Juca Vinhedo –
A FRASE
“O assassinato de um filho, de uma filha é bem a amostragem disso. O cordão umbilical que se desata no parto aqui é estilhaçado por um sicário de ódio desmedido, de ganância insaciável, de um descaso humano sem limites. A justiça humana não é capaz de apaziguar essa dor. Esse julgamento é apenas o testemunho tímido, quase constrangido da minha parte, da resposta que o direito pode dar diante da dor”.
(Carmem Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal, durante julgamento do caso Marielle Franco, nesta quarta-feira – 25.02.26)
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Condenação histórica
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou, nesta quarta-feira (25) os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco. A decisão foi unânime. Cada um recebeu pena de 76 anos e 3 meses de prisão em regime fechado. O caso é considerado um dos mais emblemáticos da política recente. Também foi decretada a perda dos cargos públicos.
Obstrução reconhecida
O ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, foi condenado a 18 anos de reclusão. Os ministros entenderam que não houve prova de participação direta no planejamento do crime, mas reconheceram obstrução de Justiça. A Corte apontou evidências de atos para dificultar a investigação. A pena inclui regime fechado e multa. O julgamento reforça o entendimento de responsabilização institucional.
Indenização milionária
Além das penas de prisão, o STF fixou indenização de R$ 7 milhões aos familiares de Marielle, do motorista Anderson Gomes e da sobrevivente Fernanda Chaves. O relator, Alexandre de Moraes, teve voto acompanhado integralmente pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A decisão encerra uma etapa central do processo no Supremo.
Texto volta à Câmara
A Câmara dos Deputados aprovou o PL Antifacção, relatado por Guilherme Derrite, retomando a maior parte do texto original da Casa. A proposta cria os crimes de “domínio social estruturado” e “favorecimento ao domínio social estruturado”, com penas que podem chegar a 40 anos. O projeto segue agora para sanção presidencial. Parte das mudanças feitas pelo Senado foi revertida. O texto recebeu aprovação simbólica no plenário.
Bets ficam de fora
Foi retirado do projeto o dispositivo que previa taxação de 15% sobre transferências para apostas esportivas on-line. A medida, incluída no Senado sob relatoria de Alessandro Vieira, destinaria recursos ao Fundo Nacional de Segurança Pública. A estimativa era de arrecadação bilionária anual. O trecho deverá tramitar em proposta separada. O tema gerou divergência durante a votação.
Negociação com o governo
O texto final resultou de negociações entre a relatoria e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que pontos considerados essenciais foram incorporados. O presidente da Câmara, Hugo Motta, manteve Derrite na relatoria apesar de resistências. O projeto passa a ser denominado Lei Raul Jungmann.
Movimento estratégico
Em meio ao clima de tensão com o governador Tarcísio de Freitas, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, organiza um grande ato político em São Paulo na próxima semana. O evento reunirá os três presidenciáveis da sigla e deve marcar posição do partido no cenário nacional.
Trio na vitrine
Os governadores Eduardo Leite, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado conduzem debate no clube Monte Líbano, na capital paulista, para apresentar o projeto do PSD para o Brasil. A expectativa é de anúncio de novas filiações, inclusive de parlamentares que deixaram o PSDB.
Impacto em 2026
A articulação de Kassab pode ter reflexos diretos na composição da chapa paulista em 2026. Lideranças avaliam que o projeto presidencial próprio do PSD pode inviabilizar a manutenção do vice Felício Ramuth no palanque de Tarcísio, que já sinalizou apoio à eventual candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.
Desabafo público
Heloísa Bolsonaro, esposa do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está foragido nos Estados Unidos, foi às redes sociais defender o marido após declaração do deputado federal Nikolas Ferreira de que ele “não está bem”. Ela afirmou que o parlamentar enfrenta “uma das decisões mais difíceis da vida”, em referência ao afastamento do país.
Contato interrompido
Em publicação no Instagram, Heloísa relatou que o distanciamento também atingiu a relação de Eduardo com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ela, o contato, antes telefônico, teria passado a ocorrer apenas por cartas.
Foco em 2026
No mesmo texto, a esposa de Flavio Bolsonaro convocou apoiadores a intensificarem a divulgação do nome do senador Flávio Bolsonaro como alternativa do grupo ao Planalto. O episódio expôs divergências internas no campo bolsonarista sobre a estratégia eleitoral para 2026.
Acordo mantido
O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, descartou qualquer mudança na estratégia do partido em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel foi definido com aval direto de Jair Bolsonaro.
Chapa alinhada
De acordo com Valdemar, o entendimento estadual também contempla apoio a Reinaldo Azambuja e Capitão Contar para o Senado. O dirigente afirmou que o acordo foi fechado previamente com Bolsonaro e não deverá sofrer alterações.
Insatisfação interna
Apesar da posição da direção nacional, pré-candidatos do PL no Estado seguem mobilizados. O deputado federal Marcos Pollon, o deputado estadual João Henrique Catan e a vice-prefeita de Dourados Gianni Nogueira mantêm seus projetos e aguardam eventual posicionamento público de Bolsonaro, diante da aliança já consolidada.
