministério da Saúde como prioritário nesta primeira etapa. O Centro de Operações de Emergência (COE) voltou a alertar que a adesão segue muito abaixo da expectativa.
Aldeias preocupam
A situação também preocupa nas aldeias Bororó e Jaguapiru, onde a doença avança rapidamente. Entre a população indígena, apenas 597 doses foram aplicadas, apesar dos mais de 2 mil casos confirmados registrados nas comunidades indígenas de Dourados.
Corrida contra a doença
Desenvolvida pela farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan, a vacina apresentou eficácia próxima de 99% nos estudos clínicos realizados no Brasil e nos Estados Unidos. O imunizante segue disponível nas UBSs e também no PAM, em horários ampliados de atendimento.
Buraco mais fundo
A Operação Buraco Sem Fim atingiu em cheio a estrutura da administração pública de Campo Grande. Entre os presos está Rudi Fiorese, atual presidente da Agesul e ex-secretário municipal de Infraestrutura, apontado nas investigações sobre supostos desvios em contratos milionários da operação tapa-buracos.
Sob suspeita
Segundo o Ministério Público Estadual, a empresa investigada recebeu mais de R$ 113 milhões da Prefeitura de Campo Grande entre 2018 e 2025. A investigação alcança tanto a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad quanto da atual prefeita Adriane Lopes.
Dinheiro vivo
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os investigadores encontraram pelo menos R$ 419 mil em dinheiro vivo. O Ministério Público afirma ter identificado uma organização criminosa que fraudava medições de serviços para justificar pagamentos indevidos e desvio de recursos públicos.
Palco político
O deputado federal Rodolfo Nogueira, o “Gordinho do Bolsonaro”, voltou a provocar reação da oposição após utilizar um evento público em Mundo Novo para exaltar o nome do senador Flávio Bolsonaro como futuro candidato à Presidência da República. A manifestação aconteceu durante a “Festa das Nações”, promovida em comemoração aos 50 anos do município e financiada com recursos públicos.
Representação a caminho
O episódio deverá parar na Justiça Eleitoral. O advogado e professor de Direito Tiago Botelho anunciou que pretende ingressar com representação contra Rodolfo Nogueira por propaganda eleitoral antecipada. Segundo ele, o uso de evento custeado pelo poder público para impulsionar um projeto presidencial configuraria afronta à legislação eleitoral.
Estratégia bolsonarista
A nova fala de Rodolfo reforça a movimentação antecipada do grupo bolsonarista em Mato Grosso do Sul, mesmo ainda distante do calendário oficial da campanha de 2026. Aliados enxergam no deputado uma espécie de “ponta de lança” do bolsonarismo no Estado, enquanto adversários acusam o parlamentar de elevar o tom político em eventos populares e festivos.
Guerra doméstica
O PL de Mato Grosso do Sul pode ganhar mais uma dor de cabeça na montagem da chapa federal de 2026. O deputado Marcos Pollon segue brigando para disputar o Senado, mas já enfrenta turbulência também dentro da própria base bolsonarista.
Disputa em família
A possível adversária de Pollon seria a própria esposa, Naiane Bitencourt, lançada meses atrás por Michelle Bolsonaro como pré-candidata a deputada federal. Nos bastidores, chama atenção o fato de o casal sequer se seguir mais nas redes sociais.
Pesquisa virou filtro
O cenário complicou ainda mais depois que Flávio Bolsonaro afirmou, em visita ao Estado, que o PL usará pesquisas para definir o segundo nome ao Senado ao lado de Reinaldo Azambuja. Como Pollon não aparece bem posicionado nos levantamentos divulgados até agora, aliados já veem risco real de ele acabar fora da disputa majoritária.
Fogo amigo
A crise envolvendo o senador Ciro Nogueira já provoca rachaduras internas no PP. Em São Paulo, a vereadora Janaína Paschoal defendeu publicamente o afastamento do dirigente nacional após a operação da Polícia Federal que colocou o nome do senador no centro das atenções políticas da semana.
Nome de consenso
Para substituir Ciro no comando nacional do Progressistas, Janaína lançou o nome da senadora Tereza Cristina. Segundo ela, a ex-ministra da Agricultura teria perfil equilibrado e capacidade de pacificar o partido em meio à turbulência.
Cautela sul-mato-grossense
Enquanto aliados e adversários ampliam a pressão sobre Ciro Nogueira, Tereza Cristina preferiu o caminho da prudência. A senadora evitou embarcar no discurso do afastamento imediato e defendeu investigação com direito à ampla defesa, sem antecipação de julgamentos.
Patrimônio milionário
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) entrou no radar da Polícia Federal após a revelação da compra de um triplex de R$ 22 milhões e outros imóveis em São Paulo. As aquisições ocorreram no período em que ele se aproximou do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo a PF, Ciro teria recebido entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais para atuar em favor do Banco Master no Congresso Nacional. O senador nega.
Traidor?
Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro Kassio Nunes Marques assumiu a presidência do TSE prometendo justamente defender as urnas eletrônicas. Nos grupos bolsonaristas mais radicais, já tem gente olhando atravessado e se perguntando se o ministro virou “traidor” da causa.
Virada de discurso
Enquanto Bolsonaro passou anos levantando suspeitas sobre o sistema eleitoral brasileiro, Nunes Marques agora quer reforçar a confiança nas urnas e ampliar o diálogo com os TREs para garantir a manutenção do sistema eletrônico de votação. Ironia das ironias: o escolhido do bolsonarismo virou fiador institucional das urnas.





