A facção Anti-Bala foi alvo da Operação Cerco Fechado, deflagrada na quarta-feira. O bando é investigado por monitor policiais, além de coordenar um esquema de tráfico de entorpecentes na cidade. Treze pessoas foram presas.
De acordo com o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), a investigação começou em maio de 2025, após o recebimento de informações anônimas que indicavam que um líder da facção, mesmo recolhido no sistema prisional, continuava chefiando o tráfico e a distribuição de drogas. De acordo com a Polícia Civil, o grupo tinha apoio externo para suporte logístico e financeiro.
Na primeira fase da investigação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços situados em Butiá, bem como na cela ocupada pelo investigado apontado como liderança. As diligências resultaram na apreensão de cocaína, além de porções de maconha, armas de fogo, munições, aparelhos celulares, balança de precisão, valores em espécie, materiais utilizados para fracionamento e acondicionamento de entorpecentes, anotações ligadas ao controle da atividade ilícita e veículo automotor vinculado à ocorrência. Um dos investigados foi autuado em flagrante por tráfico de entorpecentes.
Ainda nessa etapa, diligências apreenderam aparelhos telefônicos, chips de telefonia e porção de substância semelhante a crack, evidenciando a relevância da comunicação ilícita mantida a partir do cárcere. O Departamento
Na sequência, a investigação avançou com a análise telemática dos aparelhos celulares apreendidos, submetidos à extração forense de dados. A partir dos registros de comunicações, contatos, arquivos, imagens e comprovantes de transferências, os policiais civis conseguiram reconstruir a dinâmica operacional da associação criminosa, identificando a divisão de tarefas entre os envolvidos, a existência de diferentes pontos de venda e a manutenção de fluxo contínuo de ordens, repasses e acertos financeiros.
Os dados extraídos evidenciaram negociações de entorpecentes, oferta e venda direta a usuários, encaminhamento de compradores para outros pontos de tráfico, cobrança de valores pendentes, repasses por meio de transferências via pix e articulação logística para entrega de drogas. As conversas também mostraram que integrantes do grupo exerciam funções específicas, como guarda de entorpecentes, intermediação de compradores, distribuição de porções fracionadas e manutenção dos pontos de venda.
A análise telemática revelou, ainda, que os investigados monitoravam a atuação policial na região, trocando informações sobre movimentações de viaturas, presença de agentes nas proximidades dos pontos de venda e situações que pudessem comprometer a continuidade da traficância. As comunicações demonstraram preocupação constante com a repressão policial e indicaram que o grupo ajustava sua atuação para ocultar drogas, reduzir exposição e preservar a circulação de entorpecentes.
Outro dado relevante é que os investigados mantinham comunicação frequente para redirecionar consumidores entre diferentes pontos de venda, definir quantidades, preços, horários e formas de pagamento, inclusive durante a madrugada.
Quanto à liderança investigada, os elementos reunidos indicaram que, mesmo recolhido ao sistema prisional, o investigado seguia exercendo ingerência concreta sobre a circulação de valores, sobre pagamentos a terceiros e sobre a dinâmica operacional do tráfico, repassando ordens, orientando movimentações e monitorando a continuidade das atividades criminosas com apoio de comparsas em liberdade.
Também foram identificados elementos de controle financeiro paralelo, com registros manuscritos contendo nomes, valores, cálculos e anotações, além de movimentações financeiras consideradas atípicas e vínculos com diversos indivíduos inseridos no mesmo ambiente relacional investigado. O conjunto dessas informações reforçou a existência de estrutura voltada à manutenção da atividade criminosa e ao gerenciamento informal dos recursos oriundos do tráfico de entorpecentes.
(Informações Correio do Povo)