Lista decisiva
Mesmo preso, Jair Bolsonaro deve bater o martelo sobre os candidatos do PL ao Senado em Mato Grosso do Sul. A definição pode alterar o plano inicialmente desenhado pela direção nacional do partido. A palavra final do ex-presidente tende a influenciar diretamente a composição da chapa.
Fator investigação
Além das articulações políticas, pesa no ambiente a delação homologada no STJ que cita o ex-governador Reinaldo Azambuja, pré-candidato ao senado pelo PL. O ex-governador nega irregularidades e afirma confiar na rejeição das denúncias. As investigações, contudo, adicionam elemento de incerteza à disputa.
PT no foco
O governador Eduardo Riedel afirmou, em entrevista ao Correio Braziliense, que projeta o PT como principal adversário na eleição de outubro. Segundo ele, a disputa ao Governo e ao Senado deverá ter candidatura própria do partido no Estado. Riedel avaliou que o cenário nacional tende à polarização. Também declarou que apoiará um nome do campo da direita contra Luiz Inácio Lula da Silva. A fala sinaliza o desenho estratégico para 2026.
Bloco em construção
Riedel disse que articula uma ampla coligação com partidos de centro-direita. Entre as legendas citadas estão PL, PP, União Brasil, Republicanos, PSDB, MDB e PSD. O governador não mencionou os deputados Marcos Pollon e João Henrique Catan como adversários centrais. Ambos defendem candidatura própria ao Governo e aguardam definição do PL. O cenário ainda depende de alinhamentos nacionais.
Mudança com resistência
A senadora Soraya Thronicke articula a troca do Podemos pelo PSB para disputar a reeleição em Mato Grosso do Sul, mas já enfrenta resistência interna. O acordo foi conduzido com aval da direção nacional, incluindo João Campos e o vice-presidente Geraldo Alckmin, porém filiados estaduais sinalizam debandada.
Racha no Estado
O deputado estadual Paulo Duarte anunciou que deixará o PSB após a chegada de Soraya, mantendo compromisso com a reeleição do governador Eduardo Riedel. O vereador Carlão também declarou apoio a Riedel e pode se afastar da legenda, ampliando o impasse local.
Tempo ampliado
Fábio Trad, pré-candidato ao Governo de MS, deve chegar à disputa com cerca de 25% do tempo de propaganda no rádio e na televisão. A federação PT/PV já assegura 15%, e a articulação com senadora Soraya Thronicke pode ampliar o espaço com a entrada de PSB, Podemos e PDT na coligação. O desenho prevê Soraya no Senado, ao lado de outro nome do campo progressista.
Mobilização institucional
O governador Eduardo Riedel reuniu a bancada federal e o presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, desembargador Carlos Muta, para discutir a criação de seis novas varas federais em Mato Grosso do Sul. O encontro ocorreu na Governadoria. A proposta já tramita na Câmara dos Deputados. A articulação envolve Executivo, Judiciário e Congresso. A meta é acelerar a aprovação ainda neste ano.
Interior fortalecido
O projeto prevê novas varas em Bonito, Corumbá, Ponta Porã, Naviraí, Três Lagoas e Dourados. A justificativa é atender à crescente demanda previdenciária, ambiental, indígena e alfandegária. Regiões de fronteira e polos industriais estão entre as prioridades. Segundo o governo, a medida amplia o acesso à Justiça no interior. A implantação será gradual, com uso de estruturas já existentes.
Bancada unida
Participaram da reunião os senadores Nelsinho Trad e Soraya Thronicke, além dos deputados Dagoberto Nogueira, Beto Pereira e Geraldo Resende. Durante o encontro, houve contato com Hugo Motta, que sinalizou prioridade na tramitação. O objetivo é fortalecer a estrutura judicial no Estado. O TRF3 avalia a iniciativa como preventiva e estratégica.
Isa “enrascada”
O Ministério Público recomendou que a vereadora douradense Isa Marcondes se abstenha de divulgar nas redes sociais o que classificou como “acusações genéricas” contra servidores públicos. O órgão aponta risco de perturbação ao funcionamento das repartições. A parlamentar terá 10 dias úteis para informar as providências adotadas. O descumprimento pode resultar em medidas judiciais.
Limites da fiscalização
O MP também orientou que a vereadora evite ingressar em áreas restritas sem autorização e interromper atendimentos em unidades de saúde. A recomendação cita episódios recentes na UPA de Dourados e manifestações de entidades médicas. Segundo o documento, a prerrogativa de fiscalização do Legislativo deve respeitar direitos e garantias individuais.
Processantes abertas
Além das recomendações do Ministério Público, a vereadora Isa Marcondes vai enfrentar ainda duas comissões processantes instauradas pela Câmara Municipal. As denúncias foram aceitas após votação com ampla maioria em plenário. Uma delas apura suposto uso indevido da cota parlamentar. A outra foi encaminhada à Comissão de Ética.
