Zilda Arns, por Waldir Guerra
Zilda Arns, por Waldir Guerra
Opinião – 18/01/2010
Waldir Guerra *
Morreu Zilda Arns, a mulher que mais fez no país pelas crianças carentes. Uma verdadeira mártir, não pelo sofrimento, que é a maneira com que imaginamos aqueles que morrem sob torturas defendendo sua fé. Ao contrário, a Dra. Zilda Arns viveu sua vida inteira sorrindo. Foi com seu sorriso ” somado ao constante entusiasmo ” que conseguiu instalar a Pastoral da Criança e durante os últimos 27 anos acompanhou o desenvolvimento de 1,8 milhão de crianças com menos de seis anos de idade.O bom da Pastoral da Criança é que envolve mais de 260 mil voluntários para o atendimento das crianças e está instalada em mais de quatro mil municípios brasileiros. Um extraordinário trabalho que vem sendo realizado junto às comunidades mais carentes; trabalho não só na área da saúde pública, mas na promoção social das famílias atendidas. A maioria das mães pobres deste país sabe o valor da farinha ‘multi-mistura’ que a Pastoral da Criança distribui.Em 2004, Dona Zilda recebeu da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) a incumbência para criar a Pastoral do Idoso. Hoje a Pastoral do Idoso atende mais de cem mil idosos em 579 municípios. Doze mil voluntários estão envolvidos nesse trabalho. Ela foi embora, mas deixou um exército de pessoas bem treinadas e, sobretudo, imbuídas do mesmo entusiasmo da Dona Zilda. Certamente, com o apoio da CNBB, tanto a Pastoral da Criança quanto a Pastoral do Idoso, continuarão crescendo e se expandindo não somente no nosso país, mas pelo mundo todo.Enquanto estou aqui lamentando a morte da Dra Zilda Arns fico pensando nas tantas outras zildas que existem neste mundo. Aquelas ‘zildas’ do Lar Ebenezer, ou do Lar Santa Rita aqui da minha cidade. Há quantos anos prestam tantos e tão bons serviços às crianças carentes! Preste atenção na sua cidade quantas ‘zildas’ estão empenhadas em trabalhos caritativos. Preste atenção nas irmãs de caridade dedicadas como enfermeiras, como educadoras, ou simplesmente orientadoras e você verá que existe, sim, um mundo de gente boa que não aparece nos noticiários ou nas páginas dos jornais. Hoje vejo que o número de pessoas boas é bem maior que o número de bandidos mas minha impressão como a sua, por conta dos noticiários policiais, é de que o mundo está perdido. Não está não. Tem gente que vive a vida inteira só para fazer o bem; foi o caso de Zilda Arns.Ela será um ícone deste que está sendo considerado o maior desastre da humanidade. Seu trabalho e sua dedicação aos mais necessitados servirão de exemplo para a solidariedade entre os países na restauração do Haiti.Aliás, está nessa desgraça a grande oportunidade dos governos do mundo mostrarem o que é possível se fazer numa catástrofe universal. O planeta Terra não está livre de outros cataclismos.Tão generosos em recursos a fim de salvar os grandes bancos os governos dos países ricos terão a oportunidade agora de mostrar a mesma generosidade em relação ao Haiti. Preciso acreditar que este será o primeiro milagre que a Dra Zilda Arns vai fazer em sua primeira conversa com Deus. Membro da ADL, Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
Fonte: Folha de Dourados



