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Vacina chinesa aponta segurança para 94,7% dos voluntários testados, diz governo de SP

Vacina chinesa aponta segurança para 94,7% dos voluntários testados, diz governo de SP
SP receberá 5 milhões de doses de vacina chinesa em outubro Foto: Fotoarena / Agência O Globo

De acordo com o governador João Doria, 5,3% dos voluntários na China apresentaram efeitos colaterais leves, como dor no local da aplicação; espera-se que primeiros resultados de eficácia saiam já em outubro

O governo de São Paulo afirmou, nesta quarta-feira, que a vacina chinesa contra o coronavírus CoronaVac não apresentou efeitos colaterais em 94,7% dos 50 mil voluntários testados no país asiático. De acordo com o governador João Doria, os estudos clínicos mostram um índice de 5,3% de efeitos adversos de baixa gravidade. Há expectativa no Butantan de que um resultado preliminar de eficácia possa surgir já em outubro —  depende disso a aprovação do imunizante pela Anvisa, para uso na população.

— A maioria apresentou apenas dor no local da aplicação. Os resultados comprovam que a CoronaVac tem um excelente perfil de segurança, sendo classificada pela OMS como uma das oito mais promissoras vacinas em estágio final do mundo — afirmou João Doria, em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.

Entre os 50.027 voluntários chineses testados na fase três, 3.08% apresentaram dor no local da aplicação, 1,53%, fadiga e 0,21% febre moderada.

Leia mais: CoronaVac é segura para idosos, embora menos efetiva do que em jovens

Em São Paulo, dos 9 mil voluntários previstos —  todos profissionais de saúde —, 5.600 já receberam doses, desde 21 de julho. Segundo Doria, também não foram identificados efeitos graves. De acordo com Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, os testes serão ampliados para 13 mil voluntários brasileiros. Nessa próxima etapa, serão incluídos idosos e crianças.

A previsão é de que as primeiras 5 milhões de doses da CoronaVac cheguem ao Instituto Butantan para distribuição já em outubro. Para que seja iniciada a vacinação, ainda é preciso aguardar a finalização da terceira fase dos testes e a aprovação do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

— O primeiro lote de cinco milhões chegará ao Butantan agora em outubro para ser aplicada em São Paulo. Deveremos, por óbvio, aguardar a finalização da terceira e última fase de testagem e também a aprovação da Anvisa, mas na segunda quinzena de dezembro já poderíamos iniciar a imunização.

Entenda: Candidata a vacina que está sendo testada no Brasil é aprovada para uso emergencial na China

De acordo com o governador, os primeiros brasileiros a receberem doses da CoronaVac serão médicos e paramédicos. Até 31 de dezembro, estão programados mais 46 milhões de doses da vacina e, até 28 de fevereiro, mais 9 milhões.

— Estamos sugerindo, em tratativas com o Ministério da Saúde, que o governo brasileiro compre mais 40 milhões de doses da vacina, adicionalmente às que serão oferecidas aos brasileiros de São Paulo, para os brasileiros de outras regiõies do país.

Hoje, o secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, se reuniu com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para falar sobre a CoronaVac. Segundo Doria, o governo federal autorizou a liberação de R$ 80 milhões em investimentos na futura fábrica da CoronaVac no Instituto Butantan, com objetivo de ampliar a produção. Apesar da liberação da primeira parte dos recursos, explicou Doria, esse valor não se refere à compra de mais doses além das 60 milhões já acertadas pelo governo estadual.

Em São Paulo, o novo coronavírus já infectou 951.973 pessoas e matou 34.492 até esta quarta-feira. Há 3.972 pessoas internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e 5.280 em enfermarias.

Aguardando as infecções

Apesar de celebrado, o resultado de segurança anunciado hoje, durante a fase três de testes da vacina, é apenas uma continuidade do resultado de segurança atestado pela fase 1, desenhada especificamente para isso.

O Butantan afirma que não existe até agora nenhum indicativo de eficácia da vacina, nem no estudo em solo chinês nem no brasileiro, simplesmente porque os dados ainda não foram abertos.

No caso do Brasil, para que o resultado do estudo tenha alguma significância estátística, é preciso que ocorra a infecção de pelo menos 154 pessoas dos 9 mil voluntários. Só depois disso é que os pesquisadores abrem o sigilo do esquema “duplo cego” para saber quais voluntários foram vacinados e quais receberam placebo. (O Globo)

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