Denúncia sobre despesas
A representação, apresentada pelo advogado Wagner Batista da Silva, aponta possível irregularidade no ressarcimento de combustíveis. Segundo o documento, haveria abastecimentos em datas próximas a viagens ao interior do Estado e a evento em São Paulo. O valor ressarcido entre junho e novembro de 2025 somaria R$ 33,8 mil.
Clima político
As investigações contra Isa Marcondes foram abertas após críticas públicas que ela fez ao prefeito Marçal Filho, especialmente na área da saúde. Isa afirmou que não comentará detalhes por haver questão judicial sob sigilo. Também declarou que as denúncias surgem em ano eleitoral.
Governador em Dourados
A Associação Comercial e Empresarial de Dourados promove, no próximo dia 28 (sábado), café da manhã com o governador Eduardo Riedel. O encontro será às 7h30, no auditório da entidade, dentro da agenda oficial do chefe do Executivo em Dourados. O evento é gratuito e voltado a empresários da cidade e região. A proposta é abrir espaço para diálogo direto sobre desenvolvimento econômico.
Diálogo com empresariado
O presidente da ACED, Everaldo Leite Dias, destacou a importância da participação ativa dos empresários no encontro. Segundo ele, a presença do governador na chamada “Casa do Empresário” reforça o reconhecimento institucional da entidade. A expectativa é de debate sobre demandas regionais e pautas estratégicas.
Blocão ampliado
A Assembleia Legislativa passou a contar com um bloco governista de 12 deputados, liderado por Márcio Fernandes. O grupo incorporou parlamentares que ficaram sem bancada no PL e também o deputado Lídio Lopes, que atuava de forma independente. A articulação garante força nas comissões permanentes. O movimento consolida maioria alinhada ao governo. Metade da Casa passa a integrar o novo bloco.
Mudança no PL
A recomposição ocorreu após a saída de Lucas de Lima do PL por decisão judicial, o que fez o partido perder o status de bancada. Com isso, Neno Razuk e Coronel David também migraram para o bloco para manter espaço nas comissões. Sem bancada formal, a alternativa foi integrar grupo maior. A mudança altera o equilíbrio interno. O PL deixa de ter autonomia nas indicações.
Isolados e governistas
Além do bloco de 12, a Casa mantém outro grupo com oito deputados, também governista. O trio do PT e João Henrique Catan permanecem fora de blocos. Sem bancada mínima, dependem de cessão de vagas para atuar nas comissões. A composição influencia diretamente a Comissão de Constituição, Justiça e Redação. O novo arranjo fortalece a base do governador Eduardo Riedel no Legislativo.
BR-163 bloqueada
Manifestantes bloquearam totalmente a BR-163, entre Dourados e Caarapó, na manhã desta quarta-feira (25). O protesto ocorre nas proximidades da Sitioca Ouro Fino e cobra mais segurança viária no trecho. Moradores pedem sinalização reforçada, lombada eletrônica, rotatória e iluminação pública. A mobilização ganhou força após a morte do jovem Luiz Henrique Oliveira Rosa, no último dia 18. A PRF registrou congestionamento de cerca de quatro quilômetros no trevo da Embrapa.
Pressão sobre concessionária
O movimento exige a presença de representante da concessionária Motiva Pantanal com poder de decisão para negociar melhorias. Lideranças afirmam que, sem resposta concreta, o protesto pode avançar até a praça de pedágio. Em nota, a empresa informou que acompanha a manifestação e destacou ações já realizadas no km 252.
BASTIDORES DO PODER
O “caçador” virou caça
Nos corredores de Brasília, contam que o ex-presidente Fernando Collor de Mello sempre gostou de entradas triunfais. Terno alinhado, discurso ensaiado, aquele ar de quem ainda estava pronto para “consertar o Brasil” e por isso, recebeu o apelido de “Caçador de Marajás”. O problema é que, na política, o roteiro muda sem avisar, e o protagonista nem sempre percebe.
Em 1992, enquanto o País fervia com denúncias e CPIs, Collor ainda apostava que o jogo poderia ser virado. Aliados diziam que não havia votos suficientes para o impeachment. Havia sim, e sobrando. O “caçador de marajás” viu a base evaporar em questão de dias. Em Brasília, fidelidade costuma durar até a próxima manchete.
Renunciou tentando escapar da cassação, mas acabou condenado pelo Senado. Muitos apostaram que seria o fim da carreira. Ledo engano. Anos depois, ressurgiu das urnas como senador por Alagoas, mostrando que, no Brasil, a política sempre deixa uma porta entreaberta.
Mas a história não parou ali. Já como senador, Collor enfrentou novas investigações e acabou condenado à prisão. Hoje, cumpre pena em regime domiciliar, uma imagem distante daquele jovem presidente que prometia varrer privilégios.
No fim, a ironia é inevitável: quem subiu ao Planalto como símbolo da moralização terminou a trajetória política cercado por processos e sentenças. Brasília ensina uma lição antiga: poder é passageiro, mas as consequências, nem sempre.


