Zoneamento Ecológico Econômico
Artigo – 20/12/2007
Waldir Guerra
O governador, André Puccinelli, voltou a Dourados nesta última segunda-feira, dia 10, para apresentar aos prefeitos da região o projeto do ZEE – Zoneamento Ecológico Econômico – e, antes disso, convocou os empresários locais para uma reunião a portas fechadas.
Final de Ano, já em clima pré-natalino, um bom número de empresários se fez presente, todos ansiosos para ouvir o que teria o governador para conversar em particular com eles. Nada demais, apenas repetiu o que a gente já sabe que está fazendo das tripas coração para endireitar as finanças do Estado.
Se algum dos empresários ali presentes esperava algum brinde natalino, como a promessa de alguma redução nos impostos – o Estado tem os combustíveis mais caros do país por causa do ICMS alto demais – saiu de lá sabendo que o governo estadual pensa, sim, em incluir a cana e a madeira com alguma tributação dentro do Fundersul (aquele imposto provisório que parece tornou-se definitivo).
Também naquela reunião ficaram sabendo que a pauta da soja e do milho – aquela maneira disfarçada de aumentar o ICMS ao bel prazer do governo – foi aumentada nessa semana; para quanto não sei, porque não leio o Diário Oficial, mas certamente, como sempre, para um preço mais alto do que o mercado pratica.
Tudo bem, até dá para concordar que a cana e a madeira também sejam incorporadas na contribuição ao Fundersul, afinal, por que as demais culturas são tributadas e essas não? Mas, convenhamos, o governador precisa encontrar outras maneiras que não a de apenas aumentar impostos – ou criar novos – para fazer frente às despesas elevadas do seu governo. Essa é a maneira petista de administrar: encher de gente, nomear e aparelhar a administração pública. O que não se espera deste governador, homem de comprovada competência administrativa.
Na verdade o que os empresários esperam do atual governador é que fortaleça os produtores rurais; pelo menos faça o que fez seu colega do Mato Grosso que direcionou (através de lei própria) um real por tonelada de soja colhida para a APROSOJA – e está prometendo fazer isso com os cotonicultores e também com os pecuaristas. Dar condições àqueles que produzem para que pesquisem, procurem mercados, criem eventos, enfim, tenham recursos próprios e não precisem mendigar verbas governamentais para suas reuniões, além de mantê-los organizados, certamente, será uma alavanca a mais para administrar o Estado.
Quanto ao Zoneamento Ecológico Econômico, evento realizado logo após o encontro dos empresários com o governador, teve a maciça presença dos vinte municípios da região sul. Só prefeitos eram 16 e o evento surpreendeu pela praticidade das propostas. Surpreendeu porque a maioria foi a ele imaginando tratar-se de mais um daqueles encontros pirotécnicos para anunciar obras discutíveis.
Não houve lançamento de obras, nem promessa delas, mas sim, foi mostrado e em especial aos prefeitos ali reunidos, onde e como os novos empreendimentos podem ser realizados no Estado. Coisa necessária, oxalá faça parte, como uma verdadeira bíblia ecológica, sempre nas mãos dos prefeitos para que possam bem orientar os futuros investimentos.
Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
Fonte: Folha de Dourados



